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O renomado Noma, considerado durante anos um dos melhores restaurantes do planeta, voltou ao centro de uma polêmica após relatos de abusos envolvendo o chef fundador René Redzepi. Ex-funcionários afirmam ter sido vítimas de violência física, gritos e humilhações dentro da cozinha da casa dinamarquesa.
As acusações vieram à tona após uma investigação do The New York Times baseada em depoimentos de dezenas de ex-integrantes da equipe. Segundo os relatos, o ambiente de trabalho era marcado por pressão extrema e punições físicas ou psicológicas para quem cometesse erros.
Um dos episódios mais citados ocorreu em 2014, quando o chef teria reunido funcionários do lado de fora do restaurante para repreender publicamente um colega. Há relatos de que um sous-chef chegou a ser agredido diante de outros membros da equipe, em uma situação descrita por ex-funcionários como humilhante.
Alguns ex-cozinheiros afirmam que a rotina no restaurante era marcada por um clima constante de medo. Uma ex-funcionária relatou que ir trabalhar no Noma "era como ir para a guerra", tamanha a tensão e o receio de cometer falhas.
Além das agressões verbais e físicas, as denúncias também citam pressão psicológica, intimidação e jornadas exaustivas, apontando para uma cultura de trabalho considerada tóxica dentro da cozinha do restaurante.
Diante das acusações, René Redzepi reconheceu que teve comportamentos inadequados ao longo da carreira. Em entrevistas e textos anteriores, o chef já afirmou que foi "um valentão durante grande parte da carreira", admitindo episódios de gritos e empurrões dentro da cozinha.
Após as novas denúncias, ele afirmou assumir responsabilidade por parte das atitudes e disse ter buscado mudanças ao longo dos últimos anos, incluindo terapia e ajustes na forma de liderança.
Fundado em 2003, o Noma revolucionou a culinária contemporânea com a chamada "nova cozinha nórdica" e chegou a ser eleito o melhor restaurante do mundo cinco vezes em rankings internacionais.
Apesar do prestígio e da influência global, as revelações reacenderam um debate antigo sobre condições de trabalho em restaurantes de alta gastronomia, onde jornadas longas, pressão intensa e hierarquias rígidas são frequentemente apontadas como parte da cultura da cozinha profissional.
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