Meio Ambiente
por Analu Teixeira
Publicado em 03/06/2026, às 05h00
A ideia de viver produzindo o mínimo possível de resíduos, conhecida como “lixo zero”, vem ganhando espaço nas redes sociais, no consumo consciente e até nas discussões ambientais. Apesar disso, especialistas e iniciativas ligadas à sustentabilidade alertam que Salvador ainda enfrenta desafios importantes quando o assunto é descarte correto e redução de lixo.
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Segundo a empresa Salvador Reciclagem, que atua desde 2011 na recuperação de materiais recicláveis, hábitos comuns da população continuam contribuindo diretamente para o aumento de resíduos sólidos na cidade. “Alto consumo de bebidas, festas e eventos geram muitos resíduos e alguns deles não são recicláveis”, explicou a empresa em entrevista ao BNews.
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Atuando na recuperação de sucatas de alumínio e materiais plásticos, a Salvador Reciclagem destaca que o descarte incorreto ainda é uma das maiores dificuldades enfrentadas pelo setor.
Dentro do universo da reciclagem, cada material tem sua própria forma de processamento. No caso do plástico, existem mais de oito tipos diferentes e muitas vezes a pessoa acaba colocando tudo junto acreditando que o mesmo processo se aplica a todos”, afirmou.
A empresa também percebe um crescimento na preocupação da população com sustentabilidade nos últimos anos, impulsionado principalmente pela divulgação feita pela mídia e pela criação de leis que exigem descarte consciente por parte de grandes empresas.
Para quem deseja começar a reduzir a produção de lixo no cotidiano, a orientação é simples: conhecer melhor os materiais consumidos e separá-los corretamente antes do descarte.
Além da questão ambiental, o descarte inadequado também impacta diretamente a saúde pública. É o que explica Rebeca Mendes Conceição, estudante de Engenharia Sanitária e Ambiental da UFBA, integrante do Diretório Acadêmico do curso e estagiária na área de gestão da limpeza urbana em Salvador.
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Segundo ela, um dos maiores desafios é a conscientização sobre separação correta dos resíduos e funcionamento da coleta seletiva. “Existe muita confusão entre o que é reciclável e o que é rejeito, e isso faz com que muitos materiais que poderiam ser reaproveitados acabem indo para aterros”, afirmou.
Rebeca ressalta, no entanto, que a responsabilidade não deve recair apenas sobre a população. Para ela, a gestão de resíduos depende também de investimento público, infraestrutura e políticas ambientais contínuas.
“O Estado precisa investir em práticas contínuas de conscientização, fortalecer a coleta seletiva, ampliar políticas públicas e facilitar o acesso da população aos meios corretos de descarte”, explicou.
Ela destaca que Salvador já possui ecopontos, programas de reciclagem e locais específicos para descarte de eletrônicos, baterias e medicamentos vencidos, mas muitas pessoas desconhecem esses serviços. “Muitas pessoas ainda enxergam a limpeza urbana apenas pela questão visual, quando na verdade estamos falando também sobre saúde pública e impactos ambientais”, pontuou.
De acordo com a estudante, o descarte inadequado pode contribuir para alagamentos, proliferação de doenças, contaminação do solo e da água pelo chorume, além do aumento da emissão de gases poluentes.Outro ponto destacado por Rebeca é a importância das cooperativas e dos catadores autônomos na cadeia da reciclagem.
“Não dá para falar sobre coleta seletiva sem reconhecer a importância das cooperativas, associações e catadores autônomos, que fazem um trabalho fundamental e precisam cada vez mais de valorização e investimento”, disse.
Além da reciclagem, iniciativas voltadas ao consumo consciente também aparecem como alternativas para diminuir a geração de resíduos. É o caso da Vieira Verde, loja de produtos naturais e venda a granel em Salvador.
Segundo a empresa, o modelo de venda a granel contribui para a redução do desperdício e do excesso de embalagens. “A pessoa compra exatamente a quantidade que precisa. Então além de evitar desperdício de alimento, também reduz muito o excesso de embalagens e descarte desnecessário”, explicou.
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A loja também percebe uma mudança no perfil dos consumidores, que passaram a buscar hábitos mais saudáveis e sustentáveis.
“Hoje o consumidor quer entender o que tem no alimento, aprendeu a ler os rótulos e começa também a olhar mais para sustentabilidade”, afirmou.
Para a empresa, pequenas mudanças de hábito já conseguem gerar impacto positivo no cotidiano, como comprar apenas o necessário, reutilizar embalagens e evitar desperdícios dentro de casa.
Embora o conceito de ‘lixo zero’ ainda pareça distante da realidade da maior parte da população, especialistas defendem que mudanças coletivas, aliadas à conscientização e ao acesso à informação, podem contribuir para uma cidade mais sustentável.
“Às vezes parece pouco uma pessoa separar o lixo corretamente ou reduzir o uso de plástico, mas quando isso se torna um hábito coletivo o impacto é muito grande”, concluiu Rebeca Mendes.
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