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Com mais de 216 mil registros, Bahia é o estado do Nordeste com maior número de processos trabalhistas

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Com 216 mil processos, Bahia é o estado nordestino com mais queixas trabalhistas, ficando à frente de Pernambuco e Ceará  |   Bnews - Divulgação Marcelo Camargo/Agência Brasil
Thiago Teixeira

por Thiago Teixeira

thiago.teixeira@bnews.com.br

Publicado em 01/05/2026, às 04h00



Jornada exaustiva de trabalho, problemas com FGTS, férias, assédio moral e sexual. Esses são apenas alguns temas tratados nas mais de 5 milhões de denúncias acerca do trabalho registradas no Brasil entre os anos de 2024 e 2026, de acordo com um levantamento inédito da plataforma de dandos jurídicos Escavador.

Os dados obtidos pelo BNews surgem na esteira do feriado do Dia do Trabalhador, comemorado nesta sexta-feira (1º de maio), e expõe um alto índice de ações trabalhistas entre as federações, fechando o primeiro quadrimestre do ano (2026) com mais de meio milhão de queixas — registrando um total de 760 mil processos. 

A Bahia figura na sexta posição do ranking nacional, com 216 mil processos, sendo o líder da região Nordeste no quesito e ficando atrás apenas de São Paulo (1,6 milhão), Rio de Janeiro (457 mil), Minas Gerais (455 mil), Rio Grande do Sul (328 mil) e Paraná (277 mil) — que ocupam da primeira à quinta posição, respectivamente.

Na região Nordeste, o top-3 é completado por Pernambuco (183 mil), na segunda posição, e Ceará (139 mil), na terceira. A Paraíba figura no 16º lugar, com 77.776 processos. Já o Rio Grande do Norte (62 mil), Sergipe (57 mil), Alagoas (51 mil) e Piauí (41 mil), completam a lista dos nordestinos ficando entre a 19ª e a 22ª posição, respectivamente.

Confira a lista de processos trabalhistas por estado entre 2024 e 2026:

  1. São Paulo (SP) – 1.631.488
  2. Rio de Janeiro (RJ) – 457.469
  3. Minas Gerais (MG) – 455.520
  4. Rio Grande do Sul (RS) – 328.984
  5. Paraná (PR) – 277.398
  6. Bahia (BA) – 216.224
  7. Goiás (GO) – 183.207
  8. Pernambuco (PE) – 183.076
  9. Santa Catarina (SC) – 164.327
  10. Ceará (CE) – 139.220
  11. Pará (PA) – 122.846
  12. Distrito Federal (DF) – 91.040
  13. Mato Grosso (MT) – 85.833
  14. Maranhão (MA) – 81.332
  15. Amazonas (AM) – 79.625
  16. Paraíba (PB) – 77.776
  17. Espírito Santo (ES) – 76.008
  18. Mato Grosso do Sul (MS) – 67.811
  19. Rio Grande do Norte (RN) – 62.045
  20. Sergipe (SE) – 57.384
  21. Alagoas (AL) – 51.182
  22. Piauí (PI) – 41.049
  23. Amapá (AP) – 39.307
  24. Rondônia (RO) – 34.800
  25. Tocantins (TO) – 23.642
  26. Roraima (RR) – 13.762
  27. Acre (AC) – 844
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Protesto de juízes e advogados em defesa da Justiça do Trabalho em 2019 | Foto: Rovena Rosa /Agência Brasil

Novo recorde de processos à vista

Em meio às discussões na Câmara pelo fim da Escala 6x1, o Escavador divulgou mais de 500 categorias de processos trabalhistas. A natureza das denúncias é diversas, indo desde queixas de assédio moral ou sexual no ambiente de trabalho até problemas com planos de saúde. Confira:

  • jornada exaustiva do trabalhador;
  • FGTS;
  • férias;
  • estágio;
  • justa causa;
  • aviso prévio;
  • assédio moral e sexual;
  • adicional de risco;
  • gratificação;
  • aposentadoria;
  • seguro-desemprego;
  • planos de saúde;
  • e até 'trabalho aos domingos'.

O levantamento aponta que, com pelo menos 183 mil processos rodando os tribunais brasileiros no mês de abril (2026), o primeiro quadrimestre do ano já superou o mesmo período em 2025 — uma alta de 2,9%. Vale lembrar que o ano passado apresentou um recorde de denúncias da classe trabalhadora, com 2,23 milhões de ações trabalhistas.

No comparativo ao ano de 2024, em que o Brasil registrou 2 milhões de denúncias, o ano de 2025 representou um aumento de 8% no número de processos. De acordo com a Coordenadora Jurídica da plataforma Escavador, Dalila Pinheiro, existem diversas dificuldades na readequação dos contratos durante o período de transição da escala 6x1.

Ela cita, por exemplo, que a manutenção de salários, o redesenho das jornadas de trabalho e a compensação via banco de horas podem potencializar o aumento de ações trabalhistas em 2026, caso não haja segurança jurídica e clareza nas novas regras.

A preocupação, neste momento, é não repetir a escalada de 8,5% do número de processos, no comparativo entre 2024 e 2025. No entanto, a oscilação do humor do mercado, com as discussões do fim da Escala 6x1 e as alterações da NR-1 (que contemplam as diretrizes gerais da ‘Segurança e Saúde no Trabalho’ no Brasil), com os riscos psicossociais (saúde mental) agora avaliados durante o expediente, podem fazer com que o ano de 2026 seja um marco no número de processos da classe trabalhista", explica Dalila Pinheiro.
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A Bahia é o sexto estado com mais processos trabalhista entre 2024 e 2026  | Foto: Getty Images/iStockphoto/pananba

Números por região 

No comparativo entre as regiões, o Sudeste tem se destacado por agrupar o maior número de denúncias, registrando a fatia de 51,9% dos processos. Entre 2024 e 2026, a região registrou 2,62 milhões de processos, seguido pelo Nordeste, com 909 mil denúncias (18%). O Sul do Brasil fecha o "pódio", concentrando 770 mil ações (15,2%).

Porém, a avaliação do Escavador mostra que, ao mesmo tempo em que o Sudeste brasileiro se destacou por gerar o maior número de empregos em 2025, com 504 mil vagas, segundo dados do Novo Caged, a região também se destacou pelo maior número de queixas entre trabalhadores.

Os dados da plataforma apontam que os três primeiros estados do 'ranking de processos trabalhistas' compreendem São Paulo, com 1,6 milhões de processos entre 2024 e 2026, seguido por Rio de Janeiro (457 mil) e Minas Gerais (455 mil). 

Para se ter uma noção, o estado de São Paulo recebeu 1,9 mil vezes mais denúncias do que o Acre, que aparece entre os últimos estados do ranking trabalhista, com apenas 844 processos. Ainda de acordo com Dalila Pinheiro, o cenário atual revela que o trabalhador brasileiro está muito mais atento aos seus direitos.

Isso contribui para um aumento na busca por informações e na formalização das denúncias, refletindo uma maior conscientização no ambiente de trabalho. Em contrapartida, empresas e o setor público também podem mapear as principais denúncias relacionadas ao trabalho, implantando soluções inteligentes e efetivas na raíz do problema", conclui a Coordenadora Jurídica.

Classificação Indicativa: Livre

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