Meio Ambiente

Junho Verde: Planeta em alerta - por que essa data nunca foi tão urgente?

Reprodução/Redes Sociais
Diante de recordes climáticos globais, o Dia do Meio Ambiente deixa de ser apenas reflexão e se torna um chamado urgente; veja o impacto em Salvador  |   Bnews - Divulgação Reprodução/Redes Sociais
Cibele Gentil

por Cibele Gentil

Publicado em 05/06/2026, às 05h00



Neste 5 de junho, o mundo celebra o Dia do Meio Ambiente em um cenário de urgência sem precedentes. Com a ocorrência de eventos climáticos extremos, em 2026, a data vai além do simbolismo e se mostra como um alerta crítico sobre a necessidade de adaptar as cidades e proteger as populações para que o cotidiano urbano continue viável.

Embora seja um tema de enorme relevância, para a maioria das pessoas, a crise climática parece ser um problema distante. O cidadão soteropolitano, por exemplo, tende a não perceber que, sendo uma questão global, as mudanças já afetam o dia a dia da própria cidade onde vive.

Siga o BNews no Google e receba as principais notícias no seu celular

Google News Bnews

Terra está esquentando mais rápido

De acordo com o relatório “Estado do Clima Global 2025”, divulgado no último mês de março pela Organização Meteorológica Mundial (OMM), agência da Organização das Nações Unidas (ONU), o planeta continua acumulando calor e esse processo está se tornando cada vez mais acelerado. No ano passado, o desequilíbrio energético da Terra atingiu o maior nível desde o início dos registros, em 1960.

Conforme uma publicação do Observatório do Clima, “o desequilíbrio energético mede a velocidade com que o calor provocado pelas emissões humanas de gases de efeito estufa se acumula no sistema climático”. Esse excesso de energia seria responsável pelo aquecimento de oceanos, dos continentes e da atmosfera, além de acelerar o derretimento de gelo marinho.

A entidade, que reúne mais 130 organizações que se dedicam à questão no Brasil, ao repercutir os resultados do relatório, destacou que parte dos impactos da crise climática “já é irreversível por séculos ou milênios”. Em outra publicação mais recente, de 28 de maio, o Observatório do Clima alertou que “há 86% de chance de que algum ano entre 2026 e 2030 supere 2024 como o mais quente já registrado”. Entre as consequências mais visíveis do aumento das temperaturas estão as mudanças nos padrões de chuva e a maior intensidade de tempestades tropicais e subtropicais.

Impactos no cotidiano de Salvador

Os dados históricos de chuva sugerem um cenário cada vez mais crítico para Salvador. Conforme levantamento realizado pelo Centro de Monitoramento e Alerta da Defesa Civil (Cemadec), os acumulados pluviométricos durante os meses em que as médias climatológicas são maiores, entre abril e junho, os resultados foram de um aumento constante nos índices.

“Além disso, alguns meses que não detinham tanta expressividade na climatologia estão passando a atingir valores preocupantes¨, analisou Gabriel Pugliese, coordenador do Cemadec. Como exemplo, ele citou o mês de novembro, que nos últimos sete anos, com exceção do ano de 2023, registrou acumulados superiores à normal climatológica de 108,2 mm.

Áreas vulneráveis, informação e resiliência urbana

Salvador possui uma topografia muito específica, com vales e encostas. Nos períodos em que há aumento no volume de chuvas, algumas áreas da cidade demandam ainda mais atenção devido à ocorrência de alagamentos e ao alto risco de deslizamento. De acordo com Gabriel Pugliese, a cidade tem 187 áreas de risco mapeadas. Dentre elas, 14 possuem um sistema de alerta e alarme, para ser acionado nestas situações.

Para o coordenador do Cemadec, é importe que, além de medidas estruturais, como a execução de obras para prevenir deslizamentos, por exemplo, é preciso ampliar estudos e pesquisas no que tangem as mudanças climáticas. Segundo explicou, a Defesa Civil tem buscado investir em pessoal e novos equipamentos para esta finalidade.

Pugliese explicou que, mantendo esse trabalho no longo prazo, torna-se viável “implementar um banco de dados histórico capaz de entender o cenário atual de inúmeras variáveis. Após essa construção, se tornará mais fácil realizar previsões futuras”.

Ele também salientou o trabalho informativo da Defesa Civil, contando que o órgão “desenvolve ações educativas relacionadas às mudanças climáticas, incentivando a cultura de prevenção e a resiliência”. Na avaliação do coordenador, essa linha de atuação visa “levar a tamanha seriedade das questões climáticas para o dia a dia das pessoas”.

Classificação Indicativa: Livre

Facebook Twitter WhatsApp


Cadastre-se na Newsletter do Bnews (Beta)