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Na Sombra do Poder: A paixão do Salvador

Ilustração / Criada Por IA
Os bastidores da política baiana  |   Bnews - Divulgação Ilustração / Criada Por IA

Publicado em 19/02/2026, às 06h00   Editoria de Política



A paixão do Salvador
Um importante político local, no sábado de Carnaval, já tomado por algumas doses de whisky, esperou a digníssima ir embora do badalado Camarote Salvador e partiu para cima de uma jovem loira de nome Gabriela. Embriagado pelos olhos da menina, ele não escondia o desejo de tê-la em seus braços. Alguns presentes no espaço restrito perceberam todo o movimento do rapaz e trataram de alertá-lo que ela era de MG e que não era uma mulher cis, mas mesmo assim nosso mini cacique não quis saber. Mandou um enviado atrás dela e conseguiu sair do espaço com a companhia. A NSP ficou sabendo que ontem pela manhã o casal foi visto tomando café em um hotel na orla do Rio Vermelho, em maior romance. Pelo jeito, o mundo soteropolitano está mais “rosa” do que cinza.

Deputado canabrava
Um deputado bolsonarista baiano exagerou na dose no Camarote Salvador e virou assunto nos corredores mais do que qualquer articulação política. Entre um brinde e outro, passou do ponto e quase não conseguia se manter em pé. Em determinado momento, esbarrou na imprensa, que estava parada na escadaria principal (e não pediu desculpas). Visivelmente alterado, mal dava conta de subir as escadas do espaço, chamando atenção de quem circulava por ali. O constrangimento só não foi maior porque a loira que o acompanhava assumiu a função de amparo e evitou que o parlamentar protagonizasse uma cena ainda mais vexatória.

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Sem noção
O Carnaval é uma festa para celebrar, mas não é porque tá quase tudo liberado que você deve perder a noção e o senso. Isso porque o que teve de gente com cachaça na cabeça em cima de árvore, de banheiro químico e até escalando trio elétrico não foi pouco. Mesmo com uma fatalidade acontecendo, as pessoas agiam como se o Carnaval do ano que vem não fosse acontecer.

Hipérbole na Avenida
Antes do Carnaval, é possível que muitos espectadores da folia não saibam exatamente como tudo vai ocorrer; afinal, em essência, a folia é uma ode à desorganização. Mas o que é cada dia mais previsível, principalmente em anos eleitorais (ou seja, ano sim, ano não), são as avaliações hiperbólicas. "Maior Carnaval de todos os tempos" é a frase mais ouvida nos últimos 20 anos. A frase não necessariamente precisa respeitar a realidade.

Carnaval de horrores
A festa que deveria ser vitrine de organização acabou marcada por episódios que destoaram do discurso oficial. Houve morte no circuito, relatos de comida estragada distribuída a ambulantes, atrasos sucessivos nos trios e filas quilométricas na Barra que testaram a paciência dos foliões. Os problemas se acumularam ao longo dos dias e expuseram falhas na condução da operação da festa, especialmente na logística e no ordenamento dos circuitos. A sensação, para muitos, foi de improviso. Nos bastidores, a comparação surgiu quase automaticamente: o cenário lembrou os tempos do Carnaval na gestão de João Henrique, período frequentemente associado à desordem na folia.

Perdeu o bom senso
Em meio a um Carnaval marcado por falhas de organização, atrasos de trios, queixas de ambulantes por comida estragada e até judicialização na ordem dos blocos, o prefeito Bruno Reis decidiu adotar um tom que causou perplexidade. Ao comentar a morte da jovem pesquisadora atropelada por um caminhão de serviço durante a festa, por exemplo, tratou logo de culpabilizar a própria vítima (que ainda estava sendo velada) pela tragédia. Mesmo diante dos problemas registrados no Carnaval de Salvador 2026, o prefeito ainda publicou vídeo nas redes sociais fazendo dancinha e legendando que havia entregue a “melhor operação de Carnaval”.

Patrocínio e responsabilidade
Maior patrocinadora do Carnaval de Salvador 2026, a Ambev não pode se limitar a estampar sua marca na festa enquanto episódios graves expõem falhas na operação do evento. No caso da jovem que morreu após ser atropelada por um caminhão de serviço, com relatos de que estava alcoolizada, a discussão vai além da conduta individual e alcança a ausência de protocolos preventivos adequados por parte da prefeitura em uma celebração marcada pelo consumo intenso de bebidas. Como principal financiadora, a empresa deveria cobrar explicações formais sobre as medidas de segurança adotadas e as responsabilidades envolvidas, afinal, patrocinar também é assumir compromisso público com padrões mínimos de cuidado.

Bate-boca na folia
Dois diretores da Semob protagonizaram um bate-boca nos bastidores do Carnaval após o trio de Ivete provocar retenções na região de Ondina. A discussão teria sido motivada pela operação de trânsito no entorno do circuito, que acabou gerando congestionamentos e reclamações. Segundo relatos, o desentendimento aconteceu nas proximidades do Camarote Salvador e chamou atenção de quem passava pelo local. Ao deixar o espaço, o prefeito teria presenciado a cena e determinado a retirada imediata do veículo que estaria contribuindo para o caos viário. O episódio deixou o clima azedo entre os dois integrantes da pasta, que já vinham acumulando divergências internas sobre a condução da mobilidade durante a folia. Nos corredores, comenta-se que a tensão ainda está longe de arrefecer.

Arroz de festa
João Henrique, Nelson Pellegrino e Adolfo Menezes viraram praticamente sócios do Camarote Salvador neste Carnaval. Os três apareceram por lá todos os dias de folia, sempre muito bem acompanhados de suas digníssimas esposas. Circularam, posaram para fotos e cumprimentaram aliados e adversários, mostrando que, quando o assunto é festa, a trégua é geral.

Ba-ban-do
Um dos trios que mais chamaram a atenção no encerramento da folia baiana foi o que levou as cantoras drags Pabllo Vittar e Gloria Groove, puxado por Carla Cristina. Sob olhares revoltados de conservadores, a pipoca purpurinada prendeu a atenção de um certo vereador soteropolitano, que não desgrudava da sacada de um camarote badalado do circuito Dodô. Só faltou o leque.

Saudade da gelada
Diante do forte calor, jornalistas e comunicadores que foram à sala de imprensa do circuito do Campo Grande passaram por maus bocados. Apesar de climatizado, o ambiente não oferecia água gelada aos profissionais, que precisavam se contentar com um café de máquina. Nem mesmo o biscoito do patrocinador do Carnaval deu as caras. O que antes era referência virou motivo de piada entre os colegas, lembrando os velhos (e bons) tempos da Secom municipal.

Clima de paz
Petistas, comunistas e socialistas foram só festa no Aconchego da Zuzu durante a Mudança do Garcia, ocorrida na segunda-feira de Carnaval. O bom ambiente reforça um clima de paz entre aliados em meio às discussões envolvendo a chapa governista para as eleições. Há quem diga que a tensão mesmo só deve ficar mais visível em março, quando as conversas se intensificarem. Haja feijão para confraternizar com o povo.

Jogo de cena
O governador Jerônimo Rodrigues optou por cumprir agenda no interior durante o Carnaval e, politicamente, a estratégia se mostrou eficiente. Ao sair do epicentro da folia na capital, evitou ser associado aos problemas operacionais que marcaram a festa. Na memória que ficou em Salvador, prevaleceu a imagem de Luiz Inácio Lula da Silva sendo ovacionado no Campo Grande, em um momento simbólico e positivo para o grupo governista. Já o desgaste recaiu sobre a organização do evento, responsabilidade da prefeitura comandada por Bruno Reis. Com filas, atrasos e críticas à logística, o foco negativo acabou direcionado ao Palácio Thomé de Souza.

Prioridade seletiva
O prefeito de Salvador, Bruno Reis, tratou de justificar a ausência na recepção ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante a passagem do petista pelo Carnaval. Disse que estava trabalhando duro para garantir que a festa acontecesse. “Eu estava trabalhando para fazer o carnaval para eles se divertirem”, afirmou, ao apresentar o balanço da folia. Aham...

Figurante de luxo 1
A passagem do governador do Rio, Cláudio Castro, por Salvador passou praticamente em branco. Em meio à efervescência política e aos holofotes do Carnaval, pouca gente reconheceu o chefe do Executivo fluminense. Irrelevante no tabuleiro nacional, o bolsonarista circulou pelo Camarote Salvador durante dois dias de festa. Sempre com um copo de whisky na mão, caminhou quase sem ser rodeado, distante das rodas mais disputadas e dos flashes mais concorridos.

Figurante de luxo 2
ACM Neto também passou em branco neste Carnaval. Quem estava presente nos mesmos ambientes que os dois avaliou: o ex-prefeito da capital baiana parecia ficar “acanhado”, no canto, enquanto Bruno Reis dava entrevistas histriônicas. Fontes da NSP informaram que Bruno tentou dar uma forcinha para que a imprensa entrevistasse Neto em uma agenda durante a folia momesca. Vixee…

Inclusive...
É bom ACM Neto abrir o olho com Bruno Reis se quiser mesmo se eleger governador. A falta de bom senso do atual comandante do Palácio Thomé de Souza pode causar sérios danos para a campanha carlista neste ano.

Sem molejo
Se teve uma coisa que chamou a atenção da imprensa baiana foi a falta de remelexo de muitos políticos. Era uma coisa pior que a outra quando autoridades inventaram de colocar todo o gingado (ou a falta dele) para jogo. Que tal algumas aulas de dança? Bem, dinheiro é o que não falta.

Biruta de aeroporto
O secretário de Agricultura da Bahia, Pablo Barroso, não sabe dar uma resposta boa a nenhuma pergunta. Questionado sobre a atuação de sua pasta durante o Carnaval, ele falou de tudo, menos do assunto da pergunta, e ainda achou que estava arrasando.

"MiSturaro"
A postura do Coronel Sturaro durante o Carnaval deixou aliados do prefeito Bruno Reis com a orelha em pé. O militar reformado se jogou na pipoca (até aí tudo bem), defendeu a polícia de críticas de deputado bolsonarista (até aí mais ou menos), mas não foi muito bem digerida a pose para fotos ao lado de Jerônimo Rodrigues e Geraldo Júnior. Na sexta-feira de Carnaval, Sturaro estava nervoso em conversas pelo Campo Grande com nomes de primeiro e segundo escalões da gestão Bruno. A conversa que teve com Cacá Leão na sexta-feira ajudou a esfriar os ânimos? Ninguém sabe. Mas um deles se referiu ao coronel como "MiSturaro".

Toga no camarote
Engana-se quem pensa que juízes e desembargadores passam o Carnaval restritos aos gabinetes. Muitos foram vistos circulando pelos camarotes mais badalados da cidade, longe do ar sisudo dos fóruns. Não eram apenas magistrados. Membros do Ministério Público e defensores públicos também marcaram presença na área vip da folia. Nos bastidores, comenta-se que boa parte dos convites foi no esquema 0800.

Justiça na rua
Se houve surpresa institucional na folia, ela veio do Tribunal de Justiça da Bahia. Pela primeira vez, o órgão montou estrutura de atendimento direto no Carnaval, levando juízes para o circuito e tirando o plantão da zona de conforto dos fóruns e gabinetes. Em anos anteriores, o funcionamento ficava restrito ao modelo tradicional. Desta vez, a Justiça foi para a rua, em meio à multidão, numa mudança simbólica e prática. O presidente Rotondano fez questão de visitar os órgãos instalados no circuito, com atenção especial às estruturas da segurança pública. O foco das conversas foi a realização de audiências de custódia durante a própria festa, aproximando o Judiciário da operação do Carnaval.

Olha ele(s)...
A proximidade das eleições faz com que figuras da política intensifiquem suas aparições públicas. Algumas delas em situações até pouco comuns. É senador em abertura de ano letivo, ex-prefeito deixando o luto pós-eleição e aparecendo como "papagaio de pirata" do sucessor. É coisa...

Classificação Indicativa: Livre

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