O Exército de Israel jogou bombas contendo fósforo branco em regiões habitadas do sul do Líbado durante operações militares, concluiu o jornal americano The New York Times. A análise foi feita a partir da verificação de vídeos, fotografias e depoimentos de especialisas consultados pelo jornal.
O material analisado pelo NYT mostra alguns rastros característicos da substância nas regiões de Tiro, Qlayaa, Khiam e Yohmor.
Um dos vídeos, divulgado pela
Al Jazeera no fim de maio, mostra uma ação na região de Nabatieh, onde vivem cerca de 40 mil pessoas.
Segundo especialistas ouvidos pelo
New York Times, os vídeos mostram indícios compatíveis com projéteis de artilharia M825A1, fabricados nos Estados Unidos.
Esse tipo de munição dispersa fósforo branco no ar para criar barreiras de fumaça utilizadas em operações militares. Embora possa ser empregado para ocultar movimentações de tropas, o material também apresenta riscos quando utilizado próximo a áreas habitadas
O fósforo branco entra em combustão ao entrar em contato com o oxigênio, produzindo intensa fumaça e calor. Embora não seja uma substância proibida pelo direito internacional quando utilizada para fins de sinalização ou criação de cortinas de fumaça, as leis de guerra vetam seu uso deliberado contra civis ou em áreas urbanas devido aos danos físicos severos.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) aponta que o componente causa queimaduras profundas que podem atingir os ossos, além de danos respiratórios e falência de órgãos se inalado.
O Exército de Israel (IDF) foi procurado pelo NYT e não comentou os incidentes específicos em Nabatieh e Tiro, mas afirmaram que seus procedimentos internos proíbem o uso dos projéteis em áreas povoadas, mas indicaram que há exceções.
A nota declara ainda que o uso de munições de fósforo branco pelas forças israelenses tem como objetivo a criação de fumaça para camuflagem, e não o ataque a alvos ou o início de incêndios.