Colunas / Na Sombra do Poder
Publicado em 25/12/2025, às 06h00 Editoria de Política
Torres de luxo e lixo
Algo de muito estranho paira no ar das grandes e luxuosas torres residenciais da capital baiana. Do Horto à Vitória, o que se observa é uma sucessão de absurdos entre vizinhos e convidados, até mesmo funcionários dos condomínios. No bairro florestal, playboys bombados assustam vizinhos e amedrontam zeladores e babás. Síndicos partem para cima de moradores com fúria e ódio, simplesmente pelo uso de academia, sem falar na constante visita da Polícia Federal nos megacondomínios arborizados. Já na Vitória, vizinhos afogam crianças em jacuzzi, tudo isso regado a verdinhas e muitas piadas de mau gosto entre condôminos. Ora vejamos: se fosse nos condomínios habitacionais do povão, onde o bicho pega 24h, seria motivo para programas sensacionalistas explorarem com louvor e humor negro a guerra dos vizinhos, regada a pérgola e salame calabresa; porém, entretanto, todavia, nos suntuosos espigões da nobreza tupiniquim baiana, tudo é abafado em questão de horas, com muito Vega Sicília e foie gras com torradinhas. Roteiro perfeito de uma sociedade apodrecida e doente pós-COVID, sem sinal de cura ou de qualquer gesto de humildade com o próximo. Torres que criam um futuro caótico e abismático, criando e “ensinando” a uma nova geração como devastar relações e proliferar cólera. Do luxo ao lixo.
O inferno astral de Bruno Reis
A aprovação de Bruno Reis sofreu uma queda expressiva em Salvador segundo o levantamento anual da Atlas Intel, que mede a popularidade dos prefeitos das capitais e grandes cidades do Brasil. A pesquisa de 2025 aponta que o pivete do Calabar tem hoje 56% de aprovação e 30% de reprovação, muito distante do desempenho registrado no ano anterior (79% de aprovação e apenas 15% de reprovação). Um 2025 pífio, reflexo da decepção do eleitorado diante do abandono da cidade após a eleição, descaso com os professores, venda de áreas verdes e das revelações bombásticas da Overclean - que colocaram aliados do gestor na berlinda. A cereja do bolo, inclusive, foi o aluguel ainda não esclarecido do Elevador Lacerda para um buffet de luxo de uma empresária amiga... Se continuar nesse ritmo, Bruninho não deve nem servir para cabo eleitoral de ACM Neto na próxima eleição.

Tanto faz? 1
Parece que, desta vez, ACM Neto terá que deixar a sua indecisão de lado e tomar um partido — que não será o União Brasil. Agora oficialmente pré-candidato ao governo da Bahia, muitos querem saber: o ex-prefeito de Salvador, finalmente, irá assumir a sua aproximação com o clã bolsonarista ou ficará em cima do muro? Bem... O recado dos aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro já foi dado: “Sem apoio ao capitão, sem apoio ao governo da Bahia”. O que será que ele vai fazer agora?

Tanto Faz? 2
No entanto, tanto ele quanto Bruno Reis ainda ficam em cima do muro e pisando em ovos para declarar um possível apoio a Flávio Bolsonaro, candidato da direita que, até o momento, pontua melhor nas pesquisas de opinião. A preferência de Neto é por Tarcísio de Freitas, que já declarou que vai para a reeleição em São Paulo. Caso o governador de SP não entre na disputa presidencial, a estratégia do "tanto faz", perdedora em 2022, parece rondar de novo a campanha carlista. Integrantes do PL já declararam que, sem o apoio explícito de Neto ao filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, não irão embarcar na campanha.
Acordo?
Otto Alencar Filho tomou posse como conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE) nesta terça-feira (23). Em entrevista à imprensa, o deputado federal negou a existência de um acordo como prêmio de compensação para Otto Alencar para tirar Angelo Coronel da chapa. Será mesmo? Aguardando os próximos capítulos.

Erro material
A ALBA resolveu testar uma tese curiosa nesta segunda-feira (22): se a Justiça não avisou oficialmente, então não existe. Mesmo com decisões judiciais suspendendo a tramitação, a Casa levou a plenário, em votação secreta, a indicação do deputado federal Josias Gomes para o TCE e aprovou o nome por 39 votos a 4, sob o argumento de que tudo estava formalmente em ordem. O governador Jerônimo Rodrigues caprichou no currículo enviado, a oposição protestou, a presidência disse que seguiu orientação jurídica, e a base tratou a suspensão como um “erro material” quase filosófico, questionando até a existência de auditores que reclamam na Justiça. Enquanto isso, o caso segue pendurado no STF, mas, na política baiana, ao que parece, a máxima continua valendo: primeiro vota, depois se vê.

Harmonização da discórdia
Desde que veio à tona o pedido de R$ 123 mil para bancar harmonização dentária e rejuvenescimento facial, o deputado José Rocha resolveu ampliar o conceito de “ressarcimento” e passou a cobrar da colunista Andreza Matais atenção em tempo integral. O baiano fez ataques em grupos de WhatsApp e até discurso no plenário questionando a ética da jornalista; tudo isso apesar de as reportagens terem ouvido o parlamentar, publicado sua versão e desmentido informações ditas por ele próprio. A NSP soube que o parlamentar procurou até mesmo o ex-senador Luiz Estevão, dono do Metrópoles, pedindo providências contra a jornalista.

Mérito bolsonarista
A ALBA decidiu que serviços prestados à Bahia podem vir direto do Rio de Janeiro. A Casa aprovou a entrega da Comenda 2 de Julho ao governador fluminense Cláudio Castro, sob o argumento de contribuição concreta à segurança dos baianos e de exemplo no combate ao crime. Resta a dúvida que ecoa nos corredores: exatamente o que ele fez pela Bahia para merecer a mais alta honraria do Legislativo estadual? Natural de Santos, gestor de um estado com seus próprios e notórios problemas na área da segurança, Castro agora entra na lista de homenageados locais, reforçando uma tendência recente de distribuir títulos e medalhas a políticos de fora, desde que alinhados ideologicamente.

O recado de Alden
O deputado federal bolsonarista resolveu mandar um recado direto e sem muito rodeio sobre 2026: o PL não pretende ser figurante no projeto eleitoral de ACM Neto. Capitão Alden reclamou que o grupo do ex-prefeito de Salvador teria empurrado o partido para o escanteio e defendeu que a legenda volte a apostar em João Roma para o Palácio de Ondina, repetindo o roteiro de 2022. Para ele, só faria sentido apoiar Neto se houver um compromisso explícito com a direita baiana. "Perder por perder, já que vamos perder, melhor que seja de uma forma a fortalecer nossa base", alfinetou. Xiii...

Pé de chinelo
O boicote contra as Havaianas, pelo menos em Salvador, foi um tiro que saiu pela culatra. Em várias unidades, o que se viu foram filas intermináveis de clientes comprando presentes de Natal.
Vizinho inesperado
Depois de quase três anos de sede inaugurada, o PSOL-BA ganhou um vizinho inesperado: um ponto de carga e descarga bem em frente à porta. Para o presidente do partido, Ronaldo Mansur, não foi obra do acaso, mas “perseguição política” em versão urbana. Em postagem nas redes, ele ironizou a súbita atenção da Prefeitura de Salvador à Rua do Meio e disparou: “Coincidência? Não!”. Mansur classificou a medida como “mais uma tentativa de intimidação” e avisou que seguirá fazendo oposição à gestão municipal — agora com direito a caminhões, buzinas e descarregamento simbólico na calçada do partido.

Evasiva pikachu
Como todo político, quando a imprensa já sabe de informações que ele não quer revelar, o deputado Mário Negromonte Júnior sabe muito bem dar belas evasivas em perguntas diretas sobre, por exemplo, se vai ou não deixar o PP para se filiar ao PSB. Caro deputado, você precisa manter seus encontros com lideranças da sigla e seu desejo de deixar o Progressistas mais secretos.

Convocado
Na segunda-feira (22), durante encontro de lideranças de oposição em Porto Seguro, o presidente do PL na Bahia, João Roma, convocou o prefeito Jânio Natal a encabeçar a chapa de deputados estaduais da sigla em 2026. Ou seja, por Roma, Jânio deve deixar o comando da prefeitura até abril. A questão que fica é se o gestor topará a missão de aumentar a bancada do PL na ALBA ou se indicará um plano B para disputar uma cadeira em Brasília.
Driblou, bateu e gol
A vereadora Marta Rodrigues foi para o “ringue” e levou a melhor contra os vereadores alinhados às igrejas evangélicas na Câmara Municipal de Salvador (CMS). A petista conseguiu fazer com que o seu projeto, que institui uma política municipal de Direitos Humanos e Desenvolvimento Sustentável em empresas privadas de Salvador, fosse aprovado na Casa mesmo diante de tanta resistência, pegando de surpresa aqueles que já davam a proposta como “barrada no baile”. O pastor Kênio Rezende fez questão de contestar a votação, mas foi vencido pela maioria. Já Ricardo Almeida... Vixe... O vereador não poupou críticas aos “falsos profetas” que buscam votos de fiéis durante o período eleitoral. Sempre bom um entretenimento político.

Boicotado
O segundo semestre para Sandro Filho foi péssimo. Expulsão do MBL, entrave sobre a esposa ser sócia de um restaurante... Enfim, o que não faltaram foram polêmicas para este senhor. Para encerrar o ano ainda melhor (só que não), seus projetos foram boicotados pela própria base governista. Como disse o próprio presidente Carlos Muniz: “É melhor Sandro deixar a animosidade de lado”. E sobre o futuro do mandato do vereador? É melhor ele “pegar a visão”.

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