Polícia

Arsenal de munições do Comando Vermelho foram desviadas do Exército Brasileiro e de instituições de segurança, aponta estudo

Reprodução/PM-BA
Pesquisa aponta que munições de fuzil do Exército foram desviadas para o Comando Vermelho, evidenciando falhas no controle.  |   Bnews - Divulgação Reprodução/PM-BA
Samuel de Jesus

por Samuel de Jesus

Publicado em 12/10/2026, às 09h28



Uma pesquisa feita pelo Instituto Sou da Paz identificou munições de fuzil compradas pelo Exército Brasileiro em apreensões ligadas ao Comando Vermelho. As munições foram originalmente adquiridas pelas Forças Armadas e por instituições de segurança pública, mas acabaram sendo desviadas. A instituição analisou 31.699 cartuchos relacionados à facção em 29 processos judiciais entre 2018 e 2025.

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Segundo o G1, a investigação apontou que 40,9% das 31.205 munições originais de fábrica analisadas para identificação de procedência eram de fabricação brasileira. Entre os cartuchos nacionais, 51,9% apresentavam códigos de rastreabilidade institucional, indicando sua compra por órgãos públicos.

No levantamento feito, foram identificadas dificuldades para descobrir de quais instituições as munições vieram. Dos 119 códigos de rastreabilidade encontrados, apenas 34 puderam ser associados aos compradores institucionais. Nos outros 85 casos, não foi possível identificar a origem da instituição de onde partiram.

Falhas no controle dificultam investigações

O pesquisador Bruno Langeani, consultor sênior do Instituto Sou da Paz, afirma que a situação evidencia problemas na fiscalização e na guarda das munições adquiridas com recursos públicos.

Ele também destacou que o rastreamento ainda é pouco explorado nas investigações criminais, mesmo quando os cartuchos apreendidos apresentam informações que poderiam ser usadas para identificar a origem mais rápida.

O estudo aponta que não há elementos suficientes para apontar qual instituição pública teria contribuído mais para o abastecimento da facção. A maioria dos códigos identificados não pôde ser vinculada a quem comprou na origem.

 Instituto propõe mudanças

O relatório ainda dá recomendações de medidas que possam melhorar o controle; entre elas estão: ampliar a rastreabilidade das munições, melhorar os registros eletrônicos de estoque, padronizar os laudos periciais e garantir que os códigos encontrados em apreensões sejam efetivamente investigados.

"O instituto concluiu que o Brasil já dispõe de mecanismos que podem ajudar a identificar a procedência dos cartuchos, mas falhas nos registros e na continuidade das investigações dificultam a identificação dos responsáveis pelos desvios.

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