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por Antonio Dilson Neto
Publicado em 10/06/2026, às 15h49
O cônego Alberto Montealegre Vieira Neves, sacerdote da Arquidiocese de São Salvador da Bahia, foi nomeado oficialmente como novo oficial da Sessão Disciplinar do Dicastério para a Doutrina da Fé. A nomeação o insere diretamente na engrenagem mais sensível da Cúria Romana, um organismo frequentemente referido no meio eclesial como o “Tribunal do Papa”.
A Sessão Disciplinar atua sob o comando direto do Papa Leão XIV, e funciona como um tribunal penal de exceção para julgar os chamados “delitos reservados”, os crimes considerados mais graves dentro do ordenamento jurídico católico.
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Dentre as competências do departamento, estão os processos canônicos de denúncias de abusos sexuais cometidos contra menores de idade e pessoas vulneráveis. O tribunal também detém a exclusividade sobre julgamentos de delitos de sacrilégio contra a Santíssima Eucaristia, violações do sigilo do sacramento da Penitência (confissão) e desvios graves ligados ao sacramento da Ordem.
Com as reformas recentes promovidas no Direito Canônico, a jurisdição do órgão não se limita mais apenas aos padres e bispos. Fiéis leigos e membros de ordens de vida consagrada também respondem ao tribunal.
Na sua nova função, que tem um mandato inicial fixado em cinco anos, o cônego Alberto terá a missão estratégica de relatar e conduzir os processos penais secretos provenientes de países que integram a comunidade de língua portuguesa.
Irei colaborar com o Romano Pontífice, o Papa Leão XIV, na matéria que é tratada neste Dicastério da Doutrina da Fé, nesta sessão que trata dos chamados delitos reservados. Entre os delitos reservados está aquele mais grave, que é o abuso de menores e de pessoas vulneráveis por parte de clérigos e por parte também de fiéis da vida consagrada", explicou o cônego Alberto, reforçando o compromisso com a transparência e a justiça.
Para o sacerdote soteropolitano, a atuação firme da estrutura disciplinar do Vaticano é indispensável para preservar a própria integridade moral da Igreja no mundo contemporâneo. Ele defende que a celeridade na punição de desvios é uma forma de proteger os vulneráveis e curar feridas institucionais históricas.
A Igreja sempre pede e quer uma celeridade no tratamento desses casos para que a justiça realmente seja cumprida e que assim o bem comum da Igreja, que é a fé anunciada, testemunhada e celebrada, não venha a ser ferida e não venha a ser lesada por causa de comportamentos contrários ao Evangelho", pontuou o clérigo em entrevista.
Ao se despedir da capital baiana rumo ao Vaticano, o Cônego pediu aos fiéis baianos que mantenham orações direcionadas ao novo trabalho.
Levo comigo a representatividade da Sé Primacial do Brasil. Peço as orações de todos os fiéis da nossa Arquidiocese para este âmbito tão difícil e tão delicado para a vida da Igreja”, concluído.
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