Polícia
por Gabriel Santana
Publicado em 21/03/2026, às 15h50
O tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, suspeito de ter cometido o feminicídio contra a soldado Gisele Alves Santana, morta com tiro na cabeça, em São Paulo (SP), chegou a discutir com policiais antes de tomar o segundo banho no dia da morte da esposa.
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O episódio aconteceu após o corpo da mulher ser encontrado, e as reações do tenente-coronel e dos policiais militares foram flagradas pelas câmeras corporais dos uniformes dos oficiais. De acordo com o Portal Metrópoles, um dos soldados desconfiou da vontade de Geraldo em tomar banho antes de ir para a delegacia e recebeu uma ordem.
Para, eu vou tomar banho e vou trocar de roupa! Chama o tenente lá porque eu vou tomar banho e trocar de roupa”, disse o suspeito.
As conversas entre o suspeito e os oficiais que tentaram impedir sua entrada no apartamento onde Gisele tinha sido baleada foram reproduzidas em inquérito instaurado pelo 8º Departamento de Polícia (8ºDP) e mostraram que Geraldo estava insistindo entrar no imóvel, além da preocupação quanto a preservação da cena do suposto crime.
O oficial foi preso pela Corregedoria da Polícia Militar, acusado de ter atirado na cabeça da mulher na última quarta-feira (18). A investigação aponta que existem suspeitas de fraude processual, com indícios de interferência na cena do crime e tentativas de manipulação do ocorrido.
O inquérito apontou que Geraldo tentou entrar no apartamento logo após Gisele ter sido retirada do local, em estado gravíssimo. Ela morreu por conta do tiro, às 12h04. A entrada do tenente-coronel foi impedida pelos policiais militares, porque o local estava cheio de evidências e precisavam ainda de uma análise. Mesmo assim, o suspeito avançou.
A Polícia Civil (PC) detalhou que o cabo responsável pela contenção apontou para um outro policial e reforçou que a conversa deveria acontecer do lado de fora do local. Mesmo com toda a tentativa dos policiais, um desembargador e amigo de Geraldo, Marco Antônio Pinheiro Machado Cogan, recomendou que o suspeito não entrasse, mas sem sucesso.
Dentro do local, Geraldo foi orientado a não mexer em nada, mas insistiu em voltar ao banheiro, o que causou medo nos policiais por conta da possibilidade de destruição de pistas.
CB: O senhor não saiu do banho agora? O senhor falou que estava tomando banho.
TC Neto: Irmão, eu entrei no banho (ligou o chuveiro) eu tava aqui tomando banho, dai eu escutei o barulho e eu abri a porta, quando abri eu vi minha esposa, peguei essa bermuda que tava aqui em cima, vesti a cueca e a bermuda, que eu não cheguei a tomar banho, eu nem fiz a barba ainda ó, a barba eu faço durante o banho, fazia um minuto que eu tava em baixo do chuveiro irmão.
CB: É que o senhor sabe da burocracia que é né, você sabe da burocracia que é na PM, então quanto mais rápido agilizar se o senhor puder só colocar uma camiseta.
TC Neto: Irmão, eu tenho 34 anos de serviço. Eu sei o que eu to falando. Eu vou tomar banho, irmão.
Soldado: Não, não. A ordem é essa, do tenente.
TC Neto: O que? Que eu não posso tomar um banho?
Soldado: A ordem é essa!
CB: Você não disse que acabou de tomar banho?
TC Neto: Eu vou tomar banho.
Soldado: Chama o tenente, por favor.
TC Neto: Para, eu vou tomar banho e vou trocar de roupa! Chama o tenente lá porque eu vou tomar banho e trocar de roupa.
CB: O senhor não quer colocar uma camiseta e um short rapidinho.
TC Neto: Não eu não vou, eu não tô bem para ir assim, eu vou tomar um banho.
CB (para Capitão): O cara vai lavar a mão, caralho.
CB: ele vai fazer residuográfico antes né?
Tenente: depende do que o perito falar, eu não vi nada.
CB: vai deixar ele tomar banho e tudo?
Tenente: ah, não tem como ele ir assim.
CB: se tomar banho vai perder tudo os baguio [vestígios] da mão, e as conversas dele tá estranha… porque se fosse um paisano a gente já arrasta pra perto…
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