Polícia

Delegado revela reação de moradores de bairros nobres de Salvador ao serem intimados por racismo: 'Se sentem ofendidos'; assista

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Segundo delegado, bairros como Pituba e Caminho das Árvores têm altos índices de ocorrências de racismo.  |   Bnews - Divulgação Devid Santana/BNews
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por Redação BNews

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Publicado em 11/03/2026, às 07h31



O delegado Ricardo Amorim, titular da Delegacia de Combate aos Crimes Raciais e de Intolerância (Decrin), afirmou que suspeitos de racismo em bairros nobres de Salvador costumam demonstrar indignação ao serem chamados para depor. Segundo ele, muitos chegam a dizer que se sentem "ofendidos" com a investigação.

Em entrevista ao BNews Agora – 2ª Edição, da rádio Itapoan FM, nesta terça-feira (10), o delegado revelou que dados recentes da Polícia Civil apontam que bairros como Caminho das Árvores e Pituba estão entre os locais com maior registro de ocorrências desse tipo de crime na capital baiana. Segundo ele, muitas vítimas acreditam que os suspeitos não serão responsabilizados por terem influência ou poder econômico.

"Lá na delegacia eu gosto muito de falar para as pessoas que todo mundo responde da mesma forma. (...) Eu tenho vítimas que vão lá e pensam assim: 'não vai dar nada porque ele é primo do deputado, ele é filho de não sei o quê, ele é empresário, ele tem dinheiro'. Eu falo: vai dar, porque a gente vai fazer", declarou.

Amorim também comentou a reação de alguns investigados quando são intimados pela polícia. "A gente manda intimação, manda a viatura na porta das pessoas, e às vezes elas se sentem ofendidas. 'Vieram aqui no Morro do Gato atrás de mim? Precisa disso? Tanto criminoso aí na rua e mandaram a viatura atrás de mim'. As pessoas se sentem extremamente ofendidas", disse.

O delegado citou ainda o caso de uma advogada de mais de 80 anos investigada por racismo. Segundo ele, a mulher acreditava que não seria responsabilizada por viver na Graça, bairro de classe alta da capital. Assim como ela, muitas pessoas apresentam laudos psiquiátricos para justificar as atitudes.

"A delegacia não é clínica psiquiátrica. Pode apresentar o laudo, a gente faz a investigação, a pessoa é indiciada e, caso consiga na Justiça provar que naquele momento estava em surto, isso será avaliado. Mas enquanto estiver na delegacia, vai ser tratada como uma pessoa em plenas faculdades mentais", complementou.

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