Colunas / Na Sombra do Poder
Publicado em 18/09/2025, às 06h00 Editoria de Política
A Rainha do Píer
No píer dos arranha-céus mais caros de Salvador, onde o metro quadrado custa mais que um segredo bem guardado, uma socialite sem agenda lotada reina ao pôr do sol. Munida do brilho de Mounjaro e de um guarda-roupa que faz o Corredor da Vitória parecer passarela, ela desfila com a precisão de quem sabe que cada olhar é uma audiência. Jovens solteiros orbitam, hipnotizados; velhos casados, com alianças frouxas, arriscam brindes que se estendem até a lua tomar o turno da noite. Os vizinhos, com binóculos e chá de fofoca, já roteirizam o próximo hit da Netflix: Crepúsculo em Salvador, um drama onde taças tilintam mais alto que as ondas e os segredos dançam na penumbra. Quem será o próximo, jovem ou casado, a cair na rede da musa do píer? E o que sobra quando o sol nascer sobre os contratos matrimoniais abalados? No reality soteropolitano, o script está pronto, mas o final ninguém ousa prever.
Wandinha Municipal
Uma supersecretária da gestão municipal vem sendo chamada, por colegas e alguns servidores, de “Wandinha”. A personagem juvenil que faz sucesso no streaming caiu como uma luva para a moça. De perfil antissocial, sempre hiperfocada e de comunicação difícil, nossa Wandinha soteropolitana consegue agradar e desagradar gregos e troianos na gestão do prefeito Bruno Reis. Com humor sarcástico e um faro infalível para afastar desafetos, ela vem ganhando terreno no Thomé de Souza e já ameaça até alguns ventríloquos do cacique de Salvador. Tem gente se borrando de medo da moça.
O fantasma da Overclean
Nesta semana, o UOL trouxe uma matéria sobre a Overclean e a suposta denúncia do deputado Elmar Nascimento. No mesmo dia, a NSP flagrou um “quarteto fantástico” reunido em um restaurante de carnes nobres da cidade, onde aves e raposas tricotavam a pauta do momento. Um ex-prefeito participava do papo com olhos bem atentos e chamava atenção pelo copo longo recheado de Old Parr. A Operação Overclean, já em sua quinta fase, bateu forte na capital, em bairros bastante conhecidos da PF. Pelo que a Sombra ouviu, em breve virá mais uma etapa — desta vez mudando de bairro em Salvador e avançando também sobre cidades do sul do estado. Pelo jeito, o fantasma da Overclean vai assustar a galera mais uma vez...
A força que vem de Muniz
Essa semana, o presidente da Câmara, Carlos Muniz, mostrou que não está para brincadeira. Em plena sessão, enquadrou sem cerimônia o secretário da SMED, Thiago Dantas, lembrando os velhos tempos em que já tinha colocado o gestor contra a parede no episódio da Overclean. Ao vivo e a cores, para todos verem, Muniz deixou claro quem dá as cartas na gestão: não é o prefeito Bruno Reis, mas a Câmara Municipal sob sua batuta. Resultado: a turma do Palácio Thomé de Souza saiu com o rabo entre as pernas.

Bahiagás em chamas
Fonte ligada ao PCdoB deixou escapar que a cadeira do atual presidente da Bahiagás, Luiz Gavazza, está balançando. Os maus resultados da estatal e a falta de articulação política vêm desgastando sua permanência à frente da empresa. Integrantes próximos ao governador e à cúpula comunista já discutem um plano B, e nomes de possíveis substitutos começam a circular nos bastidores. Até o fim do ano, a troca é dada como praticamente certa.
Shows sob suspeita
Um empresário acostumado a abraçar várias bandas e prefeitos está sendo monitorado de perto pelas autoridades federais e estaduais. Envolvido na venda de shows de diversas bandas, sempre alinhado com emendas de deputados federais e prefeitos de mãos dadas, o rapaz, com jeito matuto e de tremendo mau cheiro, engordou seu patrimônio nos últimos anos colado nas datas de São João e Carnaval. Habitué da Saltur, dizem que ele mandava e desmandava nas grades de eventos municipais, empurrando “suas” bandas com valores gordurosos, sempre com a chancela de um deputado federal de peso. Agora, a fatura chegou — e, quando a viatura bater à porta, aquele sorriso podre e sempre aberto vai ser lavado com creolina na Lemos de Brito ou em algum presídio do interior.

A Sombra do Carbono
A Operação Carbono Oculto — aquela que devastou a Faria Lima há cerca de 30 dias, sugando o ar dos grandes fundos e arrastando investidores como folhas num furacão financeiro — já lança tentáculos para a terrinha soteropolitana. No coração da pequenina Tancredo Neves, onde os escritórios fingem ser oásis de criptomoedas e investimentos fora do padrão convencional, o pavor é tão palpável quanto o suor de um verão sem fim. O figurão em questão, todo tatuado nos braços como um diário de arrependimentos, topete em gel que desafia a gravidade, calça skinny e camisa coladinha que gritam “eu sou o deal”, anda de punhos fechados, sem dormir um piscar. Dentro de seu potente carro — importado, claro, e agora sob o radar de quem sabe — desfila pela avenida com o vidro fechado, 100% paranoico. Os vizinhos sussurram: ele captava os sonhos dos desavisados em cripto-miragens, mas agora o blockchain da Justiça não perdoa.
Os fantasmas das chaves importadas
Na Salvador das garagens climatizadas e avenidas que roncam com motores europeus, um esquema de compra e venda de carros surge como o novo pesadelo da elite. Baixas em documentos oficiais, assinadas sem o carimbo do proprietário — ou eles juram inocência com olhos de quem acabou de ver o saldo zerar —, o golpe atinge profissionais da saúde que trocam bisturis por chaves mestras e empresas da Estrada do Côco até Tancredo Neves, onde o luxo é lei e a fraude, exceção fingida. Polícia e Ministério Público, com radares afinados, já farejam o rastro: quando a operação estourar, não vai sobrar importado nas ruas sem placa de “procurado”. Os desavisados alegam ciência zero, mas o burburinho nos estacionamentos sussurra: quem rodou de graça e quem pagou o pedágio? No tabuleiro soteropolitano, nem o velho Pitubão viu tanta velocidade.

Redes sob vigilância
Na internet sem fronteiras, onde o filtro do Instagram é lei e o filtro solar, opcional, os jovens soteropolitanos elevaram a ostentação a arte olímpica. Informes chegam quentes: órgãos de fiscalização, com binóculos digitais afiados, agora dissecam fotos de jatinhos alugados e vídeos de vinhos que custam mais que dezenas de milhares de reais. Sinais exteriores de riqueza — carrões na garagem, taças tilintando ao pôr do sol, iates no Farol da Barra — incompatíveis com declarações de IR que cheiram a low cost. Haja néctar e nitro... A elite das redes, com stories mais polidos que unhas de gel, finge surpresa: “Mas é só pose!” Dizem que os órgãos de fiscalização, inspirados em red flags judiciais, já cruzam dados de likes com extratos bancários. Um post de viagem para Miami pode virar auto de infração mais rápido que um like. No tabuleiro da web baiana, quem ostenta demais dança no limite do xeque-mate fiscal. E o próximo frame? Um delete em massa ou um ajuste no imposto? O algoritmo do Leão não perdoa spoilers.
Máfia da prótese
A Sombra do Poder teve acesso a uma série de documentos em que um hospital e uma operadora de saúde estão deitando e rolando com as cirurgias que necessitam de próteses e cânulas. A dupla vem exigindo apenas um distribuidor para fornecer o material, condicionando a liberação — casada ou não — do procedimento. A prática, já denunciada no passado pelo BNews, fez alguns espertinhos do setor puxarem o freio de mão e desmontarem seus cartéis e monopólios. Nesse período, lanchas e mansões foram adquiridas pela turma e, quando a bomba explodiu, teve gente que até mudou de estado. Agora, parece que estão querendo voltar à cena do crime, mas a NSP está de olho e promete jogar querosene nessa turminha para expulsá-la daqui.
Fala mansa
Muito bom de papo, educado, afável e cavalheiro até na maneira de criticar, sem alisar, os adversários, o secretário Adolpho Loyola vem ganhando papel central na articulação pela unidade do time governista. O abraço em Angelo Coronel nesta quarta-feira, em Brasília, e a proximidade cada vez maior com o prefeito de Feira de Santana, Zé Ronaldo, são vistos como trunfos importantes para o maior interessado na solidez do grupo: Jerônimo Rodrigues.

A NSP contra violência doméstica
A NSP recebe muitas informações, muitas fotos, vídeos e todo tipo de imoralidade e indecência que envolve personagens da sociedade soteropolitana e nacional. Mas a NSP não se propõe a fazer investigação jornalística — deixa apenas registrado sua mais absoluta indignação com jovens, homens adultos, velhos, independentemente da idade, que espancam mulheres. Pode ser brasileiro ou árabe, chinês ou japonês: a NSP deixa um aviso. Assim que puder, revelará comportamentos sórdidos que não podem passar longe do conhecimento público. É questão de tempo.
O protetor de volta
A política da Bahia foi surpreendida nesta semana pelo anúncio da pré-candidatura de Marcell Moraes ao Senado pelo reformulado Partido da Renovação Democrática (PRD). A notícia pegou jornalistas de surpresa, que se questionaram se ele poderia se candidatar, já que perdeu o mandato e está inelegível desde 2020, quando foi condenado pelo TSE por abuso de poder econômico e propaganda eleitoral antecipada. Segundo o “protetor dos animais”, a punição contra ele começou a valer em 2018, quando as irregularidades aconteceram, e os oito anos sem poder se candidatar a cargos públicos vencem em 2026. A ver.

Vai manter?
Chamou atenção o tom que o presidente da CCJ do Senado, Otto Alencar, usou para garantir que a PEC da Blindagem não vai passar na Casa. “Não vai passar de jeito nenhum”, disse o senador baiano. Apesar da vontade de barrar o absurdo que é a proposta, vale lembrar que o texto também beneficia senadores, alguns deles enrolados com a Justiça. Não seria de se espantar se, num passe de mágica, a PEC fosse aprovada na Casa Alta.
Presidente fraco
Está à vista de todos o quanto o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), parece perdido no posto. Sem poder de articulação, fica refém das vontades dos bolsonaristas e membros do Centrão, do qual faz parte. No governo também não é bem visto, uma vez que não costuma cumprir a palavra. Sendo assim, não tem o respeito dos governistas, muito menos da oposição.

PEC da blindagem
O que chamou a atenção desta coluna na votação da escandalosa PEC da Blindagem, que propõe que senadores e deputados só possam ser investigados com autorização do Poder Legislativo, foi que todos os aliados do ex-prefeito de Salvador ACM Neto votaram a favor da proposta. O União Brasil, aliás, votou em peso, assim como o PL e o PP.
Sem tanto faz
Valdemar Costa Neto resolveu botar ACM Neto no colo e já avisou que o PL vai apoiar o ex-prefeito em 2026 ao Governo da Bahia. Segundo o chefão, “desta vez” Neto terá candidato a presidente — provavelmente Tarcísio — e receberá, claro, o empurrãozinho do bolsonarismo. Desta vez, parece que o herdeiro carlista não vai ter nem a opção de ficar em cima do muro, na tentativa de atrair eleitores da base de Lula.

Madeixas blindadas
Relator da PEC da Blindagem, o deputado Cláudio Cajado (PP-BA) resolveu inovar no visual e apareceu na Câmara com uma cabeleira vistosa, penteada no melhor estilo Zé Bonitinho. Entre um voto e outro, virou assunto nos corredores de Brasília: se a PEC não blindar de vez os caciques, pelo menos o spray já blindou o topete do parlamentar.

Disputa santa
Embora o mais famoso seja São Carlo Acutis, outro santo canonizado neste mês pelo papa Leão XIV, Pier Giorgio Frassati gerou disputa entre esquerda e direita. Na vida do jovem falecido aos 24 anos, em 1925, está a resistência que empreendeu ao fascismo, visto por ele como uma tirania incompatível com o cristianismo. Os direitistas, que afirmam que o fascismo é de esquerda, dizem que Frassati os denunciaria hoje; do outro lado, fascista é a direita. No meio desse fogo cruzado, por quem intercede o novo santo?

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