Polícia

Em movimentos diferentes, agentes e delegados da PF acenam para greve e paralisação; entenda o racha

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Agentes e delegados da PF enfrentam prazos eleitorais que limitam reajustes salariais  |   Bnews - Divulgação Divulgação

Publicado em 25/03/2026, às 18h25   Mariana Bamberg



Os Policiais Federais estão em estado de greve desde terça-feira (24), quando representantes da categoria se reuniram em assembleia em Brasília. Em paralelo, a categoria dos delegados da Polícia Federal havia aprovado uma paralisação chamada “82 horas sem a PF“, que suspenderia, inclusive, atividades como operações.

As reivindicações são por valorização da carreira, mas os movimentos são diferentes. Há, na verdade, um racha histórico entre as duas categorias, acentuado após a greve de 2012. Apesar disso, a Justiça do Trabalho considera que os delegados da PF devem ser representados pelo sindicato dos policiais federais.

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Os agentes já estão em contato com o diretor geral da PF e seguem avaliando em assembleia a possibilidade de greve, que pode entrar em vigor ainda nesta semana. De acordo com representantes da categoria, os agentes da PF têm o menor salário entre as carreiras típicas de Estado.

Os delegados, por sua vez, suspenderam, na última segunda-feira (23), a paralisação de 82 horas, em referência aos 82 anos da corporação. Segundo Wal Goulart, diretor da Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal na Bahia (ADPF-BA), a categoria vai se reunir na próxima segunda-feira (30), para deliberar se irá voltar ou não à mobilização, diante das tratativas com o governo.

A reclamação dos delegados é de defasagem salarial, em especial da ausência dos chamados penduricalhos, comuns na remuneração do funcionalismo público.

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Ambos os movimentos são pressionados pelos prazos do ano eleitoral. A legislação eleitoral proíbe reajuste salarial ao funcionalismo público no período de 180 dias antes da eleição. Isso significa que, no caso de aumento, o governo só poderia conceder até o dia 7 de abril.

Mas, enquanto os delegados pressionam o governo para a criação do Fundo Nacional de Combate às Organizações Criminosas (FUNCOC), proposta apresentada pelo Ministério da Justiça em novembro do ano passado, os agentes da PF querem outra medida.

A proposta do fundo, que ainda não foi enviada para o Congresso, prevê que os recursos apreendidos do crime sejam revertidos em investimento na própria polícia, incluindo a modernização tecnológica e Gratificação de Eficiência Institucional (GEI) para os profissionais.

Se de um lado, os delegados querem pressionar o envio desse fundo ao Congresso, os agentes da PF defendem que o atual formato proposto pelo projeto não foi discutido com a categoria. O presidente do Sindicato de Policiais Federais da Bahia (SINDIPOL-BA), Augusto Almeida, acredita que a proposta do fundo, ainda que, em princípio, seja um aceno aparentemente positivo, precisa ser apresentado para as demais categorias da PF, para que, por exemplo, não crie um fosso ainda maior entre as remunerações dos agentes e dos delegados.

Nós recebemos por subsídio e a proposta que os envolve precisa ser discutida por todos. Então, nossa proposta foge de qualquer ideia que se assemelhe a penduricalhos ou algo do tipo, situação jurídica polêmica, que, inclusive, está  iniciando as discussões hoje no plenário do STF. A Federação Nacional dos Policiais Federais estará sempre na luta pela valorização da carreira policial federal, através de proposições e projetos de leis factíveis, afirmou ao BNews.

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