Meio Ambiente
O aterro sanitário de Jardim Gramacho, que funcionou por quase quatro décadas, ainda representa um desafio ambiental mesmo após seu fechamento em 2012. Conhecido como o maior lixão a céu aberto da América Latina, o local continua produzindo chorume, líquido resultante da decomposição do lixo e potencialmente contaminado por metais pesados, que precisa ser monitorado para não atingir o manguezal e a Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro.
Segundo o jornal O Globo, atualmente, a Comlurb mantém uma operação de cerca de R$ 2 milhões por mês, envolvendo equipes que administram uma estação de tratamento de chorume e lagoas de armazenamento do material. Com a inauguração da sexta lagoa, o aterro passou a ter capacidade para acumular 23 milhões de litros de chorume, o equivalente a mais de 9 piscinas olímpicas. O passivo ambiental é tão grande que estima-se que Gramacho continuará gerando chorume até 2050.
A reportagem detalha que a gestão do aterro inclui transporte do líquido para filtragem, tratamento parcial em estações de esgoto e monitoramento constante da estabilidade do terreno, onde o lixo chegou a atingir 60 metros de altura — aproximadamente um prédio de 20 andares. Apesar das medidas, ambientalistas alertam que a estação de tratamento não consegue processar todo o chorume produzido e que aterros clandestinos nas redondezas aumentam o risco de contaminação.
Além da questão do chorume, segundo o jornal, iniciativas de recuperação do local incluem a criação de um polo de reciclagem para os antigos catadores e estudos para implantar energia solar nas áreas não ocupadas pelo lixo. Segundo a Comlurb, o projeto poderia gerar até 50 megawatts-hora, suficiente para abastecer 50 mil residências.
Gramacho marcou época também por reunir milhares de catadores, incluindo crianças, que recolhiam materiais recicláveis em condições insalubres. Até meados dos anos 1990, o lixo doméstico e hospitalar era despejado a céu aberto, contaminando o entorno e atraindo aves que chegaram a atrapalhar operações no Aeroporto Internacional Tom Jobim (Galeão).
“A ideia de despejar lixo ali às margens da Baía não seguiu critérios técnicos e revela a incompetência dos governantes daquela época. E as gerações seguintes pagam pela falta de planejamento”, critica Renato Espírito Santo, presidente da Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental (Abes-RJ), em entrevista ao jornal.
Hoje, o aterro é considerado área de risco ambiental, mas os esforços de monitoramento e manutenção buscam evitar impactos mais graves, enquanto se estudam novas soluções sustentáveis para o espaço.
Classificação Indicativa: Livre
som poderoso
Som perfeito
Smartwatch top
Qualidade JBL
iPhone barato