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Apresentadores 'de mentira' levarão as principais notícias da Venezuela para todo o país; entenda

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Apresentadores são criados por IA para evitar perseguição do governo  |   Bnews - Divulgação Reprodução
Lucas Pacheco

por Lucas Pacheco

lucas.pacheco@bnews.com.br

Publicado em 03/09/2024, às 09h37



"El Pana" (gíria venezuelana para "amigo") e "La Chama" (ou "a garota") são os mais novos âncoras televisivos da Venezuela e que terão a missão de deixar a população do país informada com os principais fatos e acontecimentos do dia. Mas, o que tem demais nisso?

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Bom, eles não são reais. Os dois têm características humanas muito fortes, falam e se mexem normalmente, mas foram gerados por meio de inteligência artificial, como parte da iniciativa "Operação Retuíte", da organização Connectas, com sede na Colômbia.

Mas por que criar apresentadores 'de  mentira'? Exatamente porque eles irão diariamente publicizar notícias produzidas por veículos de imprensa independentes da Venezuela, que são perseguidos pelo governo do país, sendo necessário proteger os repórteres. 

"Decidimos usar inteligência artificial para ser o ‘rosto’ da informação que estamos publicando”,  afirmou Carlos Huertas, diretor do projeto, ao G1. 

Ainda segundo ele, "usar inteligência artificial aqui é quase uma mistura entre tecnologia e jornalismo” para “driblar o aumento da perseguição”, já que não haverá jornalista 'real' para ser preso. 

Perseguição

Cerca de 10 jornalistas já foram presos desde junho. Oito continuam na prisão acusados de terrorismo e outros crimes, de acordo com Repórteres Sem Fronteiras, em uma estratégia do governo para acabar com as manifestações e conlitos relacionados ao resultado das eleições presidenciais. Nicolás Maduro e oposição alegam ter vencido o pleito de 28 de julho.

Nem Ministro das Comunicações venezuelano e nem nenhuma outra autoridade do país se manifestaram sobre o projeto da organização Connectas ou sobre a prisão de jornalistas.  

Desde o início dos protestos, após as eleições, 27 pessoas foram mortas e 2,4 mil  opositores, manifestantes e jornalistas foram presos. 

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