Meio Ambiente
Publicado em 28/06/2025, às 12h00 Dandara Amorim
O brasileiro descarta, em média, 1,04 kg de Resíduo Sólido Urbano (RSU) por dia, segundo o Panorama dos Resíduos Sólidos 2023, elaborado pela Associação Brasileira de Resíduos e Meio Ambiente (ABREMA). Quando aplicamos essa média com o número de brasileiros baseado no Censo Demográfico 2022, estima-se que aproximadamente 77,1 milhões de toneladas de RSU são destacadas por dias. Existem descartes que podem ser reciclados, outros não, como a lona vinílica.
O material da lona geralmente é de PVC (cloreto de polivinilo), assim não é considerado um produto reciclável em larga escala devido à complexidade e custo do processo de reciclagem. Na tentativa de gerar renda às mulheres da Península de Itapagipe e no reaproveitamento desse material, o Centro de Arte e Meio Ambiente (CAMA) desenvolve o projeto “Costura Solidária Sustentável”.
Em entrevista ao BNews Junho Verde, Ana Carine Oliveira, bióloga e integrante do CAMA, explicou que “esse é um resíduo que pode levar mais de 400 anos para o processo de decomposição de forma natural. Pensando nessa lógica e com os empreendimentos que a gente já acompanhava, lembrando que também fomentamos empreendimentos formados por mulheres, com foco nas mulheres pretas, a gente desenvolve um projeto Costura Solidária Sustentável na perspectiva de trabalhar o reaproveitamento dessas lonas vinílicas, transformando elas em produtos sustentáveis, mas com design social e um design da sustentabilidade diferenciada. E aí surge o Costura nessa perspectiva, num processo mesmo inicial de formação para que essas mulheres começassem a compreender o que era aquele resíduo, então a gente vem bem do básico, do que era a lona vinílica e o processo criativo de desenvolver produtos sustentáveis”.
O projeto, além de trabalhar com a formação das mulheres, fazia o movimento da economia solidária, possibilitando a exposição e vendas em locais parceiros da ONG. Assim, para Ana Carine é uma maneira de colocar em prática “o comércio justo, um comércio ambientalmente sustentável”.
Roquelina da Silva, mulher negra e periférica, participa da "Costura Solidária Sustentável” e contou que por meio dessa ação, as mulheres participam desse movimento de proteção do meio ambiente. “Nós reutilizamos o banner que estava para ir para o lixo, e agora estamos transformando em sacolas, bolsas e aventais. É com muita alegria que faço parte desse grupo”.
A princípio o projeto capacitou 20 mulheres costureiras da Península de Itapagipe para produção utilizando o reaproveitamento de lona vinílica (banner, faixas, lonas ortofônicas). Atualmente, o projeto gera trabalho e renda para mulheres, produzindo produtos sustentáveis através dessa reutilização de matérias-primas cujo destino seria o aterro sanitário, ou impactar rios e mares.
Além da concepção de preservação ambiental é importante ressaltar que o produto artesanal é exclusivo, “você transforma o que deveria ser lixo, transformando em uma matéria-prima para sustento. Mas também uma forma artística de você apresentar o seu produto, uma vez que as lonas são exclusivas. As bolsas que são feitas de lona vinílica, elas se tornam exclusivas, porque você não vai ter a mesma peça, a mesma lona no mesmo padrão, você não vai ter o mesmo corte, então tudo é pensado, tudo é artisticamente pensado”.
Alternativas de desenvolvimento sustentável e solidário
O Centro de Arte e Meio Ambiente (CAMA) é uma organização da sociedade civil de Salvador, fundado em 1995, que tem por missão “fortalecer a luta por garantia de direitos de indivíduos e grupos historicamente excluídos para a construção de uma sociedade economicamente justa, democrática, ambientalmente equilibrada, antirracista, antissexista e contra todas as formas de exclusão”. O CAMA tem programas associados aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), referenciados pela Agenda 2030.
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