Colunas / Na Sombra do Poder
Publicado em 26/02/2026, às 06h00 Editoria de Política
Bonde das Loirinhas
Um grupo de platinadas da classe média soteropolitana virou o pesadelo das famílias de empresários, empreiteiros, agentes do axé, advogados graúdos e médicos que posam de celebridade local. Elas chegam sorrateiras: passeios de lancha com convite casual, jantares em restaurantes que aceitam cartão black ou voos separados de São Paulo, mas sempre com uma chegada discreta. Depois de 15 a 20 dias de paquera calculada, a mordida vem com força cirúrgica. Camarotes de luxo no Carnaval da Sapucaí, bolsas Hermès de R$ 40 mil que aparecem nas stories como se fossem presente de aniversário, saltos Christian Louboutin de sola vermelha. Uma delas já ostenta quatro pares, cada um valendo quase R$ 8 mil. A vítima mais recente, em contato com a coluna NSP, confessou que a dentada foi tão profunda que precisou diluir cotas com o sócio para respirar. A NSP alerta: segurem as carteiras, a tropa tá na rua, o bonde não freia e a loirinha já escolheu a próxima vítima.
A Ilha Tem o Molho
Itaparica, cercada de águas quentes cristalinas que parecem lavar pecados (mas nunca lavam mesmo), guarda um molho especial que não vem de receita de moqueca. Por lá, cachês milionários de shows, obras de vento que giram mais que promessa de político e combustíveis de Dubai viraram rotina tão comum quanto o sol nascendo. Uma dinastia se formou na ilha — bastão passado de mão em mão, geração após geração, com o mesmo sorriso discreto e o mesmo endereço nobre. Mas o que realmente atormenta a cabeça dos maridos soteropolitanos não é o dinheiro que circula como brisa: é o famoso Don Juan da Penha. Dizem que ele não cobra cachê, mas cobra em espécie: segredos, favores, portas abertas para negócios que ninguém explica. A dinastia sorri de canto, os maridos rangem os dentes, e a ilha continua rodando seu molho — quente, viscoso e impossível de lavar.

Overclean na Família Addams
Uma famosa família de empreiteiros antigos, com mais de 40 anos mandando na região metropolitana e na capital baiana, virou a própria Família Addams versão 2026. Antes, o terror era deles: contratos que se arrastavam, aditivos que se multiplicavam como mágica e um império construído em concreto e favores. Agora, o pesadelo é outro. A Overclean, essa operação que está varrendo a Codesvasf e o Dnocs, vai fazer uma faxina pesada na Família Addams, que não dorme mais: escondem-se debaixo da cama, dentro de velhos armários no Litoral Norte, aquelas casas que ninguém declarava antigamente, rezando para que os mandados não cheguem antes do café da manhã. Tem filho que está apagando stories de “vida normal” em Praia do Forte, mas os pais já contam os dias para o próximo bloqueio de bens. O que era orgulho de “família tradicional” virou meme nos grupos de WhatsApp. A Overclean não perdoa Addams e o concreto aguenta tudo… menos a PF.

Deputado Brokeback Mountain
No interior baiano um antigo parlamentar, daqueles que ainda desfilam chapéu de feltro e botas de couro, tem fama de cavalgar seu alazão com a pose de dono do pedaço. Sempre acompanhado do fiel assessor, o homem percorre vilarejos, fazendas e comitês como quem inspeciona feudo próprio. No último fim de semana, porém, a dupla protagonizou uma cena pitoresca. Dizem que, em uma fazenda isolada o deputado e o assessor foram vistos em uma interação tão íntima que as testemunhas só conseguiram comparar com “aquela” cena icônica de Brokeback Mountain: fogueira crepitando, olhares longos, mãos que demoram demais no ombro, e um silêncio que dizia tudo o que as palavras evitavam. A fofoca correu mais rápido que o alazão: “Foi igualzinho ao filme, mas com chapéu de vaqueiro e sotaque de vaquejada”. Uns riem, outros fingem choque, mas ninguém duvida que o assessor agora carrega um apelido novo nos corredores do legislativo: “Ennis Del Sertão”.

Faroeste: A Gigante Acordou
Várias operações policiais pipocaram na Bahia desbaratando quadrilhas, prendendo figurões, apreendendo bens e enchendo as manchetes, levando muita gente a decretar a Faroeste como gigante adormecida. Empresários respiram aliviados, advogados ajustam a gravata, juízes folheiam autos com calma. Ledo engano. Cada busca, cada prisão, cada delação, cada movimento nos bastidores do sistema judicial alimenta a gigante adormecida. Mandados que pareciam isolados voltam como fios soltos que puxam o novelo inteiro. Autoridades e advogados flagrados em situações escabrosas começam a emergir exatamente porque as operações cutucam um vespeiro maior. A Faroeste não dorme: ela hiberna, observa, acumula. E quando o caldo engrossa, explode. Os movimentos detectados nos últimos meses são os sinais claros: o bicho acordou, esticou as pernas e já fareja o próximo alvo. A Faroeste não perdoa quem achou que escapou e quem pensou que nunca seria visto, mesmo com proteção especial. Ela só esperava o momento certo para lembrar que tem muita gasolina para queimar.

Queimou a largada
Um figurão conhecido do Horto levou um susto quando saía para caminhar logo nas primeiras horas do dia e se deparou com a viatura preta da PF. Fontes da NSP ligadas aos agentes contam que a desconfiança foi tanta que o moço, de tão nervoso que ficou, quase que vira alvo de diligência também. Para a sorte dele, não era seu dia de ter seu nome revirado pela Federal. Quem sabe numa próxima batida.
O desabafo de Alan Sanches
Informações que circulam nos bastidores da política baiana dão conta de que o ex-deputado estadual Alan Sanches teria protagonizado uma briga séria com o prefeito de Salvador, Bruno Reis, pouco antes de morrer. O motivo do desentendimento seria o custo de manutenção de três clínicas, estimado em cerca de R$ 700 mil por mês. Segundo relatos, Alan reclamava abertamente de atrasos nos repasses e repetia a aliados que “a prefeitura está me devendo”, frase que teria sido dita aos quatro cantos.

Pensou com o fígado
A avaliação nos bastidores é que Duda Sanches se precipitou ao romper às pressas com Ditinho Lemos, ex-financiador de Alan, e lançar uma candidatura a deputado federal. O empresário já cooptou as principais lideranças da família Sanches, tanto em Santo Antônio de Jesus, quanto em Salvador.

Crise de liderança
Ficou estranho o recuo do senador Jaques Wagner depois de anunciar a composição da chapa governista para as eleições. A Bahia inteira sabe que todas as principais articulações envolvendo o pleito de outubro passam pelas mãos do galego. Talvez ele tenha errado no timing, já que Jerônimo estava em viagem ao exterior, mas não há dúvidas de que os arranjos do grupo dependem do aval dele.

De Bolsonaro ou de Neto?
Bolsonaristas baianos estão desconfiados com os rumos que o PL na Bahia está tomando para a definição da nominata para a disputa na Assembleia Legislativa. Nos bastidores, dizem que João Roma "vendeu" o partido a Bruno Reis e ACM Neto, que agora utilizarão a sigla para abrigar aliados. O receio dos bolsonaristas é que o partido não consiga eleger na ALBA nomes alinhados ao ex-presidente Jair ou ao filho Flávio Bolsonaro. A sensação entre a ala é que estão perdendo um partido para chamar de seu, ao menos na Assembleia.

Olho no flash
Na ânsia de demonstrar força política e ampliar o leque de apoios no interior, ACM Neto precisa redobrar a atenção com quem divide o enquadramento das fotos. O herdeiro carlista apareceu nesta semana um registro ao lado de Isaac Carvalho, nome que esteve envolvido em uma série de polêmicas durante a última eleição em Juazeiro e que está inelegível.

Guerra das pesquisas
A guerra das pesquisas na Bahia ganhou novo capítulo com o desconhecido Instituto TML. Levantamento mais recente divulgado pela empresa aponta o governador Jerônimo Rodrigues na dianteira para 2026, superando ACM Neto tanto no cenário estimulado quanto em eventual confronto direto. Se os números são reais ou não, só o tempo dirá. Lembrando que o AtlasIntel também foi questionado na eleição de 2022 ao dar a vitória a Jerônimo e acabou sendo o azarão daquele ano.
Alerta vermelho no PT 1
A pesquisa AtlasIntel, que mostrou Flávio Bolsonaro empatado tecnicamente com Lula no segundo turno, caiu como uma bomba no PT. O resultado não era esperado pelos petistas, que agora projetam ataques para minar a candidatura do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro. Vem artilharia pesada aí.

Alerta vermelho no PT 2
Além de apresentar o maior índice de rejeição, o petista ficou empatado tecnicamente com Flávio Bolsonaro em um cenário de segundo turno entre os postulantes à Presidência do Brasil, pela primeira vez desde que a candidatura do senador foi anunciada. O levantamento mostrou que o nome do filho de Bolsonaro está se viabilizando eleitoralmente e vem crescendo nos últimos levantamentos. Por outro lado, os petistas creem numa mudança de cenário nos próximos meses com os efeitos da isenção do IR no bolso da população.
Sente a paz desse lugar…
E a tão aguardando mudança na Comissão de Constituição de Justiça da Câmara Municipal de Salvador (CMS) veio aí! Para a vitória de uns e a derrota de outros, o vereador Alexandre Aleluia assumiu um dos postos mais cobiçados da casa legislativa. No entanto, a escolha do edil para a presidência está longe de ser classificada como tranquila. Para quem acompanhou nos bastidores, Carlos Muniz precisou mostrar quem é o presidente da Casa e bancou o nome do bolsonarista. A escolha não agradou a base governista, que queria o nome de Paulo Magalhães Júnior, aliado do prefeito Bruno Reis e que, com toda certeza, não colocaria empecilhos para dar aqueeeela força em projetos polêmicos a favor da prefeitura.

Ataque de pelanca
Tem assessor da prefeitura que, no papel de porta-voz do Executivo municipal, parece sempre pronto para o ataque. Basta pedir um posicionamento oficial para ter certeza de que a resposta virá em tom atravessado. Defende a gestão com tanto ímpeto que qualquer “a” fora do lugar vira pretexto para um coice verbal. Nos corredores do poder, já tem gente dizendo que o homem precisa urgente de um ATP político para baixar a adrenalina. Afinal, comunicação institucional não combina com pelanca pública.
Banqueiro Baiano traquino
A imprensa nacional tem falado de banqueiros baianos como quem cita nomes de criminosos estupradores, mas esquece um que está mais enrolado que fumo de bêbado. Rico de sobra, com propriedades espalhadas por Praia do Forte e Ilha de Itaparica, todas devidamente blindadas em patrimoniais familiares, o homem caiu na lábia de um engenheiro construtor que vendeu sonhos mirabolantes. Investiu fortuna em projetos que prometiam paraíso, mas pararam no meio do caminho: falta de documentação legal, licenças que evaporaram, e dívidas acumulando. Obras paralisadas, credores rondando, e o banqueiro contando os milhões que viraram concreto fantasma. Enquanto uns banqueiros baianos dançam no noticiário nacional com fraudes e liquidações, esse aqui dança sozinho no silêncio das areias — porque o azar não escolhe manchete, escolhe vítima. A NSP fareja o rastro: quanto tempo até o engenheiro virar delator ou o banco familiar virar penhora?

Kikiki, Quá quá quá
Pegou mal a gaguejada do vereador e líder do governo na Câmara, Kiki Bispo (UB), nesta semana no programa Se Liga Bocão. Apertado pelos ouvintes, ele não conseguiu responder sobre simples demandas do município, como o acordo de integração entre ônibus e metrô ou o atraso na entrega da escola destinada aos autistas, localizada no Stiep. Ao invés de ser mais um "vereador estadual", Kiki poderia aprimorar os estudos para saber o que um edil faz no mandato.

Nem suplente
Não foi nenhuma surpresa a saída de Sidninho da CCJ da Câmara, o colegiado mais importante do Legislativo municipal. Quem acompanhou de perto as reuniões e sessões sabe que o vereador acumula mais treta e arranca-rabo do que progresso na Casa. Os colegas comemoraram a nova composição com uma saudação até curiosa: "Aleluia!"
Turbulência em Ilhéus
O clima entre o prefeito de Ilhéus, Valderico Júnior, e a sua base na Câmara Municipal azedou de vez após o presidente da Casa, César Porto, ter criticado a gestão. Antes, as avaliações negativas ficavam restritas aos corredores do Legislativo, mas agora se tornaram públicas e ninguém sabe onde vai parar.

Condominização
O Ministério Público da Bahia está de olho em Lauro de Freitas, especialmente na região de Vilas do Atlântico. Fontes da NSP apontaram que a região virou um grande condomínio, com direito a cancelas e sinalização por cones em ruas que antes eram públicas. O descaso é tanto que algumas vias que antes eram fundamentais para a circulação de pessoas e também para a atividade de lazer dos moradores agora já não são mais acessíveis. O alvo da investigação do MP é uma associação com nome estrangeiro, mas a coluna apurou que o problema não tem nada a ver com gringos. O CPF é bem brasileiro e a “condominização” de Vilas está com os dias contados.
O que está acontecendo com Coaraci?
A resposta para a pergunta de milhões. E bota milhões nisso, como indica uma investigação sigilosa no município baiano. Segundo fontes da NSP, há indícios de servidores desempenhando funções irregulares, sem ligação com o trabalho do qual fazem parte. Além disso, há indício de “desvio generalizado”, o que levantou suspeitas até mesmo do MP. A falta de concursos públicos para suprir a necessidade do quadro de funcionários municipais ficou escancarada. Diante disso, o órgão estadual já entrou com uma investigação ampla, com várias frentes, para apurar atos de improbidade administrativa, apropriação indébita e dano ao erário. Enquanto isso, o prefeito aposta em montagens de IA para alavancar o perfil. Papelão.
Classificação Indicativa: Livre
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