Mundo
por Bruna Rocha
Publicado em 11/09/2025, às 10h07 - Atualizado às 10h13
Em meio à guerra no Nepal e à morte de mais de 20 pessoas desde a segunda-feira (8), filhos de nepobabys do país postam suas vidas exuberantes nas redes sociais. As manifestações ocorrem e são incitadas principalmente por jovens que acusam políticos de corrupção e os culpam pela situação de pobreza vivida na maior parte do país.
Nesta semana, o ministro de Finanças do país foi agredido e carregado semi-nu pelas ruas por manifestantes, e a esposa do ex-primeiro-ministro - que renunciou dias antes- foi queimada viva.
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Apesar disso, no TikTok, a hashtag #nepokids tem crescido nas redes sociais. Os posts, que mostram filhos e netos de políticos do Nepal em eventos luxuosos e vestindo roupas elegantes, sugerem, na visão dos denunciantes, que esses jovens se beneficiaram das conexões de suas famílias e os condenam, classificando-os como "hipócritas" em um país onde uma em cada cinco pessoas vive na pobreza.
"Milhares desses vídeos estão se tornando tendências no ecossistema digital do Nepal. O contraste entre o privilégio da elite e as dificuldades cotidianas tocaram profundamente a geração Z e rapidamente se tornou uma narrativa central que impulsionava o movimento", afirma Raqib Naik, diretor-executivo do Centro de Estudos do Ódio Organizado, um grupo de vigilância sediado em Washington que monitora o extremismo e a desinformação online no sul da Ásia, ao jornal "The New York Times".
Outro agravante foi o bloqueio das redes sociais, o que enfureceu ainda mais os manifestantes. Entre os conteúdos mais compartilhados estão vídeos de Sayuj Parajuli, filho do ex-presidente da Suprema Corte, posando em restaurantes sofisticados e ao lado de veículos de alto padrão, e imagens de Saugat Thapa, filho do ministro da Justiça, exibindo marcas como Louis Vuitton e Cartier. "Ostentando abertamente carros e relógios de luxo nas redes sociais. Já não estamos cansados deles?", diz a legenda de um dos vídeos postados.
Com a viralização de posts como esses, uma das exigências feitas pelos manifestantes, mesmo após a renúncia do primeiro-ministro, é a formação de uma comissão especial para investigar a origem da riqueza dos políticos do país, que eles acreditam vir da corrupção. A Transparência Internacional, uma organização sem fins lucrativos, já classificou o Nepal como um dos países mais corruptos.
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