Polícia
por Bruna Rocha
Publicado em 24/07/2025, às 11h00
Uma clínica especializada em assistência a pacientes, localizada em Salvador, foi alvo de um golpe de estelionato que causou um prejuízo superior a R$ 90 mil e deixou a empresa endividada com fornecedores. O crime ocorreu há cerca de um ano e, até o momento, a principal suspeita segue em liberdade.
O caso aconteceu em agosto do ano passado, quando gestores da clínica intitulada Núcleo de Assistência ao Paciente Reumático LTDA, localizada na Av. Anita Garibaldi, na capital, acho suspeito algumas atitudes na funcionária. A acusada do crime éuma ex-funcionária do estabelecimento.
Segundo a Mônica Martinelli, médica e dona da clínica, a auxiliar administrativa, modificou os boletos bancários que faziam o valor pago ser enviado para a conta de uma familiar que, até o momento, conforme os autos do processo, foi usada como laranja na situação.
“Ela falsificava os boletos e direcionava os valores para a conta da cunhada, que não sei se está envolvida no esquema. Ela trabalhou por seis meses na clínica e, pelo que sei, depois aplicou o mesmo golpe em outra clínica. Agora, ao que tudo indica, está atuando em Feira de Santana. Os boletos vinham em nome do distribuidor de medicamentos, mas a conta de destino era de uma Bárbara. Ou seja, quando fazíamos o pagamento, o dinheiro ia direto para a conta da cunhada dela”, conta a empresária em entrevista ao BNews.
Mônica recorda que a demissão ocorreu de forma inesperada, mas que, pouco tempo depois, o motivo da saída foi revelado. “A demissão dela veio quando realizei uma viagem e quando retornei ela havia deixado uma carta de despedida, ninguém entendeu. A atitude dela foi muito suspeita, especialmente porque o distribuidor começou a enviar e-mails cobrando valores que a gente já havia pago por boleto”.
Acredito que eles já vinham fazendo essas cobranças por e-mail, mas como ela controlava a conta do setor financeiro, conseguiu esconder por um tempo. Quando os e-mails começaram a chegar diretamente até mim, acho que ela percebeu que a fraude seria descoberta, então se desligou da empresa e desapareceu”, revelou Mônica.
Ao tomar conhecimento do ocorrido, Mônica Martinelli, dona do local, registrou um boletim de ocorrência na 7ª Delegacia Territorial, no Rio Vermelho. Apesar da medida, o processo ainda está em tramitação na Justiça junto ao Ministério Publico da Bahia (MP-BA).
Mônica não foi a única vítima da suspeita. Segundo Abimael Cruz, dono de uma clínica médica especializada em atendimento domiciliar, algo similar aconteceu com ele, mas no município de Feira de Santana, no sertão baiano.
Em entrevista ao BNews, Abimael conta que até hoje, não se sabe como ela conseguiu fazer as transferências. "Temos um caixa reservado para compras no crédito, e, durante os cinco meses em que trabalhou conosco, ela desviou cerca de R$ 51 mil", conta.
“O marido dela chegou a ir à delegacia e também demonstrou surpresa com tudo o que estava acontecendo. Ele disse que não sabia de nada. Inclusive, contou uma história: certa vez, ela estava sem dinheiro, eles têm uma filha, e ele a ajuda como pode. Ele relatou um episódio em que emprestou o cartão de um amigo para comprar roupas íntimas para ela, e ela acabou usando o cartão para fazer um empréstimo, sem o consentimento do dono. Ou seja, além de tudo, ele também acabou sendo prejudicado por essas atitudes”, pontua o médico.
Apesar do rombo financeiro, o médico especializado em terapias integrativas e hormonais conseguiu receber o valor de volta, não diretamente da acusada, mas da família que se uniu para restituí-lo.
A reportagem tenta contato com acusada, mas até o momento não obteve retorno. O Ministério Público da Bahia também foi acionado, mas até o momento a reportagem também não foi respondida. O canal segue aberto.
As práticas da suposta estalionatárias também foram identificadas em outro segmento empresarial na Bahia. De acordo com o processo obtido pelo BNews, ela teria cometido estelionato contra uma academia na capital. O golpe funcionava da seguinte forma: quando os alunos realizavam o pagamento da mensalidade, ela fornecia a chave PIX pessoal em vez da da academia. Ao todo, mais de R$ 6 mil foram desviados do estabelecimento.
Segundo o Código Penal Brasileiro, a prática de estelionato é tipificado no artigo 171 e configura-se quando alguém obtém, para si ou para outrem, vantagem ilícita em prejuízo alheio, induzindo ou mantendo alguém em erro, por meio de artifício, ardil ou qualquer outro meio fraudulento.
Ainda conforme o Código Penal, a punição prevista para esse tipo de crime é de prisão de um a cinco anos, além de multa. Caso o crime seja cometido contra idoso ou mediante fraude eletrônica — como o uso indevido de transferências via PIX — a pena pode ser aumentada, conforme alterações trazidas pela Lei nº 14.155/2021. Além da punição penal, o autor pode ser obrigado a ressarcir os danos causados à vítima.
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