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Médico é espancado após ter apartamento invadido por vizinho: 'Falava que eu era viadinho e tinha que morrer'

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Defesa do agressor nega a homofobia e questiona a gravidade das lesões apresentadas pelo médico  |   Bnews - Divulgação Reprodução/Redes Sociais
Redação BNews

por Redação BNews

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Publicado em 06/01/2026, às 09h42



O médico dermatologista Anderson Juliano de Lima denunciou ter sido espancado dentro do próprio apartamento após um vizinho invadir o imóvel e atacá-lo com ofensas homofóbicas, na madrugada do dia 31 de dezembro, no bairro do Rosarinho, zona norte do Recife (PE). O suspeito, de 30 anos, foi preso em flagrante, mas liberado após audiência de custódia.

Segundo relato compartilhado pelo médico nas redes sociais, o suspeito, identificado como Túlio Andrade Coelho Silva, tocou a campainha do apartamento diversas vezes. A vítima chegou a informar que ele estaria batendo na porta errada, mas o agressor insistiu e passou a chutar a porta, que acabou sendo arrombada.

De acordo com Anderson, o crime foi uma "tentativa de homicídio motivada por homofobia", já que o agressor teria afirmado, mais de uma vez, que praticava a violência por acreditar que o médico se sentia atraído por ele.

"Ele diz, inclusive, que eu estava dando em cima dele. Ele repete isso várias vezes para justificar o injustificável, que é uma tentativa de homicídio. Como se para lavar a honra dele, agora ele tivesse que me matar", contou.

Anderson sofreu uma lesão ocular visível, além de ferimentos no nariz e na boca. Durante a agressão, o suspeito teria utilizado termos homofóbicos.

"Ele entrou em luta corporal comigo. [....] Eu sou dermatologista e trabalho com imagem, eu poderia ter ficado desfigurado, além da possibilidade de ter sido assassinado, de fato, porque ele não parava de me socar. Além disso, proferia que eu era um 'viadinho', que eu tinha que morrer, que ele tinha ido para isso", relatou.

Durante as agressões, o médico ligou para a portaria do prédio pedindo ajuda, mas afirmou que nenhum funcionário o socorreu. Ele foi levado para o Hospital da Unimed, no bairro da Ilha do Leite, na área central do Recife. Após receber atendimento médico, registrou um boletim de ocorrência.

Em nota, a Polícia Civil informou que registrou o caso e prendeu o suspeito em flagrante pelos crimes de racismo por homotransfobia, lesão corporal e violação de domicílio.

O agressor passou por audiência de custódia no dia 1º de janeiro e vai responder ao processo em liberdade, mediante o cumprimento de algumas medidas cautelares:

  • comparecimento mensal em juízo;
  • proibição de ausentar-se da comarca por mais de oito dias, sem autorização judicial;
  • recolhimento domiciliar das 21h às 6h;
  • proibição de manter contato ou se aproximar da vítima;
  • proibição de frequentar as áreas comuns do condomínio onde o crime ocorreu.

A defesa de Túlio Andrade negou que tenha havido "qualquer conduta homofóbica" e afirmou que foram apresentados registros públicos que demonstram que o agressor "mantém relações pessoais e convivência social com pessoas declaradamente homossexuais".

Ainda de acordo com os advogados, embora o suspeito tenha sido autuado por lesão corporal grave, "não há laudo pericial oficial que comprove tal gravidade" e que "o documento apresentado foi produzido por médica com especialidade em pediatria, sem formação em traumatologia e com vínculo de relação íntima com a suposta vítima".

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