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Quem é Natalie Harp, a assessora que acompanha Trump até em missões de emergência

Campanha à Presidência de Donald Trump
Natalie Harp acompanha o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, desde a campanha  |   Bnews - Divulgação Campanha à Presidência de Donald Trump
Redação Bnews

por Redação Bnews

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Publicado em 20/08/2026, às 23h27



Discreta diante das câmeras, mas quase sempre ao lado do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, Natalie Harp tornou-se uma das figuras mais influentes e peculiares da atual estrutura da Casa Branca. Aos 35 anos, a assessora trabalha praticamente sem folgas, acompanha o republicano no Salão Oval e no helicóptero presidencial Marine One, troca mensagens com líderes internacionais em nome dele e participa até da elaboração de publicações para as redes sociais.

A proximidade ganhou ainda mais atenção depois que Harp apareceu entre as poucas pessoas que acompanharam Trump durante uma operação de emergência para retirar o presidente da Turquia diante da ameaça de um ataque iraniano. Ela também entrou no centro da disputa política após o senador democrata Jon Ossoff, da Geórgia, atacar o presidente e afirmar que ele preferia construir seu salão de festas e "viajar com Natalie" a trabalhar. A declaração provocou uma reação em massa de aliados de Trump nas redes sociais.

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Segundo o The New York Times, Harp exerce uma função que vai muito além das atribuições tradicionais de uma assistente. Ela atua como uma espécie de guardiã do acesso ao presidente e mantém Trump abastecido com informações encontradas principalmente nas redes sociais. A assessora ganhou entre colegas o apelido de "impressora humana", já que circula com uma impressora portátil para entregar ao presidente conteúdos em papel.

Essa proximidade também gera incômodo entre integrantes do governo. De acordo com pessoas ouvidas pelo jornal, parte do material levado por Harp ao presidente é considerada tóxica ou contraproducente por outros assessores. Ela teria fornecido, por exemplo, o conteúdo de um vídeo posteriormente publicado por Trump que retratava Barack e Michelle Obama como macacos. Harp também sustenta a alegação de Trump de que ele teria vencido a eleição presidencial de 2020, oficialmente vencida por Joe Biden.

A lealdade da assessora é apontada como uma das principais razões para a confiança depositada nela pelo republicano. No livro Regime Change, dos jornalistas Maggie Haberman e Jonathan Swan, Trump é descrito dizendo a pessoas próximas que Harp seria a única pessoa, além da mulher e dos filhos, que o amaria daquela maneira. Enquanto outros funcionários poderiam deixar o governo em busca de dinheiro, segundo essa avaliação atribuída ao presidente, ela jamais o abandonaria.

Na Casa Branca, Harp ocupa formalmente os cargos de assistente especial e assistente executiva do presidente e recebe salário anual de US$ 150 mil, cerca de R$ 775 mil. A secretária de Imprensa Karoline Leavitt a definiu como "uma das assessoras mais leais e trabalhadoras da equipe do presidente Trump". Algumas demonstrações dessa dedicação, entretanto, teriam causado desconforto entre colegas.

Vídeos obtidos pelo New York Times, por exemplo, mostram Harp correndo por longas distâncias para acompanhar o carrinho de golfe de Trump durante uma passagem pela Escócia. Em uma carta dirigida ao presidente, ela chegou a pedir desculpas caso tivesse causado constrangimento ao caminhar pelo campo e relatou que estava tão envolvida com o trabalho que vinha se esquecendo de comer e dormindo apenas algumas horas. A mensagem terminava com a frase: "De todo o meu coração, Natalie".

Nascida e criada na Califórnia, Harp já demonstrava interesse por presidentes dos Estados Unidos na adolescência, segundo relato de seu irmão à CNN. A relação com Trump, porém, começou anos depois e está diretamente ligada a um episódio pessoal. Harp afirma ter enfrentado um câncer ósseo e atribui a uma legislação sancionada pelo republicano em 2018, que ampliou o acesso de pacientes a tratamentos experimentais, um papel decisivo para que permanecesse viva.

A história chamou a atenção de Trump em 2019, quando Harp relatou sua experiência na Fox News. O republicano passou a manter contato com ela e posteriormente a convidou para discursar na Convenção Nacional Republicana de 2020. Nos dois anos seguintes, Harp trabalhou como apresentadora da emissora conservadora One America News Network, onde reproduziu as alegações de Trump sobre fraude na eleição de 2020. Em 2022, ela passou a integrar diretamente a equipe do republicano.

A trajetória também aparece no documentário Art of the Surge, produzido durante a campanha presidencial de 2024. Harp conta que não tinha interesse anterior por política, mas começou a acompanhar os debates republicanos durante o tratamento contra o câncer e se identificou com Trump. "Eu tinha câncer e ele salvou minha vida, assinou aquela lei", afirmou. De admiradora e apoiadora, Harp tornou-se uma das pessoas com maior acesso cotidiano ao presidente, ocupando hoje uma posição singular no círculo mais próximo de Trump.

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