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Entenda porquê erosão acelerou e ameaça famosa duna do Nordeste

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Local é um dos mais conhecidos cartões-postais de Natal, capital do Rio Grande do Norte  |   Bnews - Divulgação Reprodução
Redação Bnews

por Redação Bnews

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Publicado em 21/12/2024, às 10h50



As construções nas proximidades das faixas de areia, o avanço do mar e outros fatores externos contribuem para que importantes pontos turísticos naturais corram riscos. É o que acontece com o Morro do Careca, localizado na cidade de Natal, capital do Rio Grande do Norte

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O local tem enfrentado um processo de erosão acelerado, perdendo areia na sua durante as últimas décadas. Em 17 anos, entre 2006 e 2023, o topo do morro perdeu 2,7 metros de altura. Saiu de 66 metros para 63,3 metros, de acordo com um artigo publicado por pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). 

O processo de erosão foi notado a partir da década de 1990 e, de acordo com pesquisadores, alguns dos motivos para tal situação são o avanço do mar e a intensa ocupação da linha de orla com imóveis. A praia de Ponta Negra, onde está o cartão-postal, passa por uma obra de alargamento da faixa de areia e, segundo os pesquisadores, pode diminuir a erosão causada pelo impacto das ondas na base do morro.

Um relatório produzido pelo Serviço Geológico do Brasil (SGB) em 2023, a pedido do Ministério Público Federal (MPF), constatou intensificação das erosões e risco “muito alto” de deslizamentos. O documento recomendava a proibição do acesso ao topo do morro. 


Em setembro deste ano, a Defesa Civil publicou um relatório e informou que houve uma aceleração do processo de erosão, inclusive com formação de voçorocas (desgastes provocados pela erosão), ampliando o desgaste do terreno e gerando o risco de desabamento em locais com circulação de pessoas.


A Prefeitura de Natal decretou situação de emergência, isolou uma área na frente do morro e retomou a execução de uma obra de engorda da praia de Ponta Negra.


Ao G1, o professor do Departamento de Geografia da UFRN, Rodrigo Freitas coordena o projeto Falésias, pontuou que há três razões para explicar o processo de aceleração da erosão, são eles: aumento da construção de grandes barragens, elevação gradativa do nível do mar e intensa ocupação da linha de orla com imóveis.

“A parte interna da baía é a que tem mais erosão por causa da hidrodinâmica marinha. A ponta gera uma refração de onda e faz com que a parte interna seja mais erodida. Além disso, adicione esses três elementos que apresentei anteriormente, e a erosão se amplia”, destacou o pesquisador. 


“O problema ali não é só a erosão na base do moro. Há também uma diminuição do sedimento que chega, porque a duna é móvel. O vento vai removendo também esse material. E a reposição de sedimentos é menor que a taxa de saída”, acrescentou o professor. 

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