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"Revolta das Baratas": Crise derruba ministro da Educação após onda de protestos estudantis

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Fraudes em exame nacional de medicina prestado por mais de 2 milhões de candidatos revolta estudantes e abala governo na Índia  |   Bnews - Divulgação Reprodução / Redes Sociais
Cibele Gentil

por Cibele Gentil

Publicado em 25/07/2026, às 14h07 - Atualizado às 16h34



O ministro da Educação da Índia, Dharmendra Pradhan, renunciou ao cargo neste sábado (25). A decisão aconteceu após crise gerada em torno de denúncias de fraudes, pressão e protestos estudantis.

A saída de Pradhan representa o maior sobressalto político enfrentado pelo primeiro-ministro Narendra Modi desde sua reeleição. A queda do ministro também foi encarada como a maior vitória até agora da “Revolta das Baratas”, movimento jovem que nasceu na internet e tomou o país.

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A decisão foi anunciada poucas horas antes de uma reunião agendada entre a cúpula do governo e lideranças da mobilização. Em publicação através das redes sociais, Pradhan justificou a entrega do cargo alegando a necessidade de preservar a unidade nacional e permitir que os jovens voltem a focar nas carreiras.

Exame nacional de medicina e o Partido das Baratas

A crise teve início em maio, após a denúncia de fraudes em um exame nacional de medicina prestado por mais de 2 milhões de candidatos. O cancelamento da prova e o impacto psicológico da fraude teriam levado cerca de 20 estudantes ao suicídio.

Os fatos desencadearam em um forte sentimento de indignação no país, onde os jovens encaram a enorme concorrência e a falta de oportunidades no mercado de trabalho. O chamado “Partido Popular das Baratas”, grupo surgido através das redes sociais, apropriou-se de forma provocativa uma declaração do presidente da Suprema Corte, Surya Kant, que comparou desempregados a insetos.

O termo virou símbolo de contestação e acumulou dezenas de milhões de seguidores, transformando a insatisfação virtual em uma força de mobilização política real. No início, o movimento buscava a punição aos responsáveis pelas irregularidades nos exames. Depois, acabou expandindo a pauta, denunciar o desemprego juvenil, o alto custo de vida e a condução política do primeiro-ministro.

Bombas de gás e internet bloqueada

Na última segunda-feira (20), durante uma marcha estudantil rumo ao Parlamento, a polícia usou bombas de gás e cassetetes para barrar os manifestantes. Segundo fontes oficiais, os confrontos deixaram pelo menos 180 feridos. No entanto, os organizadores estimam que o número de ferido chegue a centenas. A repressão, em vez de conter, acabou por intensificar as manifestações.

As autoridades chegaram a determinar o bloqueio do acesso à internet em partes da capital e o fechamento de 18 estações de metrô neste sábado. Mesmo assim, o governo não conseguiu conter a pressão, culminando na queda de Dharmendra Pradhan.

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