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Publicado em 13/09/2024, às 07h02 Redação
Pesquisadores de filosofia africana, Jonathan Okeke Chimakonam, professor associado do Departamento de Filosofia da Universidade de Pretória (África do Sul), e Uti O. Egbai, professor associado no Departamento de Filosofia da Universidade de Calabar (Nigéria), questionam a origem do nome "África", argumentando que ele foi imposto por exploradores europeus e é uma injúria racial.
A palavra deriva do grego aphrike (sem frio) e do latim aprica (ensolarado), referências ao clima e não aos povos nativos, o que, segundo os estudiosos, desconsidera a cultura e a história local.
Chimakonam e seu coautor destacam que nomes atribuídos por colonizadores muitas vezes carregam insultos raciais, como aethiops, que significa "rostos queimados pelo sol", referindo-se à cor da pele dos africanos. Eles argumentam que a categorização de pessoas por cor de pele é uma prática racista, consolidada pela ciência racista nos séculos XVIII e XIX, que estabeleceu hierarquias raciais para justificar escravidão e opressão.
Os filósofos defendem que o continente seja renomeado, como ocorreu com países africanos após a independência. Eles sugerem o nome Anaesia, baseado em palavras da língua Igbo, que significa "terra de origem", refletindo a importância histórica da África como o berço da humanidade.
"Acreditamos que é uma coisa hedionda um continente inteiro ser chamado por uma calúnia. Muitos países da África, como Zâmbia (Rodésia do Norte), Zimbábue (Rodésia do Sul), Burkina Faso (Alto Volta), Gana (Costa do Ouro), mudaram seus nomes após a independência política porque eram alcunhas que rebaixavam sua cultura e negavam suas realizações como civilizações.
Argumentamos que é isso que o continente também deve fazer. Neste caso, é ainda mais pertinente porque o nome África tem alguns cognatos (nomes que têm a mesma natureza ou origem semelhante) realmente terríveis, como aethiops e black (negro), que são a base da moderna segregação racial antiafricana nos Estados Unidos, do apartheid na África do Sul e da contínua subjugação racial em outras partes do mundo.
Em nosso artigo de pesquisa, propusemos pensar em um nome como Anaesia - derivado de duas palavras Igbo-Africanas, ana e esi, que significam terra ou local de origem - como um substituto para o nome África. Um nome como Anaesia fala aos fatos da história sobre o continente como o primeiro lar de todos os seres humanos e onde a primeira língua humana foi falada", disse Chimakonam.
O debate levanta reflexões sobre a história e as consequências do colonialismo e racismo no imaginário global. As informações são do site The Conversation Brasil.
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