Colunas / Na Sombra do Poder
Publicado em 15/10/2026, às 06h00 Editoria de Política
A Serpente e o Judas
Na política baiana, a gratidão tem prazo de validade, a fidelidade muda de endereço e a traição costuma ser servida com sorriso e abraço apertado. Desde os tempos dos grandes coronéis, padrinhos descobriram que afilhados também têm dentes, e governadores aprenderam que o poder transforma aliados em adversários antes mesmo de esfriar o café. Décadas depois, a tradição atravessou gerações: antigas companheiras de trincheira trocaram juras de lealdade por acusações públicas, enquanto, no interior, até os laços de sangue sucumbiram à disputa pelo trono. Entre exonerações, acordos esquecidos e alianças desfeitas, a ingratidão virou quase patrimônio imaterial da política baiana. O curioso é que todos se apresentam como vítimas, ninguém reconhece o punhal e sempre aparece um novo padrinho disposto a confiar. Na parábola do poder, a serpente oferece a maçã, Judas distribui beijos e as trinta moedas circulam de mão em mão. Mas há um detalhe intrigante: na Bahia política, ninguém sabe ao certo quem é a serpente, quem é Judas e quem será o próximo crucificado, mas a NSP vai decifrar depois do dia 25.
O Albanês
Dizem que os albaneses têm tino para os negócios, mas, no Nordeste brasileiro, um personagem de sotaque estrangeiro estaria elevando essa habilidade à categoria de arte circense. Nos bastidores, corre a história de um empresário que faz chover oportunidades onde outros enxergam apenas editais, emendas e panelas. O rapaz, segundo as línguas afiadas, dá nó em pingo de éter e ainda pergunta se pode embrulhar para viagem. Entre articulações políticas e o cobiçado mercado do dinheiro publico, o carnaval empresarial parece não ter quarta-feira de cinzas. A curiosidade é descobrir qual a receita de tamanha desenvoltura: estratégia comercial, bons contatos ou algum tempero que não aparece no cardápio? O mistério não é saber quem trouxe a receita da Albânia, mas quem está convidado para o banquete. E, sobretudo, quem paga a conta.

Prato do Ovo
Em Salvador uma disputa por contratos de alimentação anda despertando curiosidade nos bastidores. Fala-se de uma licitação envolvendo oito unidades e de um concorrente que teria mergulhado tanto no preço que quase precisou de equipamento de mergulho para encontrar a margem de lucro. A proposta, segundo o zum-zum-zum, foi de deixar adversários com indigestão e nutricionistas com uma pergunta na ponta da língua: como servir comida de qualidade fazendo tamanha ginástica financeira? Entre planilhas, pregões e promessas de refeições balanceadas, a ironia já ganhou tempero popular: se o preço continuar descendo, a carne vira lembrança, o frango ganha asas e só o ovo permanece no prato. Na matemática da fome, o menor preço não pode significar a menor refeição. Afinal, o povo precisa de comida na mesa, não de um milagre na panela. E ovo, sozinho, não faz banquete.

A Doutora do Coração Político
Na Bahia das campanhas eleitorais, onde se disputam votos, alianças e promessas, até o coração resolveu entrar na urna. No roteiro que circula como folclore de bastidores, uma médica teria despertado inesperado interesse num político de aliança no dedo e agenda eleitoral movimentada. Entre caminhadas, reuniões e compromissos de campanha, o estetoscópio ganhou concorrência com o cupido, esse cabo eleitoral que não respeita coligação. A história alimenta uma pergunta: seria apenas simpatia de campanha ou um daqueles romances que começam com um aperto de mãos e terminam exigindo uma reforma ministerial dentro de casa? Na medicina, coração acelerado pede diagnóstico. Na política, pede discrição. E no casamento, dependendo do resultado das urnas sentimentais, pode acabar em segundo turno.
Trancoso ou Cannes
O temor pela revelação de mais mensagens do celular de Vorcaro anda deixando alguns políticos e autoridades inquietos. O dono do Banco Master já demonstrou diversas vezes a vontade de colaborar com a PF e entregar mais detalhes sobre seus contatos. Fontes ligadas à NSP dão conta de que as mensagens que envolvem o episódio conhecido internamente como "Cine Trancoso" já são encaminhadas frequentemente entre os investigadores. O medo maior é o vazamento de vídeos que podem comprometer tanto a reputação dessas figuras públicas quanto alguns casamentos.

A Guerra de Léo Prates
Léo Prates já deixou incontestável e irredutivelmente registrado que seu sonho tem endereço certo: o Palácio Thomé de Souza, em 2028. Depois de circular pelos corredores do poder municipal e desembarcar no Republicanos, o deputado parece disposto a disputar cada bairro de Salvador, cada liderança, e conta com o apoio da matriarca de ACM Neto. O problema é que, no xadrez soteropolitano, sobram padrinhos, pretendentes e donos imaginários da cadeira. Nos bastidores, já se especula até sobre o inimaginável: o antigo aliado de ACM Neto atravessando pontes políticas para conversar com Rui Costa e Ronaldo Carletto, se não houver definição a tempo e a modo devidos. Nada confirmado, naturalmente. Mas, na Bahia, adversário de ontem pode virar companhia de amanhã, sobretudo quando o assunto é poder. Entre abraços improváveis, antigas fidelidades e novos interesses, uma pergunta promete movimentar os corredores: até onde Léo estaria disposto a ir pelo sonho de 2028? Na guerra pelo Thomé de Souza, o leão pode até mudar de toca. O difícil será descobrir quem aceita dividir o osso e quem terminará devorado pelo próprio apetite político.

Sentiram o golpe
A oposição na Bahia sentiu o golpe da derrota nas urnas. A vitória de Jerônimo Rodrigues bagunçou de vez o tabuleiro do grupo liderado por ACM Neto, que agora junta os cacos para tomar decisões importantes para sua sobrevivência. Agora, todas as fichas estão depositadas em Flávio Bolsonaro, mas, se ele tomar a virada e perder para Lula, a situação vai ficar ainda mais complicada.

Legado em xeque
Aliados de ACM Neto apontam mais um erro de cálculo na decisão do ex-prefeito de Salvador de apoiar Flávio Bolsonaro. Nos bastidores, lembram que Neto já teria errado a mão na articulação que resultou na fusão entre DEM e PSL, movimento que deu origem ao União Brasil. Agora, avaliam que o ex-prefeito corre o risco de comprometer outro patrimônio político: o legado da família Magalhães na Bahia, ao aproximá-lo do bolsonarismo. A preocupação é que uma aliança nacional acabe colocando em xeque a identidade política construída ao longo de décadas pelo grupo.
O povo tomando as rédeas
A mobilização a favor de Lula que tomou as ruas do Brasil nos últimos dias pegou muita gente de surpresa, inclusive a cúpula do PT. Fato é que as barbeiragens da coordenação da campanha do petista irritaram os militantes. Os erros foram tantos que parecia que não queriam ganhar a eleição, e precisou o povo tomar as rédeas para dar uma sobrevida ao presidente. Se isso vai ser suficiente para virar o jogo, só saberemos no dia 25 de outubro.

Faz o L
O presidente da Câmara de Salvador, Carlos Muniz (PSDB), não faz questão de esconder seu apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao Palácio do Planalto. Desta vez, o tucano fez o famoso "L" durante uma sessão na Casa Legislativa, e o momento logo repercutiu no meio político. Aliado de ACM Neto, Muniz vai na contramão do cacique da oposição, que, após meses do "tanto faz 2.0", assumiu o apoio a Flávio Bolsonaro para o Palácio do Planalto. Em entrevistas, Muniz já deixou claro que Lula é o candidato mais qualificado para o Executivo... Vixe...

Expectativa
É grande a expectativa em torno da manifestação de Flávio Bolsonaro em Salvador no próximo sábado (17). Os olhos estarão voltados principalmente para os prefeitos que estarão presentes no ato. Será um teste de fogo para ACM Neto, que se comprometeu a levar um grande número de gestores para o evento.
Não foi de bom tom
A concessão do título de cidadão soteropolitano a Flávio Bolsonaro parece ter desagradado bem mais do que agradado à população baiana. Desde o anúncio da entrega da honraria ao filho "01" de Jair Bolsonaro (PL) em um ato no Farol da Barra, publicações que abordam o tema têm sido bombardeadas com comentários negativos. Desta vez, até um abaixo-assinado foi criado para tentar barrar a homenagem ao candidato à Presidência... A Câmara Municipal de Salvador (CMS) parece ir na contramão do que a população soteropolitana realmente acredita.

Quem pediu?
Um dado interessante sobre a homenagem que concederá o título de cidadão soteropolitano a Flávio Bolsonaro. O autor da proposta, derrotado nas urnas ao tentar se eleger deputado, recebeu 34 mil votos na corrida eleitoral e não conseguiu a cadeira na ALBA. Para magoar ainda mais o perdedor, só o abaixo-assinado contra o projeto de cidadania ao filho de Jair Bolsonaro, que já tinha pelo menos 70 mil assinaturas até as 17h de quarta-feira. Faltou estar alinhado com o que o eleitorado queria.
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