Meio Ambiente

Junho Verde: entenda a importância do consumo consciente no Dia Mundial do Meio Ambiente

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Mudança de hábitos de consumo é essencial para minimizar o desperdício e proteger os recursos naturais do planeta  |   Bnews - Divulgação Reprodução Freepik

Publicado em 05/06/2025, às 11h00   Dandara Amorim



Com o Dia Mundial do Meio Ambiente, 5 de junho, a Organização das Nações Unidas (ONU) instituiu a data para chamar a atenção de todas as esferas da sociedade para a preservação dos recursos naturais e as questões socioambientais no desenvolvimento sustentável. Mas, como podemos proteger e salvaguardar a natureza? 

O BNews Junho Verde conversou com a bióloga, educadora ambiental e mestre em ecologia, Carla Circenis, sobre o consumo consciente e as implicações da reutilização dos produtos, que significa reaproveitar os itens em bom estado, que seriam descartados. 

Mas, é importante destacar que essa atitude de consumir de maneira consciente não é algo novo. Porém, o entendimento ambiental sobre o gesto tem se tornado uma potência entre os empreendedores brasileiros e clientes. Uma vez que o estudo Estilos de Vida da Nielsen, em 2019, revelou uma percepção de mudança nos padrões de consumo, pois 42% das pessoas têm hábitos de compra pensando em reduzir os impactos no meio ambiente. 

Carla Circenis explica que utilizar os materiais de forma mais responsável e sustentável é uma das alternativas para evitar o descarte inapropriado na natureza.

“Eu acho que a reutilização de produtos é uma alternativa bem sustentável, que vai aumentar a vida útil dos objetos e assim você evita que novos itens sejam produzidos, que mais matérias primas sejam retiradas da natureza. E você também dá a oportunidade de que outras pessoas possam consumir. Porque muitas vezes você adquire um produto por um valor alto e ao você encaminhar, esse valor vai diminuir bastante, possibilitando que uma nova pessoa possa adquirir. Isso acontece também em relação a móveis, bicicletas, artigos esportivos. Isso é muito comum em outros países”, contou Carla. 

A bióloga deu o exemplo do Japão, país onde é comum ver grandes lojas de produtos de todos os setores já utilizados e disponíveis para um novo dono. Mas, existe um estigma quando falamos, principalmente, de brechó e reutilização de roupas em solo brasileiro: “A gente carrega esse preconceito de não querer coisas usadas, de material usado, principalmente roupa. Acho que nós, baianos, temos muito essa questão de energia, que a roupa pode carregar a energia de outra pessoa. Mas eu não vou por esse lado, não. Eu acho que você pegou, lavou, acho que está vindo muito dentro de você”. 

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Felizmente, esse preconceito vem se desconstruindo. Exemplo disso é a iniciativa da influenciadora e modelo plus size Gilsilene Araújo. Ela criou o Brechó “Coletivo” Plus, pensando no compartilhamento e vendas de roupas para os corpos de diferentes tamanhos, além de ressignificar uma peça que seria destacada na natureza.

Reprodução Redes Socais @gilsileneara
Reprodução Redes Socais @gilsileneara
“A moda, para mim, é um ato político. Eu sou modelo plus size comercial, trabalho diretamente ligado à moda. E o brechó surgiu através dessa necessidade, principalmente, de fazer a reutilização sustentável de peças, mas de também facilitar o mercado de roupas plus size. E, normalmente, o mercado tem poucas opções de looks. E, quando esses looks são ofertados, eles são muito mais caros”, pontuou a influenciadora em entrevista ao BNews Junho Verde

Em um aplicativo de mensagens, as mulheres do brechó coletivo compartilham os looks, reutilizam as peças e ainda conseguem gerar uma renda extra. Atitude que representa o consumo consciente na prática, pois esse movimento está relacionado tanto ao desenvolvimento de uma consciência crítica em relação aos padrões quanto à compreensão dos impactos que cada escolha tem na sociedade e no meio ambiente.

A responsabilidade é nossa

Vale enfatizar que a ação individual faz a diferença. Nesse sentido, Carla Circenis chama atenção para a capital baiana: “No nosso caso, em cidade litorânea, a maioria desse lixo descartado, erroneamente, vai parar nos oceanos e  causa um grande prejuízo. Inclusive, a gente realiza com o BNews e o Grupo A4 o projeto Passando o Rodo nas Praias, que a gente faz a limpeza nas praias e busca conscientizar as pessoas justamente sobre essa questão do consumismo diário e o descarte inadequado desses materiais e, consequentemente, os prejuízos que isso causa na vida marinha, na vida do oceano, na vida dos seres que habitam os ecossistemas costeiros de uma forma geral”.

Projeto Passando o Rodo nas Praias - edição 2025
Projeto Passando o Rodo nas Praias - edição 2025 / Foto: BNews / Paulo M. Azevedo

Porém, a responsabilidade não se limita somente às pessoas que criam projetos como a Gilsilene e a Carla. Para a mestre em ecologia, as grandes empresas e indústrias têm papel crucial no incentivo desse movimento de desenvolvimento sustentável e na oferta à sociedade de materiais menos agressivos ao meio ambiente.

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