Polícia

Polícia intensifica investigação de grupos de extermínio em Simões Filho

Publicado em 10/10/2012, às 19h24   Redacão Bocao News



A Polícia Civil criou uma força tarefa para intensificar as investigações em torno dos homicídios que são registrados nas áreas desabitadas do Centro Industrial de Aratu (CIA), em Simões Filho. Desde fevereiro deste ano, quando a região foi desmembrada da 8ª Delegacia Territorial (DT/CIA) e colocada sob jurisdição da 22ª Delegacia Territorial (DT/Simões Filho), ambas do Departamento de Polícia Metropolitana (Depom), houve um crescimento de 100 por cento no número de registros desse crime, se comparado ao mesmo período do ano passado.

Levantamento feito por investigadores da DT/Simões Filho e da Delegacia de Homicídios Múltiplos (DHM), do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), e peritos do Departamento de Polícia Técnica (DPT) revelou que a maioria das mortes apresentava as mesmas características, levando à conclusão de que os homicídios estão sendo praticados por grupos de extermínio e contam com a participação de policiais como executores. Dos 46 corpos localizados nos últimos seis meses na região, 16 já foram identificados e todos são de pessoas cujo domicílio era Salvador ou outra cidade da RMS. Apenas uma tinha vínculos com Simões Filho.

“A força tarefa está integrando diversos servidores, entre delegados, investigadores e escrivães, que, durante 90 dias, estarão, exclusivamente, atuando na investigação desses crimes”, afirmou a diretora do Depom, delegada Heloísa Brito. Segundo ela, a constatação da existência de grupos de extermínio, conduzindo pessoas para serem executadas na área do CIA ou apenas desovando vítimas, exigiu a criação do grupo multidisciplinar, que já está municiado com dados levantados ao longo deste ano, como a identificação dos grupos que atuam no local. “Depois de 90 dias, a partir dos resultados alcançados, a polícia fará uma avaliação para definir se o grupo deverá continuar com o trabalho ou não”, acrescenta.

As investigações realizadas nestes seis meses pela 22ª DT e DHM apontaram que a maioria das vítimas desses grupos de extermínio tinha envolvimento em crimes diversos, como assaltos, tráfico de drogas e homicídios. “A maioria das vítimas era oriunda de Salvador e tiveram os corpos abandonados em pontos de desova no CIA e adjacências”, afirmou o delegado Adailton Adan, que não descarta a participação de policiais nesses crimes.

Segundo ele, boa parte da área de Simões Filho é inabitada, composta por vegetação densa e escombros de empresas desativadas do Centro Industrial de Aratu (CIA). Somado a essa condição geográfica, Adam lembra que os corpos, ali desovados, são encontrados, geralmente, com as mãos amarradas, despidos e mutilados com o emprego de instrumentos cortantes.  “A intenção dos executores é atrapalhar ao máximo a identificação das vítimas, ampliando o grau de dificuldade para a elucidação desses crimes”, salienta.

Locais identificados como pontos de maior incidência de assassinatos e de abandono de corpos, bem como as principais vias de acesso dos criminosos já estão sendo monitorados por câmeras de segurança. Com o objetivo de auxiliar as investigações conduzidas pela força tarefa, esses equipamentos vêm sendo instalados por meio de uma parceria entre a Secretaria da Segurança Pública, a Prefeitura Municipal de Simões Filho e a iniciativa privada.


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