Colunas / Na Sombra do Poder
Publicado em 04/06/2026, às 06h00 - Atualizado às 06h20 Editoria de Política
Odebrecht: Gata Escaldada que Ama Água Fria
A Novonor, antigo nome da Odebrecht, acaba de perder o controle da Braskem. Após décadas comandando a maior petroquímica da América Latina, sai de cena reduzida a uma participação residual sem direito a voto. O desfecho tem um simbolismo que vai muito além de uma simples reorganização societária. A empresa que durante anos foi uma das mais poderosas do país termina sua trajetória na Braskem entregando o controle aos credores, em uma operação de troca de dívida por ações. A nova controladora será a IG4 Capital, que dividirá o comando da companhia com a Petrobras. O desafio não é pequeno: dívida bilionária, necessidade de venda de ativos e uma profunda reestruturação financeira pela frente. A ironia é inevitável. A antiga Odebrecht passou anos acumulando poder, influência e protagonismo. Hoje, assiste de longe à empresa que ajudou a construir. Depois de tantos escândalos, acordos de leniência, recuperações financeiras e mudanças de nome, a realidade é simples: perdeu o controle do seu principal ativo. Virou a velha história da gata escaldada. Mas, neste caso, não foi a água fria que venceu. Foi a conta que finalmente chegou. O mercado segue acompanhando os próximos capítulos e a NSP segue de olho.
O Baixinho das Encomendas

Salvador adora criar apelidos. E um dos mais comentados da temporada atende pelo curioso codinome de “Baixinho das Encomendas”. Figura conhecida da cena empresarial local, sempre cercado de ostentação, bons restaurantes e eventos badalados, o personagem agora desperta curiosidade por outro motivo. Segundo observadores atentos da Avenida Tancredo Neves, ele teria desenvolvido uma rotina quase diária de visitas a escritórios de advocacia e ambientes ligados à política. As más línguas garantem que nunca aparece de mãos vazias. As boas línguas dizem exatamente a mesma coisa. O problema que ele anda ressentido é com o Bradesco das torres gêmeas que resolveu não mais fazer operações com dinheiro em espécie. Vai ser um corre-corre e salve-se quem puder na correria.
Ifuufood
Após o vazamento de dados que expôs mais de 1,2 milhão de usuários, o iFood enfrenta mais um abalo em sua já desgastada reputação. A empresa, que vinha lidando com críticas recorrentes envolvendo a relação com entregadores e discussões sobre regulação da atividade, agora se vê no centro de uma nova crise, desta vez ligada à segurança da informação. Nos bastidores, o episódio é tratado como um duro golpe na confiança do público, especialmente em um momento em que a plataforma tenta consolidar sua imagem institucional. A percepção entre usuários e parceiros é de que os problemas vêm se acumulando, sem uma resposta à altura. A marca atravessa um dos seus momentos mais delicados desde que se tornou líder no segmento de delivery no país.

Maraú em chamas
O paraíso anda pegando fogo. No mesmo dia em que a Polícia Federal deflagrou uma operação contra um suposto esquema de grilagem de terras da União envolvendo registros imobiliários em Maraú, um incêndio destruiu o badalado Tulum Beach Club, em Barra Grande. Coincidência ou não, a Península voltou ao noticiário nacional cercada por fumaça, tensão e disputa milionária. A Operação Chancelas colocou na mira fraudes cartoriais, venda irregular de áreas de praia e ocupações suspeitas em uma das regiões mais valorizadas do litoral baiano. Horas depois, as imagens das chamas consumindo um dos points mais conhecidos da vila correram as redes sociais. Em comum, o cenário de um destino turístico milionário que virou palco de guerra silenciosa entre interesses econômicos, expansão imobiliária e ausência do poder público.

Torneira fechada
Flávio José, um dos maiores nomes do forró tradicional, cancelou todos os seus shows no São João da Bahia. Isso porque o MP-BA recomendou reduzir seu cachê de R$ 350 mil para cerca de R$ 305 mil por apresentação. O artista se disse “injustiçado e desrespeitado como nunca na vida” e prometeu: “Nunca mais cantarei no São João da Bahia”. Enquanto isso, o Ministério Público tenta conter o histórico de superfaturamento, notas frias e desvio de dinheiro público que há décadas transforma as festas juninas em verdadeiro caixa-dois de prefeituras. A recomendação do MP não acusa Flávio de crime, apenas aplica o critério de economicidade: pagar o justo, não o inflacionado. A polêmica expõe o dilema: o artista tem o direito de cobrar o valor de mercado? Claro. Mas o contribuinte baiano também tem o direito de questionar por que seu imposto banca cachês milionários enquanto saúde e educação seguem na UTI. Pode ser um bom momento para artistas, empresários, políticos, prefeitos e Ministério Público sentarem à mesa e analisarem a planilha de cada show, tanto em eventos privados quanto públicos.

Faroeste
Enquanto tem gente investigada que fica com vergonha, um consul da shopee continua andando por Brasília. Morando em um hotel de luxo, ele desfila com um acessório na perna: a tornozeleira. E continua sendo o mesmo cara de antes, fazendo amizades com seu carisma. Malandro é malandro e mané é mané.
Ecos do carnaval
Uma investigação do Ministério Público, conduzida pela Promotoria de Proteção à Moralidade Administrativa, levantou suspeitas sobre as estruturas utilizadas pela Prefeitura de Salvador para alocar ambulantes no Carnaval de Salvador. Os trambolhos instalados na praia para evitar que ambulantes ficassem na calçada eram bem polêmicos. Enquanto alguns defendiam, muita gente questionava se aquilo era seguro. Agora a resposta terá que ser dada pela Semop e pela empresa, que tem sede em Simões Filho. A investigação, segundo a NSP descobriu, versa sobre eventual inexecução contratual e correção das irregularidades estruturais identificadas.

Pegou ar 1
A postura e o trato do ex-prefeito de Salvador, ACM Neto, com a imprensa nos últimos dias têm sido tensos e lembrado muito os tempos em que o velho ACM, o avô, tratava jornalistas. O pré-candidato tem se mostrado irritado. As imagens dele nas entrevistas mostram por si só como sua impaciência aumentou, principalmente quando é questionado de forma mais crítica ou quando algo o desagrada. O que estaria por trás dessa irritação?

Pegou ar 2
O secretário Adolfo Loyola perdeu a paciência com as constantes críticas de ACM Neto sobre a ponte Salvador-Itaparica. Desta vez, o ex-prefeito de Salvador quis deixar o titular da Serin por baixo, mas o aliado de Jerônimo Rodrigues mostrou que não tem papas na língua. Em entrevista à imprensa, Loyola mandou um recado claro para o adversário do chefe: “morda as costas de ódio”. Vixe…

Hablou mesmo
O presidente da Câmara Municipal de Salvador (CMS), Carlos Muniz, movimentou o cenário político baiano ao revelar que votaria em Luiz Inácio Lula da Silva para presidente em 2026. A declaração não foi muito bem aceita por ACM Neto e seus aliados, uma vez que o ex-prefeito de Salvador disputa o comando do Palácio de Ondina com Jerônimo Rodrigues. Será que a fala do tucano foi uma resposta após ter o projeto “kiss & fly” barrado pelo Executivo municipal? É fogo no parquinho.

Candidatura amarga
A candidatura de Débora Santana à Câmara Federal é alvo de comentários nada agradáveis, principalmente após ela entrar com um recurso na Justiça para interromper a pensão ao atleta Emerson Silva Pinheiro, atropelado por seu filho, Cleydson Cardoso Costa Filho. A postura da edil não caiu bem para uma representante dos direitos da população em Brasília. Será que não vem aí?

Cofrinho
A conferência da advocacia em Salvador deste ano pode não quebrar recordes como pretendido pela seccional baiana. Isso porque o evento, que pode receber até 25 mil advogados, deve custar mais de R$ 30 milhões. Na última edição, em BH, com 23 mil pessoas, a conferência custou mais de R$ 20 milhões. Desse valor, R$ 5 milhões foram dados pelo BTG. Para garantir a festa com artistas de peso, a presidente vai ter que se virar para conseguir dinheiro...

Dificuldade pra oposição
O Conselho Federal da OAB pode dificultar a vida de quem se coloca como oposição e pretende concorrer às eleições da entidade no próximo ano. A Ordem estuda mudar o estatuto e o regimento que normatizam as regras eleitorais da advocacia. Por isso, na Bahia, as costuras precisam começar a ser feitas agora, antes das eleições e do megaevento da advocacia.
A pergunta que não quer calar
Advogados e réus da operação Faroeste querem saber: Og Fernandes profere as sentenças antes de se aposentar? O ministro relator das ações penais deve deixar o cargo até novembro deste ano.

Anula ou não?
Outra dúvida é se os processos poderão ser anulados ou não. O motivo? A demora do julgamento e a liberação das provas pela perícia.
BNews e Gilmar Mendes
Enquanto o Brasil ferve com escândalos, contas públicas no vermelho e Judiciário questionado, o 14º Fórum Jurídico de Lisboa fechou as portas como o grande “Davos jurídico” da América Latina. Idealizado por Gilmar Mendes, o evento reuniu mais de 450 participantes de 15 países, 71 painéis e o crème de la crème do poder brasileiro: Alexandre de Moraes, Luís Roberto Barroso, Michel Temer, Hugo Motta e uma constelação de ministros, ex-presidentes e parlamentares. O tema era pomposo: “Nova Ordem Internacional, Tecnologia e Soberania”. Debates de alto nível sobre IA, regulação de plataformas e constitucionalismo digital. Fotos bonitas, networking qualificado, declarações emocionadas e muito aplauso. O BNews esteve lá com cobertura exclusiva, trazendo bastidores e entrevistas diretas para o leitor brasileiro. No fundo, o que ficou foi a imagem de sempre: a elite togada e política brasileira debatendo o futuro do mundo… enquanto o presente do país continua sendo resolvido nos bastidores de sempre.

Bahia em Lisboa
A turma baiana não foi a Lisboa apenas para compor cenário no chamado “Gilmarpalooza”. Entre painéis, encontros reservados e circulação intensa nos corredores do evento, políticos, empresários e operadores locais aproveitaram a vitrine internacional para fazer política, estreitar relações e, claro, exercitar o velho e conhecido lobby.
É o amor
Gilmar Mendes, desde que se separou, não esconde que está amando. A nova namorada, a ministra do TST Morgana de Almeida, não só o acompanhou no Fórum de Lisboa, como palestrou e protagonizou momentos de muito 'love'. Os dois só andavam de mãos dadas pra cima e pra baixo e, na plateia, assistiam às palestras juntinhos.

Fã-clube
Alexandre de Moraes evitou a imprensa ao máximo, mas não negou foto pra quem o 'tietava'. Ele mesmo se disse um "ministro popular".
O Paladino da Moralidade
Há pouco tempo, um juiz se vendia como o último bastião da ética republicana. O mesmo que, em 2017, condenou Eduardo Cunha a 15 anos de prisão, chamando-o de “traidor do mandato parlamentar”. O mesmo que erguia a toga como espada contra a corrupção sistêmica. O mesmo que escrevia sentenças dizendo que a verdade não se cala nem para agradar foro privilegiado. Hoje, em 2026, esse mesmo homem filia-se ao PL, divide palanque com Flávio Bolsonaro em Curitiba, elogia o filho do ex-presidente como “o único capaz de derrotar Lula” e oferece a ele um “palanque forte”. Enquanto isso, Eduardo Cunha, o mesmo Cunha que Moro meteu na cadeia, grava vídeo ao lado de Flávio, declara que ele “assumiu a missão de liderar o campo conservador” e oferece sua máquina evangélica para a campanha. Não há foto dos três juntos… ainda. Mas a cena já está pronta: o ex-juiz moralista, o ex-deputado cassado por corrupção e o filho do ex-presidente que Moro acusou de interferir na PF para proteger a família. Todos sob a mesma bandeira. O que sobrou da Lava Jato foi apenas o silêncio conveniente de quem descobriu que a ética é ótima para condenar os outros e dispensável quando o poder bate à porta. Moro não mudou de ideia. Ele mudou de lado. Quando o paladino da moralidade troca a toga pela camisa do partido que abriga seus antigos condenados, o espetáculo não é mais de justiça. É de circo....

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