Meio Ambiente

Plano para salvar ilha de desastre ambiental causado por gatos vai custar R$ 127 milhões

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Levados para uma ilha remota em 1949, os felinos se multiplicaram, dizimaram aves marinhas e deram início a uma batalha contra espécies invasoras que já dura décadas  |   Bnews - Divulgação Reprodução/Instagram @marionisland
Redação Bnews

por Redação Bnews

redacao@bnews.com.br

Publicado em 04/08/2026, às 08h49 - Atualizado às 10h08



Cinco gatos domésticos introduzidos em 1949 para combater ratos em uma estação meteorológica transformaram a Ilha Marion, no sul do Oceano Índico, em palco de uma das maiores tentativas de controle de espécies invasoras.

Décadas depois, após a população felina crescer para mais de 2 mil animais e dizimar aves marinhas, um novo plano de erradicação de ratos prevê investimento de US$ 25 milhões (cerca de R$ 127 milhões) para tentar recuperar o ecossistema local.

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Gatos foram levados para combater ratos
A Ilha Marion faz parte do arquipélago subantártico das Ilhas Príncipe Eduardo e está localizada entre a África do Sul e a Antártida. Antes da chegada dos gatos, o local funcionava como um santuário natural, onde diversas espécies de aves marinhas evoluíram por milhares de anos sem a presença de mamíferos terrestres predadores.

Em 1949, funcionários da estação meteorológica levaram cinco gatos para a ilha: uma fêmea, um macho castrado e três filhotes. A ideia era controlar a população de ratos que afetava as instalações.

O problema é que os felinos encontraram uma presa mais fácil: as aves marinhas que faziam ninhos no solo e não tinham defesa contra predadores.

Colônia de gatos chegou a mais de 2 mil animais
A população de gatos cresceu rapidamente e, na década de 1970, já ultrapassava 2 mil indivíduos. Os animais passaram a atacar diversas espécies de aves, incluindo petréis e albatrozes.

Segundo o Uol, o Instituto de História da Ciência dos Estados Unidos informou que os gatos matavam cerca de 455 mil aves por ano. Em algumas áreas costeiras, havia planícies cobertas por asas de aves mortas.

A tentativa de eliminar os felinos começou em 1977. O programa reuniu diferentes estratégias, como captura, caça noturna com uso de holofotes e aplicação do vírus da panleucopenia felina como método de controle biológico. O último gato da ilha foi eliminado apenas em 1991.

Sem gatos, ratos passaram a ameaçar aves
A retirada dos gatos resolveu um problema, mas abriu espaço para outro. Com os predadores eliminados, os ratos se multiplicaram e passaram a ameaçar as espécies nativas.

De acordo com o projeto Mouse-Free Marion, os roedores começaram a atacar ovos, filhotes e até aves adultas. Atualmente, eles colocam em risco de extinção local 19 das 29 espécies de aves que fazem ninhos na ilha.

A população de ratos na Ilha Marion é estimada em até 1 milhão de indivíduos.

Plano prevê uso de helicópteros em 2028
Para eliminar os ratos, a BirdLife South Africa e o governo sul-africano criaram o projeto Mouse-Free Marion. A iniciativa prevê a distribuição de iscas envenenadas por helicópteros guiados por GPS durante o inverno de 2028.

Testes preliminares estão previstos para o próximo ano.

A operação tem custo estimado de US$ 25 milhões (R$ 127 milhões), com financiamento do governo sul-africano e de doações internacionais. Até o momento, 60% do valor necessário já foi obtido.

“Temos que nos livrar de cada último rato. Se restar um único casal, eles podem se reproduzir e voltar a causar danos”, afirmou Mark Anderson, CEO da BirdLife South Africa.

Classificação Indicativa: Livre

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