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O editor-chefe da revista americana "The Atlantic", Jeffrey Goldberg, foi incluído sem querer em um grupo de mensagens do governo Trump que compartilhou informações ultrassecretas, que anteciparam planos de guerra contra os rebeldes Houthis, no Iêmen.
“Eu tinha várias dúvidas sobre se esse grupo era real”, contou Goldberg. Ele só acreditou de fato que estava recebendo mensagens do vice-presidente, JD Vance, e do secretário de Defesa, Pete Hegseth, quando as bombas começaram a cair no Iêmen. A Casa Branca confirmou que as mensagens eram autênticas.
O jornal "The New York Times" classificou o episódio como "uma falha extraordinária" de segurança.
Goldberg conta que a história começou em 11 de março, quando ele recebeu uma solicitação do aplicativo de mensagens Signal de um usuário identificado como Michael Waltz.
Mesmo as conversas tendo criptografia de ponta a ponta, o jornalista acreditava que a Casa Branca usasse um canal mais seguro para compartilhar informações sigilosas.
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Outra desconfiança surgiu da relação difícil entre o governo Trump e jornalistas da imprensa tradicional, que não faz parte do grupo de veículos militantes que defende o presidente abertamente.
"Eu não conseguia acreditar que a liderança da segurança nacional dos Estados Unidos iria comunicar no Signal sobre planos de guerra iminentes. Eu também não conseguia acreditar que o conselheiro de segurança nacional do presidente seria tão imprudente a ponto de incluir o editor-chefe do 'The Atlantic' em tais discussões com altos funcionários dos EUA, até e incluindo o vice-presidente", escreveu Goldberg.
JD Vance e Pete Hegseth passaram a discutir assuntos sensíveis sobre um bombardeio ao território do Iêmen. Aliados do Irã e do Hamas, os Houthis lançaram ataques para bloquear rotas marítimas no Mar Vermelho, causando prejuízos ao porto israelense de Eliat.
Em dado momento, JD Vance afirma: "Eu apenas odeio salvar a Europa de novo". A visão do governo Trump é que o continente europeu se beneficia das campanhas militares dos EUA no estrangeiro e não oferece contrapartidas suficientes a Washington.
"Eu compartilho totalmente do seu desprezo pelos aproveitadores europeus. É PATÉTICO", concordou Hegseth, em resposta. Veja o print:
No dia 15 de março, Goldberg afirmou que o secretário de Defesa postou no grupo diversas informações sobre alvos e detalhes operacionais sobre ataques aos Houthis. As mensagens não foram reproduzidas em seu artigo porque "as informações contidas neles, se tivessem sido lidas por um adversário dos Estados Unidos, poderiam ter colocado em risco militares e pessoal de inteligência americanos, particularmente no Oriente Médio".
O jornalista só acreditou que as mensagens vinham do primeiro escalão do governo Trump, no início da tarde, quando ele entrou na rede social X, verificou o que estava sendo dito sobre o Iêmen, e viu que bombardeios foram reportados na capital, Sanaa, no mesmo horário em que as mensagens de Hegseth apontava como o início da operação.
Segundo a "Atlantic", Michael Waltz e os integrantes do grupo podem ter violado diversas leis, incluindo a Lei de Espionagem de 1917, que pune quem coloca em risco as relações exteriores e informações sensíveis à segurança dos Estados Unidos.
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