Colunas / Na Sombra do Poder
Publicado em 12/02/2026, às 06h00 - Atualizado às 06h18 Editoria de Política
O Menudo do Poker
Um famoso empresário do entretenimento baiano ostenta no Instagram uma vida de rei: viagens, jantares caros, life style milionário que engana seguidores e faz inveja. Mas, por trás das postagens, o rapaz está mais quebrado que a ponte de São Félix. Afundado em dívidas por causa da jogatina pesada — damas, copas, valetes e, sobretudo, poker online e mesas altas —, o vício já custou caro: a mulher largou de vez, e a família corre atrás de ajuda em bancos para tapar o rombo, que os mais próximos estimam passar de 10 milhões de reais. Agora, o plano de emergência envolve vender muitos shows e eventos com urgência, mas com extremo cuidado nas notas fiscais — frias ou mal emitidas — para que a emenda não saia pior que o soneto e o Menudo do Poker não acabe exposto de vez nas páginas policiais do Instagram.
Camaleão
Na última quinta-feira, a coluna NSP trouxe à tona a figura do Don Juan da Penha, apelido dado a um sedutor incansável que, no enclave da Penha (Mar Grande, Bahia de Todos os Santos), não deixa um dia sem investidas em mulheres casadas ou solteiras, reacendendo boatos antigos sobre origens de certas proles em famílias tradicionais. Logo após a publicação, algumas famílias reagiram: organizaram festas separadas — clube do bolinha de um lado, clube da luluzinha do outro — para evitar cruzamentos indesejados. O Don Juan, porém, adaptou-se. Vestiu-se à paisana, camuflou-se como um camaleão e infiltrou-se na festa feminina, dando seu bote sem ser notado de imediato. No circuito fechado da Penha, o apelido já evoluiu: de Don Juan para Camaleão.

Eva
Numa secretaria da Prefeitura de Salvador, uma funcionária que chama atenção pela beleza continua deixando o titular da pasta visivelmente apaixonado. Nos bastidores, ela é chamada de Pequena Eva, em referência direta à letra da música da Banda Eva: “Sou Adão e você será minha pequena Eva”. Recentemente, chegaram à secretaria vários camarotes de cortesia para eventos badalados da cidade. Os assessores, que costumam disputar essas mordomias, ficaram tomados de ciúmes: a Pequena Eva se apoderou de praticamente tudo, distribuindo (ou guardando) os convites conforme sua conveniência, sem sobrar quase nada para o resto da equipe. No meio político, o burburinho aumenta: comenta-se que o secretário avalia assumir publicamente a relação e “o pacote completo” — exposição, compromisso formal e, quem sabe, mais privilégios ainda para sua Pequena Eva.

Coruja
No auge das festas momescas em Salvador e em vários municípios baianos, o Carnaval 2026 rola solto: shows lotados, foliões relaxados e políticos, muitos deles bebendo uísque à vontade nos camarotes e circuitos. Enquanto a maioria curte sem freio, o Ministério Público da Bahia (MP-BA) e a Polícia Federal (PF) seguem atentos, operando à noite como uma coruja vigilante na espreita, prontos para deflagrar novas fases de operações especiais — vide as recentes Território Livre e Somnus. Nos bastidores políticos, três figuras específicas — dois do União Brasil e um do PT —, mesmo brincando carnaval, mantêm os olhos bem abertos como corujas. Preocupados com possíveis surpresas, deixaram familiares em outra residência para não serem pegos pelo “carro preto” da Polícia Federal.

O Pierrô e a Colombina
No Carnaval 2026 na Bahia, onde as máscaras e fantasias facilitam segredos, um casal de políticos — ambos em crise nos respectivos casamentos — articula um affair momesco protegido pela tradição carnavalesca. Fantasiados de Pierrô (o palhaço triste e apaixonado) e Colombina (a astuta e sedutora), eles planejam o encontro clandestino na noite desta quinta-feira. Um garçom de um novo e famoso restaurante na Rua Chile, em Salvador, relatou à coluna — com detalhes e registro fotográfico — o jantar onde todos os pormenores foram traçados. Resta saber se, ao final da noite, com o efeito alcoólico e a euforia da folia, o Pierrô e a Colombina serão desmascarados.

Boca de me dê
O que era para ser um elegante press kit no badalado Camarote 2222 virou cena constrangedora. Teve gente da imprensa que, em vez de bloco de notas na mão, parecia estar em liquidação. Sacolas e mais sacolas saindo numa pressa pouco republicana. Ficou feio. O mais curioso é que, segundo relato de uma fonte do espaço, muita gente nem se deu ao trabalho de gravar um conteúdo, fazer uma entrada ou produzir qualquer registro profissional. Passou, pegou o kit e foi embora. A reação já está em curso. A promessa é de veto no ano que vem para quem confundiu cobertura com coleta.
Sesab em polvorosa
A visita da secretária de Saúde da Bahia, Roberta Santana, ao senador Otto Alencar (PSD), na última terça-feira (10), após a alta da internação hospitalar do político, gerou burburinhos nos corredores da secretaria e também nos bastidores do grupo governista, além de ter alegrado um certo braço direito da SESAB, de olho na chefia da pasta. Isso porque Roberta, filiada ao PT, teria sido convidada pelo governador para ser candidata a deputada, ainda em 2025, mas acabou demorando a decidir e perdeu a vaga, embora seja muito querida de Jerônimo e integrante de sua cota pessoal. Até pouco tempo, sua permanência na secretaria era uma certeza. Agora, com o desembarque da família Coronel e alguns aliados do PSD, tem vaga sobrando no partido para a disputa, seja para a ALBA, seja para a Câmara dos Deputados. Será que a visita foi só uma cortesia a um amigo recém-saído do hospital?

Palanque carlista
Sem mandato e sem cargo público, a assessoria de ACM Neto anunciou que ele vai marcar presença na abertura oficial do Carnaval de Salvador 2026, nesta quinta-feira, no Campo Grande. O ex-prefeito de Salvador vai acompanhar a entrega simbólica da chave da cidade ao Rei Momo, conduzida pelo aliado Bruno Reis. A dúvida que paira no ar é outra: o ato institucional vai virar palanque? Em ano pré-eleitoral, cada passo é calculado. A lei eleitoral permite esse tipo de exposição em evento oficial?
PSD na mira
A estratégia da oposição ao governador Jerônimo Rodrigues na Bahia tem sido a de desmantelar o PSD, sigla de Otto Alencar que tem o maior número de prefeitos. Após a saída do senador Angelo Coronel, outro nome da sigla que pode ir para a base do ex-prefeito de Salvador, ACM Neto, é o do ex-prefeito de Belo Campo, Quinho. O ex-presidente da UPB confirmou com exclusividade ao BNews o convite de Neto e parecia bem disposto a mudar de lado.

Equação difícil
Com a ida de Coronel para a oposição, o Republicanos perderia uma das vagas na disputa ao Senado, já que uma delas já está garantida a João Roma, do PL. Restaria ao Republicanos, que não abre mão de não ficar de fora da chapa, a vaga de vice. No entanto, com o convite de ACM Neto a Quinho e também com o PSDB interessado na candidatura a vice, as tensões internas entre aliados de Neto podem se intensificar.
Significa?
É melhor ACM Neto colocar as barbas de molho. O Republicanos, hoje na base carlista, entrou de vez na mira do governador Jerônimo Rodrigues. O encontro com o bispo Guaracy Santos, liderança da Igreja Universal na Bahia, e a presença do deputado estadual Jurailton Santos, da oposição, reforçaram a leitura de que o movimento vai além da pauta institucional publicada nas redes. Após a saída de Angelo Coronel da base governista, o Palácio de Ondina busca novas peças no tabuleiro, e o partido, que tem três federais, três estaduais e quatro vereadores em Salvador, virou alvo estratégico. Na oposição, a sigla pleiteava espaço na chapa de Neto, mas o avanço de Coronel embaralhou o jogo. Pergunta que circula: vai resistir ou muda de lado?

Férias de Carnaval
Em pleno ano eleitoral, quando cada aparição conta ponto, a presidente da Assembleia Legislativa da Bahia, Ivana Bastos, se mandou para o exterior e não deve dar as caras no Carnaval de Salvador. A ausência chamou atenção nos corredores políticos, especialmente num período em que visibilidade é ativo valioso. Com a viagem, o comando da Casa foi transferido temporariamente para a primeira vice-presidente, deputada Fátima Nunes (PT), que assume a função até o retorno da titular.

Forno petista
A comemoração do aniversário do PT, no Trapiche Barnabé, com a presença do presidente Lula, virou teste de resistência térmica. Um toldo foi instalado, fechando praticamente toda a circulação de ar do espaço histórico, transformando o ambiente num verdadeiro forno. Militantes, convidados e profissionais que trabalharam no evento sofreram com o calor abafado. Faltou planejamento básico a quem organizou a festa. Não bastasse o sufoco, a imprensa ainda foi confinada em um cercadinho, longe dos filiados e lideranças. Em um ano eleitoral decisivo, quando é importante ter mídia espontânea, as entrevistas ficaram prejudicadas, já que o contato direto com as fontes foi bloqueado por grades e protocolos.

Sinal amarelo
Nos bastidores, o comentário é que o presidente Lula deixou Salvador com um gosto amargo. A comemoração do aniversário do PT, no Trapiche Barnabé, não teve a adesão esperada, mesmo com toda a mobilização prévia e aviso de que o espaço estaria sujeito a lotação. Não lotou. No dia anterior, a entrega de ambulâncias no Parque de Exposições também ficou aquém do entusiasmo que o Planalto imaginava. A avaliação interna é delicada. A Bahia é o principal reduto eleitoral do PT na disputa deste ano, território estratégico e historicamente fiel. Lula sabe que não pode se dar ao luxo de perder força no estado. Agora, o desafio é reorganizar a tropa e reacender o entusiasmo antes que o sinal amarelo vire vermelho.

Lula na folia
A expectativa agora gira em torno da aparição de Lula no Carnaval de Salvador. A aposta é que o presidente marque presença no camarote do governador, no Campo Grande, reduto estratégico no circuito Osmar. Nos bastidores, a avaliação é que a folia pode servir como termômetro mais confiável do humor popular. Diferente dos eventos fechados, o Carnaval expõe, aproxima e testa a popularidade sem filtro. Já Janja deve dar as caras no camarote Expresso 2222, um dos mais badalados da festa.
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