Mundo
por Leonardo Oliveira
Publicado em 02/07/2025, às 13h13
Imagine um enorme complexo beira-mar, com capacidade para acomodar quase 20 mil pessoas, com infraestrutura moderna, espaço para banhistas tomarem sol, praticarem esportes e aproveitarem shows e entretenimento, com serviços de buffet e alimentação.
O espaço existe e foi inaugurado recentemente, no dia 24 de junho, pelo líder norte-coreano Kim Jong-un. Trata-se doresort costeiro de Wonsan-Kalma. O complexo possui dois hóteis (Kalma Moranbong e Myongsasimni) e um parque aquático. No entanto, as autoridades de Pyongyang ainda fazem mistério a respeito dos detalhes das acomodações e confortos oferecidos.
Durante a inauguração, Kim Jong-un anunciou que o resort na chamada Área Turística Costeira de Wonsan-Kalma é apenas "o primeiro passo" de uma política de desenvolvimento de "turismo cultural" na Coreia do Norte, que incluirá a construção de outros resorts em diferentes regiões do país "o mais rápido possível, com base nos sucessos e experiências ganhos no desenvolvimento da península de Kalma".
Turismo para quem?
"O alvo inicial para este resort será a privilegiada elite doméstica de Pyongyang, como oficiais do partido e outras figuras de alto escalão. A cerimônia em Wonsan-Kalma reflete a visão de Kim Jong-un de uma 'civilização socialista' e é parte de seu esforço estratégico de buscar saídas econômicas através da indústria do turismo", explicou à CNN o professor Lim-Eul-Chul, que ensina estudos norte-coreanos na Universidade Kyungnam, da Coreia do Sul.
O líder norte-coreano falou em seu discurso que acredita que este é um "resort turístico de nível mundial", mesmo não tendo sido divulgada ainda uma data oficial para a recepção de hóspedes estrangeiros. A KCNA destacou, contudo, que o embaixador e funcionários da Embaixada da Rússia na Coreia do Norte estavam presentes na festa de inauguração como "convidados especiais".
A agência de turismo russa de Vladivostok, A Vostok Intur, apresenta três pacotes de passeios por Wonsan-Kalma, um em julho e dois em agosto, com valor em torno de US$ 1.840 (R$ 10.080), segundo a rede americana CNN. O primeiro tour pela área turística norte-coreana estaria marcado para 7 de julho e duraria oito dias, quatro em Wonsan e quatro no Masikryong Ski Resort, inaugurado em 2013.
Controle e monitoramento
De acordo com a CNN, as experiências turísticas seriam altamente monitoradas e controladas pelo governo norte-coreano. No ano passado, pequenos grupos de turistas russos já haviam visitado Masikryong para esquiar por três dias.
Há décadas, o turismo na Coreia do Norte é restrito e supervisionado pelo governo, com cerca de 5.000 ocidentais visitando o país a cada ano antes da pandemia. Cerca de 20% desses turistas eram norte-americanos. No entanto, após a prisão e morte do estudante Otto Warmbier, que morreu após ser repatriado aos Estados Unidos, Washington proibiu viagens ao país.
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No entanto, após a covid-19, visitar o país asiático se tornou ainda mais difícil. O país fechou totalmente suas fronteiras naquela época e não retirou as restrições até a metade de 2023.
Os primeiros turistas estrangeiros, os russos, só chegaram quase um ano depois. Após os russos, os chineses são os visitantes internacionais mais comuns por lá. As nacionalidades têm a ver com as simpatias políticas entre seus países.
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