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Delator diz que presidente do Peru recebeu da Odebrecht

Joaquin Sarmiento / AFP
Keiko Fujimori e outros três ex-presidentes também foram beneficiados, diz Jorge Barata; eles negam  |   Bnews - Divulgação Joaquin Sarmiento / AFP

Publicado em 02/03/2018, às 08h23   Folhapress



O ex-dirigente da empreiteira Odebrecht no Peru Jorge Barata afirmou ao Ministério Público que a construtora fez repasses em caixa dois para campanhas eleitorais do atual presidente peruano Pedro Pablo Kuczynski, de outros três ex-chefes do Executivo do país e da líder opositora Keiko Fujimori.

De acordo com Barata, que ocupou o cargo de diretor-superintendente da Odebrecht no Peru, a campanha de Kuczynski recebeu US$ 300 mil da empresa no ano de 2011, quando ele ficou em terceiro lugar no pleito presidencial.

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Também nas eleições de 2011, teriam sido beneficiários de recursos ilegais as campanhas do vencedor, Ollanta Humala (US$ 3 milhões), de Keiko Fujimori (US$ 1,2 milhões) e do ex-presidente Alejandro Toledo (US$ 700 mil).

Ocorreu ainda financiamento eleitoral ilícito para o ex-presidente Alan García quando ele venceu a eleição, em 2006, no valor de US$ 200 mil, segundo Barata.

O ex-dirigente da Odebrecht no Peru prestou depoimento na terça (27) e na quarta-feira (28) na Procuradoria Regional da República em São Paulo, no âmbito de uma cooperação jurídica internacional entre as autoridades peruanas e brasileiras.

Na terça, o executivo falou do suposto repasse a Humala, preso sob a suspeita de ter usado valores recebidos da Odebrecht para fim pessoal.

O criminalista Leonardo Massud, brasileiro integrante da equipe de advogados de Humala, afirmou que a defesa do ex-presidente peruano foi prejudicada em razão de o Ministério Público brasileiro não ter permitido acesso à delação premiada de executivos da Odebrecht, entre eles Barata, relacionada a crimes ocorridos no Peru. O processo está sob sigilo no STF (Supremo Tribunal Federal).

De acordo com o advogado peruano Cézar Nakazaki, os valores citados por Barata nunca chegaram a Humala.

Na quarta, o executivo relatou os repasses a Kuczynski, Toledo, García e Keiko.

Em uma conta em uma rede social, o presidente peruano negou ter recebido doações da empreiteira. Keiko também rejeitou a suspeita.

Em dezembro, PPK, como é conhecido, foi alvo de um processo de remoção do cargo no Congresso após a revelação de que uma empresa dele recebeu valores da Odebrecht, mas sobreviveu à votação.

O criminalista Carlos Kauffmann, defensor de Barata, disse que os repasses não tiveram ligação com atos de corrupção ou favorecimentos à Odebrecht. "As contribuições realizadas não tiveram contrapartidas", disse.

Em nota, a Odebrecht afirmou que está colaborando com as autoridades dos países em que atua e "já reconheceu os seus erros, pediu desculpas públicas e está comprometida a combater e não tolerar a corrupção em quaisquer de suas formas".

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