Polícia
Publicado em 05/04/2011, às 19h36 Ivana Braga e Tanara Régis

Corregederoria da Polícia Civil considerou que o policial que matou o colega Valmir Borges Gomes, um dos investigadores envolvidos no caso de extorsão contra o estudante universitário Luiz Filipe (19), flagrado no bairro da Pituba, no dia 2 de março deste ano, agiu em legítima defesa. A informação constaria num relatório do inquérito que apurou o fato, segundo a delegada Iracema Jesus, chefe da Corregedoria da Policia Civil (Correpol), a quem coube a apuração do caso, e Ediene Lousado, promotora de Justiça do Ministério Público (MP/BA), durante a tarde desta terça-feira (5), na Secretaria de Segurança Pública.
Valmir, lotado na Delegacia de Repressão a Furtos e Roubos (DRFR) teria reagido à prisão ao ser abordado por policiais da Delegacia de Tóxicos e Entorpecentes (DTE), acionados, na oportunidade, pela Correpol. Segundo a delegada, o relatório concluiu que Odair Carneiro somente teria reagido aos tiros de Valmir e suposta quadrilha quando flagrados na tentativa de extorquir o estudante.
"Odair e os demais policias foram vítimas de resistência, ou seja, os criminosos atiraram primeiro contra eles no ato da prisão", explicou a corregedora Iracema Jesus, sem no entanto dá acesso ao relatório.
De acordo com o relato da corregedora, Luiz Filipe teria sido flagrado usando lança-perfume, transformando-se em alvo de extorção por parte de uma quadrilha supostamente formada por três policiais civis e outros quatro homens que se faziam passar por policiais.
A quadrilha teria perseguido Filipe e sua família exigindo 10 mil reais para não denunciá- lo à policia. Segundo a promotora Ediene Lousado, o rapaz estaria sendo usado para a quadrilha alcançar o traficante que lhe fornecia a droga para que também fosse alvo de extorsão. O nome do traficante não foi revelado.


O Caso - A família de Filipe denunciou a Correpol o caso e esta prosseguiu com uma ação para realizar o flagrante. No ato, Filipe, acompanhado do policial Odair, seguiu em um carro com vidros fumê. Logo atrás, havia mais outros carros com os policiais da DTE. "Devido ao congestionamento do trânsito na Avenida Paulo XVI, esses carros acabaram se distanciando, o que dificultou a ação policial", relata Ediene, baseada nas apurações.
No momento em que Filipe baixou os vidros do carro para entregar o dinheiro a Valmir, ele recebeu voz de prisão em flagrante por Odair tendo reagido com à bala. "Embora a reação do policial que foi para o confronto tenha sido adequado devido ao local, a ocasião foi excepcional e exigiu a reação de Odair", justificou a promotora. O policial Antônio Dante, também envolvido na extorsão, fugiu durante a ação.
Além de Valmir e Dante, integrava a quadrilha o policial Juracy Decidere, que não estava presente no momento do fato, além dos informantes que se faziam passar por policiais Leonardo Sanches, Valter José, Philippe Teixeira e Geison Sergio Cerqueira. Entre as acusações estão os crimes de concussão, formação de quadrilha, resistência qualificada e usurpação de função pública.
Foto: Roberto Viana // Bocão News
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