BNews Nordeste
Publicado em 31/05/2024, às 12h41 Redação
A Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) concedeu licença de localização para a instalação da maior usina de urânio do Brasil, que deve ser construída em Santa Quitéria, no interior do Ceará.
A licença foi concedida na última sexta-feira (24) e a próxima etapa é se debruçar sobre os estudos que vão averiguar a segurança nuclear e radiológica do empreendimento. As informações são do Uol.
Entidades ambientalistas e moradores vizinhos ao local onde a unidade deve ser instalada, porém, se preocupam com o aumento da radiação na região e lutam contra a construção do espaço.
O receio é agravado porque o nível de radiação na área já está acima da média em diversos pontos pela própria presença do minério. Além disso, há preocupação com o uso de grande quantidade de água pelo empreendimento.
O projeto prevê a exploração da Fazenda Itatiaia, que tem pouco mais de 4 mil hectares, extraindo fosfato - que tem uma reserva de 8,9 milhões de toneladas - e urânio (80 mil toneladas) por 20 anos. O investimento do consórcio vencedor da concessão deve ser de R$ 2,3 bilhões.
“A concessão foi realizada após avaliação do Relatório do Local pelo corpo técnico da CNEN de diversos aspectos, incluindo geográficos, geológicos, hidrológicos, hidrogeológicos, geotécnicos, sismológicos, meteorológicos, de processos operacionais, de gerência de rejeitos e de proteção radiológica ambiental. A CNEN considerou que o Requerente, nesta primeira etapa, atendeu de forma satisfatória os requisitos”, detalhou a CNEN, em nota.
Integrante da direção nacional do Movimento pela Soberania Popular na Mineração (MAM), Pedro D' Andrea é um dos especialistas que questionam a necessidade de mais uma unidade brasileira de exploração de urânio.
"Os cenários oficiais apontavam que as cargas e recargas de Angra 1 e 2, somadas à finalização de Angra 3 e acrescidas da implantação de novas centrais nucleares, aumentaria a demanda brasileira para mil toneladas até em 2031. Mas o PAC deixou de fora a finalização das obras de Angra 3", disse ele ao Uol.
“A recente vinda ao Brasil do presidente francês Emmanuel Macron cai como uma luva na infraestrutura energética francesa, que via a possibilidade das luzes se apagarem na Europa em razão das constantes negativas do Niger em vender urânio. A França precisava buscar urânio em outro país”, acrescentou.
Moradores também demonstram preocupação. Filha de agricultores e moradora do assentamento Queimadas, Patrícia Gomes afirmou que a população ficou muito abalada com a notícia da aprovação da licença.
“Recebemos com muita tristeza, mas já sabíamos da sinalização positiva da CNEN. Eles são favoráveis ao projeto, e desde as audiências públicas a gente já vem notando isso”, disse ela.
Classificação Indicativa: Livre
Qualidade Stanley
Cupom de lançamento
Imperdível
Super desconto
Café perfeito