Polícia

Desaparecimento: O que fazer após 'sumiço' do seu familiar?

Tânia Rêgo/Agência Brasil
Desaparecimento acontece, em grande parte, na Bahia, com homens negros  |   Bnews - Divulgação Tânia Rêgo/Agência Brasil
Sanny Santana

por Sanny Santana

sanny.santana@bnews.com.br

Publicado em 18/07/2023, às 05h30 - Atualizado às 13h23



Casos de desaparecimento acontecem com maior frequência do se imagina. Recentemente, o sumiço de uma jornalista de 24 anos acendeu o alerta para o tema.

É comum ver o desespero de amigos e familiares diante de desaparecimentos, mas grande parte das pessoas não sabem o que fazer quando familiares desaparecem, nem quando se deve comunicar o desaparecimento.

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Para começar, ao contrário do que pensam, assim que for notada uma "quebra de rotina", já se pode considerar um desaparecimento. Ou seja, não é necessário esperar por 24 horas para que a denúncia seja feita.

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"A busca é imediata (...) existe um mito de 24 horas, mas nunca existiu em lei. Se percebeu [a falta da pessoa], tentou entrar em contato, não conseguiu, já podemos realizar as buscas", explica a delegada Marilene Lima, titular da Delegacia de Proteção à Pessoa (DPP).

A delegada ainda explica que a "quebra de rotina" se trata de quando uma pessoa tem atitudes diferentes da que costuma ter, como, por exemplo, a falta de aviso, quando a ação é constante, ou a demora para chegar em casa, quando a pessoa costuma chegar em um horário específico etc.

"Assim que tiver quebra de rotina familiar, pode entrar em contato. Se, por exemplo, todos os dias a pessoa está ali às 16h, tem esse hábito, se ela tem um horário específico pra chegar em casa, 19h da noite, por exemplo, deu 23h e ela não ligou, não deu notícias, não disse nada, isso já é quebra de rotina familiar", afirma.

Como registrar o desaparecimento?

Para fazer o registro do desaparecimento, o familiar pode já seguir para o DPP com seu próprio RG, uma foto recente do desaparecido e algum documento de identificação da vítima (caso tenha). É essencial ainda, segundo a delegada, que a pessoa que faça o Boletim de Ocorrência tenha parentesco de até 4º grau com a vítima. O RG do denunciante, portanto, é importante para se provar o grau de parentesco.

"Não pode ser qualquer pessoa. [Amigo] pode ir lá [na delegacia], mas registrar, apenas o familiar, porque existe a lei de proteção à imagem. Se ele levar uma foto para a gente divulgar, ele vai ter que assinar um termo se responsabilizando pela divulgação da imagem do desaparecido", diz a delegada.

Entre outras informações que podem ajudar na procura do desaparecido, estão o horário de sumiço, a roupa que a vítima usava, último local que tenha ido e informações sobre o físico do desaparecido, como cicatrizes, tatuagens ou qualquer deficiência.

Caso os familiares não tenham buscado antes, após o registro do B.O, a Polícia Civil inicia uma busca por unidades hospitalares. O IML (Instituto Médico Legal), o Hospital do Subúrbio, Hospital Geral do Estado e o Hospital Roberto Santos estão entre as unidades onde se procuram as vítimas.

Além disso, uma triagem é feita pelos investigadores. "Todas as vezes a gente faz a triagem, para ver se não está preso. A gente vê a vida pregressa do desaparecimento, possível prisão, e a gente tem também uma rede de apoio formada com serviços sociais com os principais hospitais e UPAs da cidade", diz a titular do DPP, que explica que o grupo, chamado Localização e Identificação, possui 150 assistentes sociais, onde se envia foto da vítima para identificar e ela deu alguma entrada em uma unidade de saúde.

A família deve se envolver?

Em casos onde se suspeita de desaparecimento por dívidas ou tráfico de drogas, a Polícia Civil recomenda que a família não se envolva, pois pode se tornar um alvo de criminosos.

O que fazer após encontrar a vítima?

Após o encontro entre o desaparecido e os familiares, é essencial que o parente que registrou o B.O informe que a pessoa foi encontrada, para que conste no sistema o seu aparecimento. Isso ajuda, inclusive, nas estatísticas.

"Para a nossa estatística não ficar alta, como não localizado, assim que se localiza, assim que retona para o 'seio da família', é importante que os familiares informem o retorno, eles assinam um termo para a gente dar baixa", explica a delegada.

Para quem não quer retornar à delegacia para informar que a vítima foi encontrada, pode dar a informação à polícia pelo WhatsApp, relatando ainda se a pessoa desapareceu por sequestro, doença mental, etc.

A informação pode ser relatada através do número (71) 99631-6538. Para informar desaparecimento, preliminarmente, pode entrar em contato com o Disque Denuncia 181, no Facebook ou Instagram @desaparecidospcba, no entanto, a pessoa, de qualquer maneira, terá que seguir para a delegacia para dar outros documentos.

A delegacia fica localizada na Avenida Dorival Caymmi, no prédio da antiga EBDA, número 15649, no bairro de Itapuã.

Para os que não encontram os familiares, a cada mês, o DPP realiza ligações para todas as famílias, para saber alguém retornou. Se retornou, é enviado um documento para os familiares preencherem e, assim, dar baixa no Registro de Pessoas Desaparecidas.

Ferramentas que ajudam

De acordo com a delegada, a divulgação dos desaparecidos na Nova Lapa surtiram efeito, afinal, milhares de pessoas passam pelo local.

Ainda segundo ela, no último mês de junho, a Bahia registrou 33 desaparecidos, sendo que 20 já foram encontrados.

Em 2022, 80% dos desaparecidos foram encontrados, média que aumentou para 86% em 2023. Em 2022, foram 205 desaparecidos, com 66 localizados. Neste ano, foram 249 desaparecidos, com 214 localizados.

Segundo a delegada, a maior incidência de desaparecidos ocorre entre homens negros, com idade entre 18 e 35 anos.

Classificação Indicativa: Livre

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