Polícia

Mapa da violência 2011: 1.056 pessoas já foram mortas em Salvador

Imagem Mapa da violência 2011: 1.056 pessoas já foram mortas em Salvador

Em 2010, em todo estado, 4.825 pessoas morreram

Publicado em 28/09/2011, às 08h22        Caroline Gois


Números da Secretaria de Segurança Pública do Estado da Bahia (SSP) mostram que a Bahia ainda tem muito a combater. Em 2009, de janeiro a setembro: 1.736 mortos somente na capital baiana. 2010, no mesmo período: 1.247 e em 2011, até o mês passado, mais de mil pessoas foram assassinadas em Salvador.

Em 2010, em todo estado, 4.825 pessoas morreram vítimas de assassinato. Entre 2009 e 2010 - 2.624 destas mortes foram registradas no interior. Este ano, a Região Metropolitana de Salvador (RMS) já registrou 37 mortes. Em todo estado, no primeiro semestre deste ano, cerca de 2.273 pessoas foram mortas.
Não só os números assustam. Na rotina dos baianos e da imprensa local, os registros de crimes por arma de fogo já ultrapassam as páginas policiais e invadem as casas, colégios, supermercados e locais de trabalho. Só no útimo fim de semana, o número de homicídios ultrapassou a média registrada normalmente, e seis a oito. Foram 27 - de sexta a domingo. Entre os mortos, jovens, adolescentes e mulheres, que agoram permeiam cada vez as estatíticas - cerca de três mulheres mortas a cada 48 horas.
Nesta terça-feira (27), Salvador recebeu três bases comunitárias de segurança no bairro do Nordeste de Amaralina. Mais de 300 policiais irão atuar dentro de um dos bairros mais pobres da capital baiana, com cerca de 85 mil habitantes (IBGE/2000). Essa região tem índices de criminalidade muito preocupantes e que chamam a atenção. Foram 57 homicídios no ano passado e 25 até agosto deste ano.

Bairros - Números oficiais da Secretaria de Segurança Pública (SSP)
mostram que o bairro de Paripe é o mais violento da capital. Entre 17 de janeiro e 10 de julho, 32 pessoas foram assassinadas na localidade. Em seguida aparece o bairro de
Tancredo Neves, com 26 homicídios no mesmo período. Periperi, também no Subúrbio Ferroviário, e São Cristóvão registraram 22 mortes. Já São Marcos, Brotas e Águas Claras tiveram 19, 18 e 17 óbitos. Na lista dos 10 mais violentos, ainda constam Cajazeiras, Lobato e Boca do Rio, com 17, 16 e 15 homicídios respectivamente.
Mostrando-se ansioso, o secretário de segurança pública, Mauricio Teles Barbosa lembrou que a inauguração na base seria para o fim de agosto. “Ainda bem que conseguimos antecipar a inauguração que acontece hoje no dia dos santos Cosme e Damião, para quem acredita na religião. A expectativa era grande, finalmente estamos aqui para inaugurar as três bases e tudo foi possível devido a parceria público privada, que acelerou a reforma. Agora é continuar o trabalho”, disse Maurício Teles.
Segundo ele, 70% da criminalidade se concentram em 12 das 417 municípios baianos e, em sua gestão, regiões comandadas pelo tráfico serão "tomadas".
Interior - Sobre a situação da violência e assaltos a banco no interior, Mauricio Barbosa afirma que o trabalho está sendo realizado e os frutos já estão sendo colhidos. “Foram mais de 80 bandidos presos ou mortos por assalto a banco. Mais de 15 quadrilhas foram desarticuladas. São mais de 100 cidades sem delegados, mas a realidade já foi pior. A cada
ano a situação vai melhorar e os resultados em 2012 e 2013 serão melhores”.
No último mapa divulgado pelo Ministério da Justiça, a partir de um estudo elaborado pelo Instituto Sangari, sob coordenação do sociólogo Julio Jacobo Waiselfisz, a Bahia está entre os dez estados mais violentos do país. Em 1998, a Terra de Todos os Santos ocupava a 22º posição, com 9,7 homicídios para cada 100 mil habitantes. Em 2008, com média de
32,9 homicídios, o estado alcançou a 8ª colocação.
A situação é ainda mais crítica quando o recorte é restrito às capitais. Segundo o Mapa, com taxa de 60,1 homicídios para cada 100 mil habitantes, Salvador é a quarta cidade mais violenta do Brasil. Entretanto, é importante destacar que os dados divulgados no documento são restritos ao período compreendido entre os anos de 1998 e 2008. Não é preciso ser um especialista para perceber que, com três anos de defasagem, a situação, certamente, se agravou ainda mais na Bahia e em Salvador. 
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