BNews Nordeste
Publicado em 10/06/2025, às 12h02 - Atualizado às 13h22 Dan Gama
O microempreendedor Djair Oliveira Gomes, morador de Aracaju (SE), tem usado as redes sociais não apenas para divulgar seu negócio de culinária, mas também para combater a desinformação e o preconceito sobre o HIV. Vivendo com o vírus há oito anos, Djair se tornou alvo de ataques na internet por preparar alimentos.
Em vídeos publicados nas redes, Djair expôs comentários preconceituosos de internautas que acreditam — equivocadamente — que o HIV pode ser transmitido por meio da comida ou que ele, propositalmente, poderia contaminar os alimentos.
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“Comecei a vender comida e recebi comentários preconceituosos porque vivo com HIV. Eles acham que o vírus pode ser transmitido através da comida e teve até gente sugerindo que eu poderia transmitir o vírus por maldade”, relatou.
Djair descobriu ser soropositivo aos 19 anos, enquanto trabalhava em restaurantes do estado. Após o diagnóstico, sofreu discriminação no ambiente de trabalho e foi demitido poucos dias depois. Ele conta que tudo aconteceu após um pequeno corte no dedo, enquanto secava talheres.
“Tive um pequeno corte e a dona falou: ‘Cuidado, o Djair cortou o dedo’. Ela me mandou lavar a mão na privada e no outro dia me demitiu. Na mesma semana em que fui diagnosticado e que minha colega expôs minha sorologia, a demissão aconteceu.”
Além da demissão e do estigma profissional, Djair também relata ter sido rejeitado pelos pais por ser homossexual. Diante dessas experiências, resolveu transformar a dor em ação: começou a produzir conteúdo informativo sobre HIV para ajudar a combater o preconceito e esclarecer dúvidas da população.
“Eu, como estudante de enfermagem, tenho ciência de que não tem risco de transmissão. Mas também compreendo que a população é leiga, que desconhece os mecanismos de transmissão do HIV. Por isso decidi falar abertamente para dizer que não há riscos.”
O médico infectologista Vinícius Borges explicou ao portal Viva Bem que a crença de que o HIV pode ser transmitido pela comida é infundada.
“HIV não se transmite por via oral nem por ingestão de alimentos, mesmo com pequenas quantidades de sangue. Essa é uma das ideias erradas mais comuns e perigosas, que alimentam preconceito, estigma e exclusão social — especialmente de pessoas que trabalham com manipulação de alimento. Após cerca de seis meses de tratamento, o paciente pode atingir a carga viral indetectável e, nesse caso, não transmite o vírus nem mesmo por sexo. Pessoa com HIV em tratamento pode exercer qualquer profissão”, afirmou.
Djair segue firme com seu empreendimento, utilizando as redes para vender seus pratos e educar o público, com coragem, informação e sabor.
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