Polícia
por Cibele Gentil
Publicado em 09/03/2026, às 23h12
A Advocacia-Geral da União (AGU), por meio da Procuradoria Nacional de Defesa da Democracia, apresentou uma notícia-crime à Polícia Federal (PF) solicitando a abertura imediata de inquérito para investigar a propagação de conteúdos misóginos em redes sociais. O pedido foi formalizado simbolicamente no último domingo (8).
A ação foca em vídeos disseminados na plataforma TikTok que exibem jovens simulando atos de extrema violência, como chutes, socos e esfaqueamentos em manequins femininos. As publicações eram acompanhadas de mensagens que incitavam a agressão física como resposta a negativas de investidas ou pedidos de casamento, utilizando frases como "treinando caso ela diga não". Os vídeos citados já foram removidos pela plataforma.
O procurador nacional da União de Defesa da Democracia, Raphael Ramos, fundamentou o documento com a identificação de pelo menos quatro perfis responsáveis pela disseminação sistemática dessas imagens. Segundo a peça, tais conteúdos ferem a dignidade das mulheres e comprometem diretamente a eficácia das políticas públicas voltadas à proteção de gênero e à igualdade material.
A argumentação apresentada à Polícia Federal destaca que, embora as agressões nos vídeos sejam simuladas, a prática configura apologia ao crime e incitação à violência contra a coletividade feminina. O procurador sustenta que a circulação desses discursos pode estimular delitos reais previstos no Código Penal, incluindo lesão corporal, perseguição e violência psicológica.
Ramos enfatizou ainda que a governança das plataformas digitais carece de melhorias urgentes. Ele pontua que, mesmo com decisões recentes do Supremo Tribunal Federal sobre o Marco Civil da Internet, as ferramentas atuais de controle têm se mostrado insuficientes para conter o avanço do ódio online.
Para reforçar a urgência da investigação, a AGU citou dados alarmantes do Relatório Anual de Feminicídios no Brasil 2025. O documento apontou um crescimento de 34% nos casos de violência letal contra mulheres no último ano, totalizando quase 7 mil vítimas entre casos consumados e tentados.
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