
Há 40 anos, morria em Paris o lendário vocalista do the Doors, Jim Morrison. Quatro décadas depois da sua morte, fãs continuam prestando homenagens ao ídolo no cemitério parisiense do Père-Lachaise, onde está enterrado.
Com camisetas de Morrison e do The Doors, as pessoas se reuniram neste domingo (3) ao redor do túmulo do cantor que morreu no dia 3 de julho de 1971 aos 27 anos vítima de parada cardíaca na banheirade sua residencia. Como não foram encontrados vestígios de ação criminosa, o corpo não foi autopsiado, mas as circunstâncias misteriosas em que morreu fomentaram sempre muita discussão. Parada cardíaca? Overdose? Complô de CIA? Encenação? Afinal de contas quais foram as causas da morte do "Rei do Lagarto"? O mistério continua.
O artista é ainda hoje considerado como um dos mais carismáticos vocalistas de todos os tempos, em larga medida devido à sua personalidade teatral, e consta no número 47 da lista dos 100 Melhores Cantores de Sempre elaborada pela revista “Rolling Stone”.
Para Morrison, um dos eventos mais importantes da sua vida aconteceu em 1947, então com quatro anos, durante uma viagem de família ao Novo México, que ele assim descreveu:
" A primeira vez que descobri a morte… eu, os meus pais e os meus avós, íamos de automóvel no meio do deserto ao amanhecer. Um caminhão carregado de índios, tinha chocado com outra viatura e havia índios espalhados por toda a auto-estrada, sangrando. Eu era apenas uma criança e fui obrigado a ficar dentro do automóvel enquanto os meus pais foram ver o que se passava. Não consegui ver nada – para mim era apenas tinta vermelha esquisita e pessoas deitadas no chão, mas sentia que alguma coisa se tinha passado, porque conseguia perceber a vibração das pessoas à minha volta, então de repente apercebi-me que elas não sabiam mais do que eu sobre o que tinha acontecido. Esta foi a primeira vez que senti medo… e eu penso que nessa altura as almas daqueles índios mortos – talvez de um ou dois deles – andavam a correr e aos pulos e vieram parar à minha alma, e eu, apenas como uma esponja, ali sentado a absorvê-las".