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COPA EM RISCO? ONG diz que ICE usa futebol para "caçar" imigrantes e acende alerta para Mundial

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ONG pede que a FIFA proíba ações de imigração durante a Copa do Mundo e não compartilhe dados do público.  |   Bnews - Divulgação Reprodução/Carol Guzy
Daniel Serrano

por Daniel Serrano

daniel.serrano@bnews.com.br

Publicado em 13/06/2026, às 07h50 - Atualizado às 07h50



Os jogos de futebol nos Estados Unidos se tornaram, nos últimos anos, um dos principais alvos de operações do Serviço de Imigração e Alfândega do país, o ICE, para “caçar” imigrantes. Os agentes têm monitorado desde treinos de base a grandes eventos esportivos. As informações são de um relatório produzido pela organização norte-americana Human Rights Soccer Alliance.

De acordo com o documento, desde o início das operações de rua em 2025, ao menos 17 pessoas ligadas ao futebol (entre atletas, treinadores e familiares) foram detidas por agentes do ICE. Alguns casos resultaram em deportação.

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No relatório, a ONG diz que os eventos ligados ao futebol vêm sendo usado pelo ICE pelo fato de o esporte ser um dos mais praticados pelas comunidades latino-americanas, já que os estadunidenses costumam preferir o futebol americano. Com isso, a Human Rights Soccer Alliance tem que a os agentes de imigração use as partidas da Copa do Mundo para seguir com as detenções.

"O futebol nos Estados Unidos está profundamente enraizado nas comunidades imigrantes. Por gerações, serviu como um espaço de pertencimento e expressão cultural. No entanto, (...) as ações de fiscalização se estenderam a espaços centrais do futebol, incluindo escolas, parques, centros comunitários e instalações esportivas", diz o documento.

Os agentes do ICE não foram orientados a evitar prisões em partidas da Copa, além de ter qualquer orientação para evitar realizar as operações nos estádios. Por isso, a ONG usou o relatório para pedir que:

  • A FIFA garanta a proibição da aplicação da política anti-imigração do governo Trump "em todos os locais da Copa do Mundo e em seus arredores";
  • a FIFA não compartilhe dados do público com autoridades de imigração;
  • equipes não cooperem com autoridades de imigração, exceto em caso de mandado judicial.

O relatório ainda chamou a atenção para as cidades dos EUA que receberão as partidas da Copa. Com base em dados do próprio governo estadunidense, entre 20 de janeiro de 2025, quando Donald Trump tomou posse como presidente, a 15 de outubro de 2025, o ICE prendeu 92.392 pessoas nos municípios que sediarão os jogos.  Segundo a ONG, o número supera a média registrada em outras regiões do país, o que acende o alerta para possíveis ações durante o Mundial.

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