Meio Ambiente
Publicado em 15/01/2025, às 15h23 Andrêzza Moura e Gabriel Bacelar
Durante toda a manhã deste quarta-feira (15), uma equipe de pesquisadores permaneceu no mar da Baia de Todos-os-Santos, na Ilha de Itaparica, realizando ações de combate aos corais invasores que estão destruindo a biodiversidade local. Além intervenções diretas aos bioinvasores, uma reunião com pescadores e mergulhadores do município acontece no Colégio Estadual de Tempo Integral Ernesto Carneiro Ribeiro.
“Esse bioinvasor, que estamos chamando de octocoral, que está localizado predominantemente aqui na região de Itaparica, na Marina, no forte e no naufrágio. Ele foi identificado por pescadores, então, está vindo essa integração de pesca, que é muito importante para localizar onde eles estão. Os pesquisadores estudaram a espécie e identificaram e estão agora estabelecendo qual o melhor método de remoção desse coral”, revelou Luana Pimentel, diretora da Secretaria do Meio Ambiente (Sema).
Entre os pescadores presentes no encontro estava Geraldo Pereira. Segundo ele, há mais de um ano, tem sentido diretamente os impactos causados pelos corais invasores. “O prejuízo na pesca de peixes e mariscos é de 70%, o prejuízo é total. Até essas pessoas que pescam de varinha na beira da praia sentem dificuldades. Onde ele [coral invasor] nasce tudo some. Não sei porque, não sei qual o efeito que eles fazem, marisco some, peixe some, tudo some. O pescador tem medo do que possa acontecer se uma providência não for tomada”, lamentou Pereira, afirmando acreditar que, desta vez, alguma solução será tomada pela Sema para eliminar os invasores.
Pesquisador da Universidade Federal da Bahia (UFBA) e da Organização Socioambientalista PROMAR, Rodrigo Maia, revelou que os primeiros relatos de aparição dos corais invasões surgiram em outubro de 2023, mas que, possivelmente, eles surgiram muito tempo antes, pois já estavam bem desenvolvidos. “Pelo tamanho das colônias, a gente imagina que tenha um tempo a mais, não dá para afirmar quanto tempo”, avaliou o profissional.
De acordo com Maia, a maior quantidade de bioinvasores está localizada no naufrágio e na Marina de Itaparica, no entanto, eles foram encontrados e outros lugares, que também serão monitorados. “Fizemos um experimento, aplicamos algumas substâncias - água doce, vinagre e sal azedo - ácido originado de alguns vegetais, ele é natural e biodegradável, mas atinge esses organismos -, já começaram a se deteriorar. Também testamos a remoção manual, que tem que ser feita com cuidado para que não fique nenhum fragmento e corra o risco de retornar”, contou o pesquisador, revelando que, até meados de fevereiro, serão feitos mergulhos para avaliar a evolução das ações.
Professor da UFBA, Francisco Barros também participou das incursões e aponta o trabalho como sendo de suma importância, já que, segundo ele, a invasão biológica é a uma das maiores causas de perca de biodiversidade do planeta. ”A gente tem outros invasores, mas não diminui a importância de tentarmos controlar uma invasão recente, que ainda é possível. [intervenção] Tem que ser com brevidade, para qualquer espécie invasora, no mundo, de qualquer tipo de ambiente, seja terra ou mar ou água doce. Quanto mais rápido, maior a chance de erradicar. Quanto mais tarde for a ação, mais problema pode ter para erradicar ou controlar essa população”, declarou Barros.
Luana Pimentel disse que a Ilha de Itaparica é uma unidade de conservação e é uma Área de Proteção Ambiental Baia de Todos-os-Santos (APA/ BTS). “É uma região especialmente protegida, além dessa unidade de proteção, temos a Ilha do Medo, unidade de conservação municipal. Tanto aqui, Itaparica, quanto na Ilha do Medo, têm espaço especialmente protegidos e estão sendo impactados por esse bioinvasor, mas um fato para a gente se preocupar e para a gente agir e combater o octocoral bioinvasor”, concluiu a diretora da Sema.
As ações estão sendo realizadas pela Sema, pelo Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos do Estado da Bahia (Inema) e PROMAR com apoio da Capitania dos Portos, da Polícia Ambiental (COPPA) e Prefeitura de Itaparica.
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