Colunas / Na Sombra do Poder
por Editoria de Política
Publicado em 25/09/2025, às 06h00 - Atualizado às 06h05
Sassa Mutema do Buzu
O prefeito Bruno Reis resolveu dar uma de Sassa Mutema da vida real. Quem não se lembra do personagem de Lima Duarte na novela da Globo, que dizia salvar o país de todo o mal e acabou acusado de um crime violento? Pois é, a vida imita a arte. Depois de anos reclamando e se queixando do combalido e decadente sistema de transporte da capital, nosso prefeito agora resolveu pongar na patacoada do presidente Lula e oferecer tarifa zero nos ônibus da cidade. O mundo inteiro sabe que a gestão do ex-prefeito ACM Neto derrubou as concessionárias de ônibus da capital com outorgas indecentes, e Bruno Reis, quando herdou a administração, acabou de sepultar a turma. Como diria um sábio morador da Ilha de Itaparica: “Me bata um abacate, e sem açúcar.”
Vou mergulhar
ACM Neto tem o hábito de correr pela Barra, cartão-postal de Salvador. Mas fica a pergunta: será que, entre um trotezinho e outro, ele passou por lá no domingo passado e viu a manifestação contra a PEC da Blindagem? A manifestação, aliás, reuniu grande adesão popular contra a proposta aprovada na Câmara com apoio do centrão, mas rejeitada ontem na CCJ do Senado. O povo foi às ruas mostrar que não aceita calado mais um “escudo” para a classe política. Será que Neto, sempre atento à sua imagem e aos ventos da política, percebeu o recado? Ou preferiu mergulhar em silêncio estratégico? Jogou, jogou, balançou... Vou mergulhar.
Veleiros, madames e a BTS
Na Baía de Todos os Santos, os veleiros viraram palco de um desfile de madames e playboys que fariam qualquer bordel — ouro, bronze ou platinum — corar de inveja. Fotos quentes, mais ardentes que filme adulto, circulam como troféus entre os iniciados. Não é só o calor das cenas que incendeia: é a nitroglicerina pura dos personagens envolvidos, um elenco que mistura ostentação e segredos mal guardados. Se os iates dos maridos navegassem perto desses veleiros, não seria só a água que entraria — o barco inteiro naufragaria sob o peso das fofocas. Fala-se que Salvador assiste, de binóculo em punho, a um escândalo que ninguém ousa comentar.

Agro na berlinda
O trabalho de Pablo Barrozo à frente da Secretaria de Agricultura da Bahia deixa muito a desejar. Assumiu após Tum e a pasta, que já tinha desafios, desceu ladeira abaixo sob sua gestão. Estamos numa Bahia sem agro. Os resultados do gestor foram pífios e mostram que ele não domina a área, estando mais voltado à política do que ao desenvolvimento do setor. A expectativa agora é de que Jerônimo Rodrigues mexa na pasta, tentando dar algum fôlego a uma secretaria que segue sem rumo.

Bomba no colo
Mal chegou à Secretaria de Administração e já está com um pepino para resolver. O secretário Rodrigo Pimentel determinou uma apuração rigorosa de uma denúncia envolvendo assédio moral no alto escalão do governo Jerônimo. Na última quarta-feira (24), foi instaurada uma sindicância para investigar a denúncia, que já chegou aos ouvidos do Ministério Público do Trabalho (MPT). Segundo fontes da NSP, as queixas de trabalho excessivo também podem desencadear novas investigações, caindo mais uma vez no colo da Saeb.
Dobrou a aposta
Mesmo com a recomendação do MP-BA de não votar o polêmico projeto que desafeta áreas e muda o ordenamento do uso do solo em Salvador, os vereadores dobraram a aposta e pagaram para ver. Mais uma vez o tema promete ser judicializado e uma nova polêmica se aproxima da Câmara, que tem se especializado em reunir as mais variadas tretas nos últimos meses.

Para que todo esse segredo?
Durante a votação do projeto que altera a Louos na Câmara, uma coisa chamou atenção: as emendas. Não pelo conteúdo apresentado, mas justamente pelo contrário — não se sabia qual era o conteúdo. Os edis apresentaram emendas secretas ao projeto, que foram aprovadas sem que ninguém soubesse do que se tratava. Como um político eleito pelo povo apresenta e outro aprova um texto que vai impactar a vida da população e não quer que ninguém, além deles, saiba do que se trata? Um absurdo da falta de transparência.
Faltou combinar
Por falar em confusão, nem mesmo os aliados estão se entendendo na Casa Legislativa soteropolitana. Na última quarta-feira, durante a sessão de votação de projetos, a vereadora Aladilce Souza (PCdoB) votou contra a emenda do colega de partido Hélio Ferreira (PCdoB), em meio à discussão do texto que autoriza subsídio ao transporte público. Ficou um climão. Somado ao episódio envolvendo Kiki Bispo e Carlos Muniz, não será estranho se encontrarmos um ringue montado nos próximos dias no plenário para resolver os conflitos entre os edis.
Língua de chicote
O presidente da Câmara Municipal, Carlos Muniz, estava com a língua mais afiada que navalha na sessão. Sem papas, brigou com Kiki Bispo quando o líder governista pediu para retirar um projeto em votação, debochou de Aladilce Souza pela falta de comunicação com a oposição e ainda questionou por que um vereador falou sem sua autorização. Atenção, vereadores: na próxima sessão estejam prontos para ser a próxima vítima do coice.
Alô, prefeito
Antes da votação, a NSP flagrou o presidente da Câmara tentando viabilizar os projetos do dia entre os vereadores. Em determinado momento, diante de impasses nas discussões envolvendo o reajuste dos professores, Muniz tentou resolver com quem tem a caneta na mão. Sem esconder, ele prontamente atendeu a ligação de Bruno Reis no meio do plenário e, em alto e bom som, fez questão de mostrar que está alinhado com o município: “Alô, prefeito!”. Há quem diga que o episódio foi o estopim para a ciumeira de Kiki, respingando no que aconteceu no púlpito horas depois.

O sistema é f*
A crítica de Wagner Moura à gestão da Cultura da Bahia expôs como está rachado o setor diante dos rumos da pasta. Em meio a abaixo-assinado e nota de repúdio, Bruno Monteiro vive momentos conturbados e tenta se apoiar em pautas que ainda não caíram 100% na graça dos principais produtores culturais. A artilharia vem principalmente de artistas teatrais, que enxergam falta de rumo na Secult e privilégio a ações que não abarcam as principais necessidades do estado.
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Equívoco
Um estrategista da direita baiana avaliou que a votação da PEC da Blindagem, também chamada de PEC das Prerrogativas por quem a apoiou, serviu para ressuscitar a esquerda nas ruas. O texto, segundo ele, foi amplo demais e deveria apenas assegurar a liberdade dos parlamentares no que já está previsto na Constituição: a imunidade por palavras e votos. A inclusão de crimes comuns atraiu o interesse do Centrão, mas deu munição à esquerda e a quem tem sensatez à esquerda, ao centro e à direita. A esquerda, que já não conseguia encher nem praça, voltou a tomar ruas e avenidas Brasil afora.
Perdido no personagem
Pegou mal para o senador Angelo Coronel (PSD) a demora em anunciar sua rejeição à PEC da Blindagem. Último dos três senadores baianos a se pronunciar, Coronel se viu numa saia justa após o filho Diego ter votado a favor da proposta na Câmara dos Deputados. A “fraquejada” surge num momento em que aumentam os rumores sobre sua saída da chapa majoritária de 2026.

Porteira fechada
A prefeita de Morro do Chapéu, Juliana Araújo, bem que tentou, mas ao que tudo indica será mais uma das aliadas de ACM Neto a migrar para o grupo governista. Uma das poucas figuras do PDT que não aderiram à base de Jerônimo Rodrigues, Juliana dá sinais de que a resistência enfraqueceu e acena para apoio à reeleição do petista. Vale lembrar que o partido trabalhista retomou a aliança com o PT há pouco tempo e alguns quadros ainda se opõem à união.
De saco cheio
Os embates entre o bolsonarista Diego Castro (PL) e a comunista Olívia Santana (PCdoB) se acirram a cada semana e ligam um sinal de alerta. São raras as vezes em que os dois não entram em debates ferozes no plenário da Alba. As brigas já ganharam os holofotes diversas vezes, mas até os jornalistas que acompanham a rotina da Casa parecem ter enchido o saco de tanta confusão.

Partido velho
Desde que José Carlos Aleluia assumiu o comando do Novo na Bahia, integrantes antigos do partido ensaiam uma debandada se não for revertida a dissolução da Executiva Estadual. Esperam apenas o resultado de um pedido de liminar; se o pedido for indeferido, nomes como Priscila Chammas e Gabriel Venturoli devem se desfiliar. No entendimento deles, se o cenário se confirmar, o Novo estará oficialmente rendido à velha política.

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