Colunas / Na Sombra do Poder
Publicado em 10/10/2024, às 05h50 - Atualizado às 05h59 Editoria de Política
O Operador
Se as casas de apostas do Brasil estão faturando em alta com as apostas de jogos, houve um operador eleitoral que tentou diversificar suas apostas em diversos municípios para ter um retorno volumoso, mas está deixando alguns apadrinhados recém-eleitos de cabelo em pé. Isso porque o apostador não fez a leitura mais adequada do xadrez eleitoral. Nos municípios onde ele mais alocou recursos os candidatos perderam. O Operador vai tentar fazer um cashback eleitoral nos municípios e a Sombra vai acompanhar os passos desse operador, lado a lado do MP.
O advogado
Em época de eleição um dos profissionais mais requisitados é o advogado, porque têm problemas de toda natureza, o tempo todo. Vai de briga entre militantes, transporte de dinheiro para políticos, impugnações, etc. E nesse ambiente propício para que as fragilidades humanas apareçam, um determinado advogado, conhecido na cidade, inclusive por seu figurino diário (com calças apertadas, sapatos sem meias, cabelos engomados), aceitou fazer o transporte de dinheiro de caixa dois de uma campanha. Foi pego com aproximadamente R$ 450 mil em espécie. O problema não foi ser pego por autoridade, mas o valor que estava sendo transportado - já que deveria estar com ele R$ 600 mil reais. Onde foram parar os R$ 150 mil, doutor?

O sentimento das comemorações
O resultado das eleições em diversos municípios trouxe à tona um sentimento sombrio: a raiva. Ao mesmo tempo, revelou outra circunstância: a tentativa de muitos políticos fingirem não sentir o peso da derrota. Quem não viu um político vitorioso deixar de ressaltar as causas do êxito nas urnas para atacar, debochar, minimizar os derrotados? Essa postura dos derrotados e dos vitoriosos induz os seus eleitores a terem a mesma postura e isso desencadeia uma avalanche de comentários e comportamentos censuráveis nas redes sociais. Mais transparência, políticos, pelo menos com o resultado das eleições.
Pivete do Subúrbio
O discurso da oposição de que Bruno Reis só trabalha para a orla marítima e áreas nobres da capital baiana não se refletiu nas urnas. O Pivete do Calabar venceu em todas as 19 zonas eleitorais de Salvador. O que chamou a atenção é que as votações mais expressivas do prefeito reeleito vieram justamente das zonas eleitorais localizadas no Subúrbio. Foi da décima sétima zona, que abrange bairros como Praia Grande, Plataforma, Periperi, Mirantes de Periperi, Itacaranha, Alto da Teresinha, Alto do Cabrito, São João do Cabrito e Ilha Amarela - a maior votação de Bruno em todas as zonas eleitorais de Salvador, com 85,19% dos votos válidos. O menor percentual de votos do prefeito foi justamente em uma zona eleitoral na área central e na mais nobre da capital baiana. Na primeira zona, que engloba os bairros da Barra, Campo Grande, Vitória, Garcia, São Pedro, Canela, Pelourinho, Aflitos e Politeama, Bruno teve "apenas" 70,51%.

Ana Paula Matos 2028?
Leo Prates que se cuide. Com os 78,67% de Bruno Reis nas urnas, agora o prefeito fala de igual para igual com ACM Neto. E vai querer emplacar Ana Paula Matos na sucessão.
Os "voos maiores" de Bruno Reis
O prefeito reeleito com a votação acachapante já deixou claro que pretende emergir como uma nova liderança estadual. "Desejo concluir meu mandato, mas não tenho dúvidas que, depois que fizer um grande trabalho como prefeito, isso me credencia, no futuro, no momento certo, para voos maiores", disparou, ao jornal O Globo, nesta semana.
O campeão moral
Bruno Reis ganhou a eleição em Salvador. Mas quem saíram vencedores foram Kleber Rosa e o PSOL, que emergem como uma nova corrente de esquerda na capital.

O "basta" do PT raiz
Os votos dados no PSOL refletem uma insatisfação da esquerda petista com a condução das articulações na capital baiana nas campanhas recentes. Foi um grito de "basta", já que nos últimos os candidatos da legenda foram impostos "de cima para baixo", com pouco diálogo com o "chão da fábrica". Ou os caciques acordam, ou o "fumo" vai entrar mais fundo em 2028.

Cadê Cema?
O resultado eleitoral mostra que o PT também perdeu o controle total da sua base em Salvador. Cema Mosil, a "presidenta" municipal, vai ter que dar explicações sobre sua liderança também.
Eleições da prole
A eleição para vereadores da Câmara Municipal de Salvador deixou dúvidas como saldo. Os filhos dos políticos e/ou afilhados politicamente tiveram muito poder econômico à disposição e estavam bem acompanhados de quem entende de política. Alguns tiveram votação expressiva e outros não. Houve traição? Os políticos experientes venderam falsa expectativa? A NSP parabeniza os jovens eleitos e não eleitos e deseja que eles continuem diariamente fazendo visitas nas comunidades para ajudar os que mais precisam. Vamos ficar de olhos nas redes sociais para ver se eles somem das comunidades e vão frequentar as baladinhas nacionais e internacionais.
Aquém do esperado 1
Em Salvador, o resultado do PL na Câmara Municipal foi considerado pífio, dado o fundo eleitoral que a sigla tinha para distribuir e sequer chegou a lançar 44 candidatos a que tinha direito. Um candidato disse à Sombra que o dirigente estadual simplesmente largou o partido ao "Deus dará", o que somente possibilitou a eleição de bolsonaristas que já tinham estrada - como Alexandre Aleluia e Cezar Leite. "Os que disputaram pela primeira vez, não tiveram nenhuma estratégia ou estrutura", declarou um postulante derrotado, em condição de anonimato.

Aquém do esperado 2
O resultado do PL nas urnas baianas - elegeu somente Jânio Natal em Porto Seguro, que era candidato à reeleição - já movimenta caciques do partido para mudanças na direção estadual. Jonga Bacelar já está tentando mexer nas instâncias superiores - leia-se: está batendo um papo com Valdemar da Costa Neto - para tomar ou indicar um sucessor para João Roma na direção estadual. Membros do PL apontam que João Roma e Roberta Roma apareceram mais que os candidatos do partido que disputavam vagas nas câmaras municipais.
Os doadores
Alexandre Aleluia conseguiu se reeleger em Salvador com 9.788 votos. Durante a campanha, o vereador recebeu um total de R$ 601.500,00 em recursos. Deste valor, R$ 500 mil foram doados inteiramente pelo empresário Luiz Lopes Mendonça Filho. Os dados são do DivulgaCand.
História se repetindo?
Mesmo não conseguindo ser eleito vereador e indo mais uma vez para a suplência, Palhinha não pareceu nada incomodado com o resultado apresentado pelas urnas no último domingo (6). Na última Legislatura, ele ocupou a cadeira de Marcelle Moraes, que deixou a Casa para assumir a chefia da Secretaria Municipal de Sustentabilidade e Resiliência (Secis) de Bruno Reis. Será que um passarinho já cantou no ouvido dele que um raio pode sim cair duas vezes no mesmo lugar?
O fim da "mandata"
A mandata Pretas por Salvador, que concorreu com apenas duas integrantes em 2024, chegará ao fim em dezembro deste ano. Houve um racha entre elas e Gleide Davis resolveu concorrer sozinha. Resultado? Ninguém se elegeu.
As lágrimas de Tiago Ferreira
Tiago Ferreira apareceu com cara de choro na Câmara de Salvador após a derrota na eleição. Também pudera, né? Um sindicalista que participa de evento do prefeito não merecia ter outro resultado...

A eleição de Marta
Marta Rodrigues tem eleitorado próprio, é uma grande liderança e exerceu com maestria os seus mandatos. Isso ninguém questiona. Contudo, vale ressaltar que ela foi a única vereadora que colou de verdade na campanha de Geraldinho e é irmã do governador. Coincidência ou não, foi a única petista que conseguiu se reeleger.
Farda, transportes e Cia
Se os rodoviários não elegeram os seus representantes, tão pouco os motoristas por aplicativo conseguiram emplacar um vereador- talvez seja reflexo da decepção com o último edil da categoria. No mesmo caminho temos os militares, que em toda eleição trazem sua chapa contando com o apoio da tropa, o que, inclusive, já rendeu deputados estaduais. Mas parece que esse tempo passou, visto que vários tentaram o pleito, mas não conseguiram. Vamos ver se os postulantes em 2026 têm mais sorte.
Cátia, a não eleita
Um exemplo de vereadora que viu os macacos pulando de galho em galho enquanto ela apenas observava e trocava de bolsa foi Cátia Rodrigues. O voto da igreja não sustentou a estátua que ela era no legislativo municipal.

Com a pompa toda
Roberta Caires foi a mulher mais votada nessas eleições, deixando para trás, inclusive, muito marmanjo que já tem cadeira cativa na Câmara. Na boca miúda, entretanto, o que se diz é que os votos dela estavam atrelados a conchavos de uma pasta municipal, por isso a loira precisará se mexer e trabalhar para realmente cativar o eleitorado, afinal, o galho não muda de lugar, mas o macaco muda.
Chamou na xinxa!
Sabe a história que os últimos serão exaltados? É isso que resta para Silvio Humberto após o resultado do PSB nas eleições. O líder da oposição, que acabou ficando com a última cadeira da Câmara disse que o partido precisa mostrar sua força se colocando como opção para o executivo. Parece que Silvio já está com os olhos em 2028.
Faltou o Pix?
Com a renovação assustadora de vereadores na Câmara, alguns edis ficaram desolados. Com apenas 43 vagas disponíveis e mais de 700 candidaturas, tais políticos chegaram a afirmar que só perderam porque não fizeram o 'Pix'.
Discurso motivador
Após ser o segundo vereador reeleito com mais quantidades de votos, Carlos Muniz aproveitou o retorno dos trabalhos na Câmara, para 'pedir' aos colegas que deixem ele como presidente da Casa. A corrida já começou.

Ressaca em Feira de Santana
As eleições em Feira de Santana criaram expectativa de colocar no executivo um advogado e militante de esquerda muito bem relacionado em todos os segmentos da Princesinha do Sertão. Mas o poder econômico fez a diferença em mais um município baiano. Um operador master da campanha vitoriosa estava eufórico comemorando, bebendo um uísque 21 anos e falando repetidamente que o PT não se criaria no município feirense. Ele chegou a prometer que em 2026 vai entregar para o candidato de direita mais de 80% dos votos. É esperar para ver….

Camaçari nos olhos de chineses e baianos
Camaçari é a única cidade da Bahia onde vai ter segundo turno na disputa para prefeito. Luiz Caetano e Flávio Matos mantêm a disputa entre o PT e o Carlismo tão comum na política baiana. O tempero da eleição camaçariense pode ter relação com o interesse de chineses e baianos, já que a montadora BYD está prestes a abrir as portas no Polo Petroquímico de Camaçari. O embate pode contar com a presença do presidente Lula, que já foi convidado pelo governador Jerônimo para participar da campanha de Caetano. A disputa no segundo turno promete ser tão acirrada quanto no primeiro.
Sprint eleitoral em Camaçari
Um dos poucos municípios do Estado da Bahia que terá segundo turno será Camaçari. As pesquisas nas últimas semanas indicavam uma vitória com certa folga de Caetano. Ocorre que o poder econômico, muitas vezes, supera a militância. Fala-se que um apoiador de peso gastou R$ 10 milhões durante a campanha e no sprint final estava desembolsando R$1.5 milhão por dia. Talvez seja esse o fator que levou a decisão para o segundo turno. Como essa informação vazou, os operadores estão com receio de transitar pelas estradas com recursos e cogitam usar helicóptero para fazer a distribuição do metal salvador!
Tucano Depenado
Disputa acirradíssima ocorreu em Juazeiro, onde políticos da direita dominavam a cidade há anos. Durante a campanha, era inimaginável haver uma derrota dos tucanos que ostentavam a certeza do império. Foi preciso dedicação e muito trabalho dos emedebistas para tirar o bastão das mãos do Rei. Os líderes baianos do MDB, pesos pesado, comemoraram efusivamente a vitória em suas redes sociais - com direito a trio elétrico e tudo mais.

Os dois PPs
O PP na Bahia parece se dividir em dois partidos, um da capital e outro do interior. Se for colocar na conta, os progressistas de Salvador, liderados por Cacá Leão, saíram na dianteira nas eleições diante dos correligionários do restante do estado, chefiados por Mário Negromonte Jr. Em terras soteropolitanas, o partido, que não elegeu ninguém para a Câmara Municipal em 2020, garantiu cinco cadeiras para a próxima legislatura. Por conta do desempenho, Cacá já ensaia o discurso para convencer Bruno Reis a dar mais espaço para o partido na prefeitura. Por outro lado, o PP estadual viu o número de prefeituras diminuir drasticamente em quatro anos, passando de 92 para 41.

Consolação
Apesar da queda no número de prefeituras, o PP está próximo de receber um prêmio de consolação. Nos bastidores é dado como certo que a legenda vai comandar pelo menos uma secretaria após a reforma administrativa que pode acontecer em novembro. Dessa forma, o partido sai de vez da oposição e retorna para a base governista na Bahia.
Não volta
Por falar em mudança em secretarias, uma pasta que não deve ter o comando alterado é a da Educação. Rowenna Brito caiu nas graças de Jerônimo Rodrigues e tudo indica que vai continuar na chefia por lá. A ex-secretária Adélia Pinheiro, que amargou uma pesada derrota para a prefeitura de Ilhéus, pode até ser nomeada em algum cargo de chefia no primeiro escalão do governo, mas não será na SEC

Intolerância
A candidata a prefeita de Muritiba, Mãe Mara (Republicanos), disse que foi vítima de ataques que configuram crime de intolerância religiosa na véspera da campanha. Mãe Mara, que é yalorixá, viu circularem nas redes sociais vídeos em que adversários políticos da republicana afirmaram ter encontrado "feitiços" feitos por ela para influir no resultado das urnas. A yalorixá condenou o uso desse artifício que desrespeita as religiões de matriz africana como estratégia de campanha dos adversários. A republicana ficou em segundo lugar na disputa.
Olhos na OAB
A campanha para a eleição da OAB da Bahia está pegando fogo e a tendência é ser uma das mais disputadas de toda a história. A atual gestão da OAB da Bahia, até meses atrás, dava como certa a vitória de Daniela Borges. Contudo, o cenário mudou radicalmente após a renúncia de vários conselheiros e membros da gestão. Além disso, houve divisão de grupos que antes apoiavam integralmente a gestão, mas passaram a apoiar a advogada Ana Patricia. As baixas causaram muito impacto e a pesquisa que a NSP teve acesso mostra uma eleição que segue equilibrada e indefinida.
Incertezas no Gregor Mendel
Pais de alunos do Colégio Gregor Mendel procuraram a coluna preocupados com a situação da unidade situada no Itaigara. A informação do corredor é que essa unidade será fechada e que não vai ter mais ensino infantil e fundamental 1. As matrículas também não estão sendo mais feitas. Ninguém fala nada e o silêncio impera.
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