Polícia

Em cada 10 vítimas de estupro, 4 são crianças e adolescentes negras

Marcelo Casal/Agência Brasil
Mulheres negras também são maioria no número de vítimas  |   Bnews - Divulgação Marcelo Casal/Agência Brasil

Publicado em 01/07/2024, às 16h58   Cadastrado por Sanny Santana



Crianças e adolescentes negras representam de 40% dos casos registrados de estupro no Brasil, sendo o dobro da incidência em comparação com meninas brancas, mesmo fazendo parte de apenas 13% da população, segundo o Censo de 2022. Os dados foram divulgados pela Folha de S. Paulo e são do estudo feito pelo Núcleo de Estudos Raciais do Insper, com base nos dados do Sistema Nacional de Atendimento Médico, do Ministério da Saúde. 

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O levantamento apontou ainda que 6 em cada 10 registros de estupro no país envolvem meninas com menos de 18 anos, e que a proporção de mulheres pretas e pardas - em todas as faixas etárias - vítimas desse crime tem aumentado últimos anos.

Enquanto em 2010, primeiro ano analisado pelos pesquisadores, 3 em cada 10 vítimas de estupro eram crianças e adolescentes negras, em 2022 - último ano analisado - o número subiu para 4 em cada 10. Já as meninas brancas são 20% das vítimas — ou 2 em cada 10.

Muito além de crianças e adolescentes, as mulheres negras também são maioria no número de vítimas. Conforme o estudo, o número de casos notificados por vítimas negras de 2010 a 2022 é maior do que em outros grupos.

No período, o total de registros desse crime no Brasil teve um aumento expressivo, indo de 7.617 em 2010 para 39.661 em 2022. As negras eram 48,4% das vítimas em 2010 e passaram a ser 60% em 2022. As brancas, que eram 38,1%, passaram a ser 33,3%.

A diferença racial é um pouco maior quando são tratadas apenas as crianças e adolescentes. As vítimas negras eram 50,6% do total em 2010, e as brancas, 34,6%. Em 2022, pretas e pardas passaram a ser 61,9%, e as brancas, 30,8%. As demais vítimas estão como outras raças ou sem informação a respeito do assunto.

A maior parte das vítimas tem idades de 11 a 17 anos, sendo 39,2% do total. Nos casos que envolvem crianças e adolescentes, em torno de 50% dos agressores são do círculo de convívio familiar da vítima.

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