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Investimento em poço em cidade nordestina supera aplicação de estados inteiros; entenda

Eduardo Knapp/Folhapress
Entidades federais justificam que ações de investimento em poço cumprem indicações dos parlamentares  |   Bnews - Divulgação Eduardo Knapp/Folhapress

Publicado em 08/10/2023, às 10h35   Redação BNews



As instalações de poços na região nordestina viraram palco de investigação. Isso porque a cidade, conhecida Estrela de Alagoas (AL), que tem mais de 15 mil habitantes, possui um dos cinco poços perfurados em todo o estado pelo Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs) desde 2020. O detalhe é que o número de moradores é inferior a 0,5% da população estadual, segundo informações publicadas pela Folha de S. Paulo.

Além do município, a instalação de poços também é uma ação curiosa na cidade de Petrolina (PE), pois a localidade recebeu investimento superior aos estados de Alagoas e Piauí juntos, esses coordenados pela federal Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf).

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Com as atuais condições das duas regiões, tanto Estrela quanto Petrolina se transformaram em redutos de líderes do centrão, ainda conforme a publicação. Arlindo Garrote, ex-prefeito de Estrela de Alagoas e cotado para disputar as eleições de 2024, chefia a cidade. 

Por outro lado, Petrolina envolve o berço político da família Bezerra Coelho, que possui o deputado Fernando Filho (União Brasil-PE) como o representante chefe em exercício de mandato.

Nesse sentido, a concentração de poços em redutos políticos responde a mais uma consequência do loteamento de órgãos federais e do direcionamento das emendas parlamentares para áreas indicadas pelas classes dos deputados e dos senadores.

A presença desses equipamentos exibem, em resumo, a diferença de localidades para pessoas em regiões de pouca influência de emendas e para moradores de municípios com padrinhos políticos. 

Vitrine

Durante a gestão de Jair Bolsonaro (PL), a perfuração de poços foi adotada como vitrine expansiva política. Atualmente, no governo Lula (PT), boa parte dos chefes dos órgãos federais que tratam do tema, como a Dnocs e a Codevasf, foram mantidos. 

Devido às emendas, os dois órgãos fizeram as instalações e perfurações de poços saírem de 642, em 2019, para 1.847, em 2022, aumento de 188%. Essa estratégia de abraçar o povo é bastante divulgada nas redes sociais dos políticos.

Os chefes da estatal e do órgão voltados ao combate à seca, no caso de Alagoas, são apadrinhados, por exemplo, pelo presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL).

Joãozinho Pereira, primo de Lira, comanda a Codevasf, e gerou, para Teotônio Vilela, onde já foi prefeito, o posto de cidade de Alagoas onde a empresa mais instalou poços desde 2021, total de 23. 


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