Polícia
por Gabriel Santana
Publicado em 31/03/2026, às 15h27
A advogada argentina Agostina Páez, ré por injúria racial contra funcionários de um bar, depositou o valor que foi imposto pela Justiça do Rio de Janeiro, permitindo retornar para o seu país de origem enquanto responde pelo caso, na última segunda-feira (30).
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A decisão foi tomada pela Oitiva Câmara do Tribunal de Justiça. De acordo com o g1, o órgão determinou que a mulher cumprisse as condições, sendo elas o pagamento de caução equivalente a 60 salários mínimos (quase R$97 mil) para que Agostina pudesse deixar o Brasil. O valor é uma garantia de que a mulher vai cumprir a pena imposta em território brasileiro.
No último dia 14 de janeiro, Agostina teria chamado um empregado de um bar em Ipanema, no Rio de Janeiro (RJ) como negro de forma pejorativa e, ao deixar o local, usou a palavra “mono” (macaco, em espanhol), além de ter feito gestos do animal que foram flagrados em vídeo.
A mulher além de ter feito os gestos, ainda voltou a ofender usando expressões como “negros de merda” e “monos” para outros dois funcionários do mesmo estabelecimento, configurando três crimes. Ela foi presa no último dia 6 de fevereiro, mas foi solta na mesma noite após decisão da 37ª Vara Criminal.
Agostina chegou a ser presa e passou por várias medidas cautelares como a retenção do passaporte, proibição de sair do país e o uso de tornozeleira eletrônica.
Com o encerramento da instrução do processo, o relator do caso entendeu que não era mais necessário existir a precisão de manter as medidas cautelares, pois não se sustentaria o caso no momento.
O Ministério Público também se posicionou favorável à liberação da ré, desde que existisse a garantia financeira focada em uma eventual indenização para as vítimas. O MP chegou a sugerir que as vítimas recebessem uma indenização de até 120 salários mínimos.
A ré deve manter endereço e contatos atualizados e se comprometer a atender todas as convocações da Justiça do Brasil, mesmo retornando e morando na Argentina. Páez é acusada primária, tem profissão definida e está colaborando com o processo, inclusive com a manifestação pública de arrependimento.
A decisão do juiz aponta que impedir que Páez deixe o Brasil, mesmo após o fim da instrução seria um exemplo de constrangimento ilegal. Brasil e Argentina mantêm acordos que permitem, em caso de condenação, cumprimento de pena no país de origem dos acusados.
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