Colunas / Na Sombra do Poder
Publicado em 04/09/2025, às 06h00 - Atualizado às 06h01 Editoria de Política
Swing de luxo
Um famoso rooftop da capital vem sendo palco de alguns encontrinhos pra lá de "diferentes". Um artista plástico local, uma ex-parlamentar e um empresário do ramo varejista comandam a brincadeira. Tudo começa ao entardecer, e a tática é sempre a mesma: cada anfitrião convida seus convidados (casais) e o esquenta começa sempre às 18h30. Entre drinks e boas risadas, a galera vai se soltando e o papo vai esquentando. O limite do “baba” é sempre de 10 pessoas, contando com os anfitriões. O clima esquenta e cada participante procura seu par. Às vezes, a ex-parlamentar separa as duplas e a festa segue até a madrugada, tudo regado a muito Negroni e Aperol. No dia seguinte, ninguém se conhece e a vida segue linda entre os belos escritórios da Avenida Tancredo Neves e as lojas do badalado Shopping Barra. Doce Salvador.
SMS de convenções
A Secretaria Municipal de Saúde promoveu um regabofe que custou 60 mil reais aos cofres públicos, mesmo com a pasta já combalida e enfrentando um déficit de cerca de 800 milhões de reais. Entre comes e bebes, parecia mais uma convenção de celebração do que um encontro de planejamento de políticas públicas. A quem interessa esse tipo de evento em meio à crise financeira da saúde? Pergunta-se: se a prioridade fosse o cuidado com a população, seria este mesmo o destino do dinheiro?

O califa das obras
O famoso árabe baiano segue liderando o ranking de médias obras na capital. O rapaz, muito astuto, vem, entre esfihas e quibes, conquistando praticamente todos os certames quando o assunto é Sucop e Seinfra. Especialistas e curiosos observam que sua habilidade em transitar entre licitações e festas gastronômicas tem garantido contratos sucessivos, sempre com rapidez e eficiência que impressionam. Entre um evento e outro, a impressão é de que nada escapa à sua mira (nem mesmo os concorrentes mais atentos). Halili.
Wagner pode mexer
O senador Jaques Wagner vem sendo cotado em Brasília, depois de toda a movimentação para assumir o Ministério das Relações Exteriores. Como bom Coringa, ele se encaixaria bem em qualquer setor do combalido governo Lula. Antes de conferir, é bom ficar de olho nos próximos movimentos.

O clã dos Otto
Otto Alencar pai já tem todo o futuro político dos seus herdeiros alinhado. Ottinho Alencar vai mesmo para o TCM, garantindo espaço estratégico na máquina pública. Já o médico Daniel Alencar se prepara para disputar uma cadeira no Congresso em 2026, ampliando a presença da família na política baiana. Entre planejamentos e articulações discretas, fica claro que o clã dos Otto segue firme na construção de seu legado.

Na berlinda
O clima na política baiana ficou mais quente que o sol de meio-dia no Pelourinho nas últimas semanas, contrastando com o clima frio que recai sobre Salvador. Um conhecido figurão, que até semana passada desfilava como favorito na corrida por uma vaga de alto escalão para a corrida eleitoral de 2026, agora pode trocar santinho por intimação. A Polícia Federal está prestes a bater à porta do moço, e não é para pedir voto. Investigado por suspeitas que correm mais rápido que boato em interior, o candidato pode acabar virando peça descartável na eleição do ano que vem. Por ora, aliados juram lealdade, mas, nos bastidores, já tem gente afiando a tesoura para cortar o nome do encrencado da lista de apostas.

“Saiu do armário”
A decisão da Federação União Progressista de desembarcar do governo Lula, esta semana, em pleno julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro e mais sete réus no Supremo Tribunal Federal (STF) por acusações de tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022, pode ter impactos na Bahia. A Federação ordenou que os quatro ministros das siglas, que ainda estão no governo, deixem os cargos a contragosto de alguns deles. Além disso, os dirigentes do União e do PP querem que os seus filiados saiam em defesa da pauta da anistia aos envolvidos nos atos golpistas do 8 de janeiro. Segundo o governador Jerônimo Rodrigues, essa decisão faz o ex-prefeito de Salvador ACM Neto “sair do armário”. Neto adotou, no último pleito eleitoral para o governo da Bahia, a estratégia fracassada do “tanto faz” e não se posicionou a favor nem de Lula nem de Bolsonaro, na ocasião. Agora, pelo visto, ele assume de vez o flerte com o bolsonarismo, mas será que essa estratégia vai colar no eleitor baiano, que aprova com 60 por cento o governo Lula? ACM Neto pode estar dando mais um tiro no pé e abrir o caminho para a reeleição de Jerônimo?

Sinais
Os rumores que dão conta de Ivana Bastos na vice de Jerônimo Rodrigues voltaram com força nos últimos dias. Rondam nos bastidores que, diante de pomposas recompensas, o senador Ângelo Coronel teria desistido de tentar a reeleição, abrindo caminho para Rui Costa na chapa majoritária. Interlocutores mais atentos já notaram que a presidente tem intensificado a presença nas pautas do governador, seja na capital ou no interior, em ritmo intenso de pré-campanha.

Machismo
Por falar em Ivana, ela deu uma boa resposta ao seu colega de Alba, Alan Sanches, nesta semana. Alan perdeu a linha, subiu o tom e foi grosseiro com a presidente após não ter um pedido de contagem de quórum atendido. O comportamento causou estranheza até mesmo em aliados, já que o ex-líder da oposição sempre foi cordial com todos, inclusive adversários. À imprensa, Ivana não escondeu que o episódio causou mal-estar e apontou que a causa do destempero tem nome: machismo. “Se tivesse sentado ali um presidente homem, não teria acontecido aquilo”, disparou a presidente.
E a Codevasf?
A pergunta que não quer calar é: Elmar Nascimento vai entregar o controle da Codevasf? A dúvida surge após o ultimato feito a membros do União Brasil e do Progressistas para a entrega dos cargos do governo Lula. O desembarque ocorre após a oficialização da federação União Progressista, formada pelos dois partidos.

A saideira pero no mucho
O anúncio feito esta semana pelos presidentes do União Brasil, Antônio Hueda, e do PP, Ciro Nogueira, determinando que filiados “detentores de mandatos” deixem os cargos que ocupam no governo Lula não vai eliminar o poder que integrantes de peso das duas siglas têm na gestão federal. Os apadrinhados do deputado Arthur Lira (PP-AL) e Davi Alcolumbre (União-AP), que ocupam posições-chave de órgãos e estatais como Caixa Econômica, Codevasf, Telebras e Ibama, vão permanecer em seus lugares. É que nenhum deles são “detentores de mandatos”.
Lira dentro
O racha em relação ao posicionamento do PP com o governo está evidente. Em conversa com esta coluna, o deputado Arthur Lira deixou claro que não vai se mover um centímetro em direção ao que anunciou o presidente de seu partido. Perguntado se deixaria de votar com o governo, o ex-presidente da Câmara respondeu com outra pergunta: “Você me viu ontem no anúncio de Ciro Nogueira? Então está claro de que lado estou”, resumiu Lira.

Na encolha
O deputado federal Mário Negromonte Jr. (PP), presidente estadual do partido, resolveu se recolher e não dar declarações públicas sobre o rompimento da federação União Brasil–PP com o governo Lula. Enquanto lideranças nacionais já se movimentam e marcam posição, o baiano preferiu adotar a tática do silêncio, evitando qualquer exposição no meio da crise.
Centrão é Centrão e vice-versa
Parlamentares do Centrão avaliam que a tão propalada debandada do bloco para a oposição ao governo não vai ser assim tão pra valer como fazem crer as manchetes, pelo menos não até a definição do cenário eleitoral de 2026. Um líder na Câmara de um dos maiores partidos da Casa respondeu enfático, ao ser indagado pela nossa reportagem se continuará apoiando o governo Lula: “Com certeza!”. Mas também foi enfático ao garantir: “Em 2026, teremos candidato e não vai ser Lula”.
Vale esperar
Um decreto que deve ser anunciado nos próximos dias pelo governo federal vai agilizar o lado de bares, restaurantes e supermercados que lidam com vales refeição e alimentação. A medida vai estabelecer um teto de aproximadamente 3,5% para as taxas cobradas dos estabelecimentos e reduzir para apenas dois dias o prazo de repasse dos pagamentos pelos vales trocados. Hoje, a espera pelo reembolso pode chegar a até 60 dias. O projeto está sendo tocado em parceria pelos ministérios da Fazenda e do Trabalho. Em reunião recente, os ministros Fernando Haddad e Luiz Marinho revisaram o texto final com suas equipes.

Ficha curta
O Senado aprovou mudanças na Lei da Ficha Limpa que aliviam a vida de políticos condenados, permitindo que voltem a disputar eleições mais cedo. Entre os que deram o “sim”, três baianos: Jaques Wagner (PT), Ângelo Coronel (PSD) e Otto Alencar (PSD). Os senadores da Bahia acabaram lado a lado com figuras como Flávio Bolsonaro (PL), que também apoiou o afrouxamento da regra.

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