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Um homem foi descoberto ao utilizar um “advogado” gerado por inteligência artificial (IA) para representá-lo em um tribunal de apelações de Nova York, nos Estados Unidos. A juíza Sallie Manzanet-Daniels interrompeu a audiência ao perceber que o participante não era humano, mas sim um avatar digital criado para apresentar argumentos em um processo trabalhista.
O episódio aconteceu no dia 26 de março e foi capturado em uma transmissão ao vivo exibida pelo próprio tribunal no YouTube. Jerome Dewald, um empresário de 74 anos sem formação jurídica, foi o responsável pela tentativa.
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Ele, que move uma ação trabalhista e atua como seu próprio representante, enviou um vídeo ao tribunal no qual um jovem de aparência impecável, com camisa social, suéter e penteado perfeito, aparecia na tela.
“Que o tribunal me permita falar”, diz o avatar no começo do discurso. “Venho aqui humildemente para apresentar meu argumento diante de um painel de cinco juízes”. A apresentação durou poucos segundos. “Ok, espere um pouco. Esse é o advogado do caso?”, questionou a juíza. Dewald, então, admitiu: “Fui eu que gerei isso. Essa pessoa não é real”.
Diante da revelação, a juíza ordenou que o vídeo fosse desligado e repreendeu o autor. “Seria bom saber disso quando você fez sua solicitação. Você não me informou, senhor”, diz. “Eu não gosto de ser enganada”.
Dewald disse à agência de notícias AP que decidiu usar a tecnologia porque tem dificuldades para se expressar em audiências. “Minha voz frequentemente falhava sob pressão. Achei que isso poderia ajudar”, justificou.
Ele pediu permissão ao tribunal para exibir um vídeo pré-gravado e utilizou um software de uma empresa de tecnologia para criar o avatar. Inicialmente, a ideia era fazer uma réplica digital de si mesmo, mas problemas técnicos o levaram a optar por uma figura genérica.
Após o incidente, Dewald enviou uma carta de desculpas ao tribunal. “Minha intenção nunca foi enganar, mas sim apresentar meus argumentos da maneira mais eficiente possível. Reconheço que a transparência deve sempre ter precedência”, escreveu, segundo o jornal britânico The Independent.
Apesar do constrangimento, ele ainda continuou a defesa no tribunal de forma tradicional, lendo lentamente os argumentos no celular, com pausas frequentes. O caso permanece pendente na Justiça.
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