Meio Ambiente
Publicado em 09/06/2025, às 12h00 Dandara Amorim
A agricultura familiar é um sistema produtivo que utiliza a mão de obra da família e desempenha um papel vital na segurança alimentar, no desenvolvimento sustentável e na economia de regiões rurais. Para se ter uma ideia, no Brasil o segmento representa 77% dos estabelecimentos agrícolas e é fundamental para a produção de alimentos básicos.
O Diretor Superintendente de Desenvolvimento Agrário da Bahia, Gustavo Eduardo Rocha Machado, afirmou ao projeto BNews Junho Verde que trata-se de "um sistema integrado, onde pequenas propriedades rurais, sustentadas pelo trabalho familiar, combinam práticas ancestrais com adaptações contemporâneas. Essas unidades produtivas, priorizam a diversificação de cultivos e métodos sustentáveis e agroecológicos".
Essa lógica, segundo Machado, sustenta não apenas a subsistência, "mas também cultivos estratégicos, como o sisal, que posiciona a Bahia como líder mundial na produção dessa fibra (140 mil toneladas/ano), além de feijão (um dos maiores produtores nacionais), frutas como banana, cacau, coco, maracujá, laranja, manga entre outras, e culturas de base alimentar, como milho, mandioca, inhame, tomate, cebola, batata e batata-doce.
Além de garantir segurança alimentar, esse modelo impulsiona a economia local: gera em torno de 700 mil empregos diretos e indiretos, especialmente em regiões como o território sisaleiro, e movimenta divisas com a exportação de 50% da fibra de sisal para países da Ásia e Europa".
E foi justamente no sisal que o trabalhador do campo, Roque Carneiro, encontrou uma forma de sobrevivência. O agricultor familiar faz o trabalho da extração da fibra da Agave sisalana, em seguida desfibra a planta. O processo continua, uma vez que para terminar a técnica é preciso secar a fibra, e assim ficar com o aspecto que conhecemos o sisal, a matéria prima que está presente nas bolsas, tapetes, brincos, cestos, entre outros produtos.
O agricultor mora na zona rural de Valente, local onde possui a plantação e trabalha com a família fazendo a extração da fibra. Roque conta com orgulho sobre o trabalho, que não é fácil e precisa de muita atenção na máquina de desfibramento. Porém, ao final do trabalho se sente orgulhoso da produção. Durante entrevista ao BNews Junho Verde, o agricultor encaminhou a foto de um tapete e destacou “olha aí o nosso produto, o que é que ele vira aí, um tapete muito maravilhoso, muito muito bom mesmo”.
Boa parte da fibra retirada da sua propriedade é enviada para produção da Cooperafis, Cooperativa Regional de Artesãs Fibra do Sertão. O grupo possui 72 mulheres artesãs que através das mãos transformam o sisal em arte. São produtos que enchem as prateleiras em feiras pelo Brasil.
Tamires Carneiro, presidente da Cooperafis, também conversou com o BNews Junho Verde e contou que já foram 150 cooperadas. “Nós fazemos, principalmente, produtos para mesa. Tem descansos de panela, jogos americanos, porta-copo, temos a parte da moda também, que são as bolsas e os chapéus. Nós vendemos principalmente para São Paulo”, destacou.
Para fazer parte da Cooperafis, a artesã precisa ter, no mínimo, três meses de experiência. Dentro da cooperativa, essa cooperada vai entender como funciona o trabalho em grupo e decidir em votações sobre as decisões do grupo.
Porém, a utilização do sisal não termina nos artesanatos, pois de acordo com o agricultor Roque, o resíduo da fibra é alimento para os animais e adubo. Além disso, o líquido expelido pela planta é enviado para São Paulo e Salvador com o propósito de desenvolver produtos de beleza e limpeza.
Território do Sisal
O território de identidade do Sisal é localizado no semiárido da Bahia e abrange 20 municípios: Araci, Barrocas, Biritinga, Candeal, Cansanção, Conceição do Coité, Ichu, Itiúba, Lamarão, Monte Santo, Queimadas, Retirolândia, São Domingos, Quijingue, Nordestina, Santaluz, Serrinha, Teofilândia, Tucano e Valente.
Segundo o pesquisador na área de economia, Filipe Prado Macedo da Silva, a definição que temos hoje e que identifica o Território do Sisal foi estabelecida “a partir da indução das recentes políticas de desenvolvimento territorial tanto do governo da Bahia (os Territórios de Identidade do Estado da Bahia) como do governo federal (os Territórios Rurais e os Territórios da Cidadania)”.
A produção do sisal já enfrentou algumas crises econômicas, de acordo com a pesquisa de Filipe Macedo, seja por causa da desvalorização do produto ou até mesmo por falta de mão de obra. Mas, atualmente passa por uma nova fase, sendo vendido para os públicos fora do próprio território, como itens luxuosos de decoração e moda.
Nesse sentido, o Diretor Superintendente de Desenvolvimento Agrário da Bahia, Gustavo Eduardo Rocha Machado, reiterou o objetivo de "fortalecer cada vez mais a Agricultura Familiar Baiana": "o Governo do Estado da Bahia tem feito investimentos recordes na Agricultura Familiar, visando fortalecer a atividade e melhorar a qualidade de vida dos produtores e produtoras rurais com investimentos em torno de R$ 4 bilhões nos anos de 2015 a 2025, através de editais de chamadas públicas e o PRONAF com aporte de R$ 2,97 Bilhões. Assim, a agricultura familiar baiana não se limita à produção rural: é uma rede socioeconômica onde tradição, cooperação e adaptação convergem. Seja pela força das mulheres, pela inovação das cooperativas ou pela resistência do sisal, ela se consolida como um modelo que alimenta, emprega e preserva, mantendo raízes profundas no semiárido e olhos abertos para o futuro".
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